Vivo de amor a amor e sofrendo de dor em dor.

Hoje olhei para você, como poucas vezes houveram na vida, te vi apenas como só mais um, um alguém qualquer que conheço. Perdi a visão que me fazia ver-lhe de maneira amorosa, foste esta a primeira vez em que a ternura veio a faltar. Achei seu sorriso, que havia tido como o mais belo, agora o mais estranho entre os outros ali também presentes, a beleza única que achei neles outrora, agora, pareceu nunca existente. Os olhos negros e brilhosos, anexo aos óculos, já não aparentavm tal mágica, agora os mesmos já eram opacos e sem vida. Pareceu-me que todo o conjunto por qual me apaixonara havia desaparecido em plena vista, o corpo antes airoso e bem curvilíneo, era um amontoado de descomposturas. Talvez agora já apartado o calor dessa paixão, tenha pela primeira vez dado realce aos gritos oriundos do lado racional, este ser que só amou intensamente, honestamente, complementarmente e indubitavelmente você, tomou por dianteira às primeiras dúvidas sobre o quanto era este amor, o real. Saqueei os momentos felizes ao lado seu, antes tantos que facilmente farfalhavam em minha mente, agora uns aqui e outros acolá, tais como oásis no deserto. Lembrei-me claramente do primeiro "eu te amo" que inocentemente só saiu em meu coração, jamais cruzou os lábios, e uma vez que estas palavras, já banalizadas e comuns, cruzaram os seus lábios rosados e notavelmente rachados, senti-me nas nuvens, senti que podia me alimentar de palavras tão doces como estas, porém como já havia dito, "eu te amo" não é nada mais que uma expressão. Será que sempre foi assim e meu amor por ti cegou-me? Dando razão a cegueira que vem atrelada ao amor?  Lamento, mas aparentemente não tenho as respostas das minhas próprias indagações...
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