CRIANÇA ENCONTRADA MORTA NA PRAIA
Que idade tinhas quando o medo chegou?
Os grandes animais
te cercam na areia e não se satisfazem.
Dão voltas em torno do teu corpo
sem saber quando parar.
Alguém fala, escreve, fotografa,
mas permaneces perdido,
mínimo em um espaço
ao qual não pertences.
A foto consome a carne,
deixa as coisas à deriva,
como se elas resistissem
à morte, aos desenhos na areia,
como se, diante da fome e da sede,
eles, os náufragos, ignorassem o vento,
se refugiassem em paisagens
que não se incomodam com o fim.
Mas, mesmo no silêncio,
nascem, sob a água, com a voz alta,
corpos sem extensões,
pausas tocadas pela noite.
Pode o detalhe escapar
da atenção,
ao extremo de polir os ossos,
de água em fuga, à margem do corte?
Ver, aqui, não significa redimir-se.
Nunca saberemos onde
estão aqueles que nos ouvem.
Talvez aqui, nestas margens,
queiramos anular a distância,
vir ao nosso próprio encontro,
na expectativa de conseguir
o que os olhos não oferecem.
Alguns riem e não se perguntam
como um morto sem olhos pode chorar.
Não finjas, não me enganes. Responde.
Que idade tinhas quando o medo chegou?
Apagar tudo o que está em negrito.
Os grandes animais
te cercam na areia e não se satisfazem.
Dão voltas em torno do teu corpo
sem saber quando parar.
Alguém fala, escreve, fotografa,
mas permaneces perdido,
mínimo em um espaço
ao qual não pertences.
A foto consome a carne,
deixa as coisas à deriva,
como se elas resistissem
à morte, aos desenhos na areia,
como se, diante da fome e da sede,
eles, os náufragos, ignorassem o vento,
se refugiassem em paisagens
que não se incomodam com o fim.
Mas, mesmo no silêncio,
nascem, sob a água, com a voz alta,
corpos sem extensões,
pausas tocadas pela noite.
Pode o detalhe escapar
da atenção,
ao extremo de polir os ossos,
de água em fuga, à margem do corte?
Ver, aqui, não significa redimir-se.
Nunca saberemos onde
estão aqueles que nos ouvem.
Talvez aqui, nestas margens,
queiramos anular a distância,
vir ao nosso próprio encontro,
na expectativa de conseguir
o que os olhos não oferecem.
Alguns riem e não se perguntam
como um morto sem olhos pode chorar.
Não finjas, não me enganes. Responde.
Que idade tinhas quando o medo chegou?
Apagar tudo o que está em negrito.
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