LIUZINHA
Ela era toda certinha, cabelos longos, loiros, olhos verdes, andava somente na linha, um metro e setenta e cinco de altura, curvas, tronco, rosto de menininha. Parecia uma escultura, pele clara de jambo, vinte e dois anos, ela era pura. O avesso do mundo, Liuzinha, a garotinha filhinha de um senhor furibundo. Não tinha mãe, nem um irmão, ela era a paz, mas causava confusão. Senhor Atanásio, morador do Vale do Cão, era respeitado pelo seu olhar frio e por ser filho de Gervásio, aquele que lutou, venceu e matou um leão. Pai de Liuzinha a princesinha do não, senhor Atanásio vivia um grande dilema, proteger a filha pura era um grande problema, o Vale era Sodoma, filhos da vadiagem e da perdição, de crimes diversos, e morte, para se protegerem seguramente necessitariam de uma grande redoma. Vivia fugindo dos assédios de homens indesejáveis, o que para ela os tornavam ainda mais detestáveis. Liuzinha também tinha outros atributos, além da beleza, era guerreira, e suas qualidades e frutos eram força, coragem, várias habilidades e tamanha destreza. Saqueadores, injustos e pérfidos, homens de má conduta, no Vale, seu Atanásio e a filha com eles lutam, para a preservação da suas vidas se defendem e não se assustam, se legitimam com as suas espadas, os fere, se livram e fogem de mais uma cilada. _Filha está tudo bem contigo? _Sim pai, difícil é não correr perigo, mas estes mereceram tal castigo, não tentarão mais outra vez se engraçarem comigo. _Certamente não, mas fiquemos atentos, todavia vivemos no Vale do Cão, o mal é sempre iminente e a nossa vigilância constante é a solução. _Sim meu pai, estarei sempre atenta, oxalá consigamos nos livrar de todas as investidas do mal, meu espírito está pronto, pois ele representa todo ideal de justiça neste caos de lugar, e um dia pai, conseguiremos daqui nos livrar. _É filha, talvez eu já seja velho o bastante e não me importe mais em morrer por aqui, mas você é tão linda, jovem e interessante, que eu seu pai lutarei e se necessário for, morrerei por ti. Feliz serei em vê-la um dia partir, mesmo que eu não possa ir, mas você filha, até os últimos esforços irá conseguir. _Não meu pai, eu jamais deixarei o senhor, também lutarei até à morte se preciso for, mas juntos sairemos, nos gloriaremos nos muitos dias de paz que longe daqui encontraremos. Lugar hostil, cheio de armadilhas, cães famintos e suas matilhas, violências desenfreadas por desestruturadas famílias. Terra sem governo constituído, terra de chacais onde o terror foi estabelecido, onde o bem foi destituído. Um lugar de ruínas e escravos sem princípios, onde reina a fome, a miséria e das almas ociosas os vícios, onde os espíritos de homens e animais não encontram paz e a injustiça ferrenha cada dia se refaz.