MATA-NOS A SEDE
Mata-nos a sede ó refrescante gota d'água, a nossa boca está seca, os nossos olhos fartos de mágoa, queima-nos adentro um fogo que não se apaga, fervendo o nosso sangue, dilatando artérias e veias, ó intrigante gota d'água refrigério que nos permeia. Inunda-nos a alma infinda, ó cristalina e mineral, escassa gota d'água, suaviza e umidifica nosso íntimo abissal. Faça-nos jorrar em fontes, impetuosas cachoeiras, assalte nosso calor ardente, na chuva torrente, correntes ribeiras. No corpo da nossa língua, ó fresca gota d'água, num beijo de vida, nestas bocas unidas, lábios juntos sem despedidas, repõe-nos agora nossos sais perdidos em tantas lágrimas ocultas, hidratando os nossos corpos nestes dias de lutas, ó gota tremenda líquida restauradora, faze-nos de novo corpo-a-corpo em seu estado que não se evapora, e de dentro de nós nunca mais vá-se embora.