Na mente do tempo

Na mente do tempo rola uma hora
Incauta, abstraída, quase irascível
Mordisca todo o silêncio que vadia
Camuflado num lamento tão invisível
Na mente do tempo a escuridão unta a
Solidão com lembranças quase imperceptíveis
Degola a saudade metastizada pela memória
Que ainda convalesce esperançosa e receptível
Na mente do tempo a cada fracção de segundo
Desfalece este silêncio que agoniza quase indefectível
Definha e hiberna velozmente num breu tão indivisível
Aninhadas numa oração fragrante a manhã escorre
Silenciosamente pelas caleiras desta solidão inacessível
Até deixar uma desmazelada emoção afogar-se num eco iniludível
Frederico de Castro
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