VIDA CONJUGAL
O que é a arte de amar, senão o padecimento! Mas há sempre contentamento quando se prova a boca. Quando se busca estrelas à luz do dia, e os olhos fechados encontram o calor súbito das mãos entrelaçadas. É quando se vão as diferenças e se esquece das mágoas, e as juras primeiras se fazem presentes promessas. E o tocar dos lábios causa toda prova de cumplicidade, e já não há mais culpados, e os beijos que ardem transformam tudo em paz e harmonia, aí se padece de prazer, até a cruel rotina apresentar a mesma forma casual para o exercício da paciência.
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