Pichado e pintado.
Destino Me/arcado sob outonal chuva
Portuense Tripeira, cantante, possante,
Molha num instante, o corpo encharcado e desperto,
Nulla alma aparente em regozijo,
E Eu na alegria da música numa pausa de mil passos.
Descartem-se as compras, escassas as aquisições,
Num terceiro mundo Imundo onde vou fundo,
Cuja ilha dos câes habito, câes outrados,
Canídeos pulgentos, salobra água, inegável mágoa
Quâo aparte dos quadrúpedes, elites, vinho de sommelier
Companheiros chipados e tagueados de distintos vizinhos.
O Pingo Doce de hoje é o dos caninos conspirados,
Cujas pisadas, apesar da excelente película, vitoriosa,
Se quedaram em passos tâo curtos, molhados, frustrados,
Furtados à espiritual, mais gélida, coureácea bota da realidade
Deste vetusto, ilustre, super-auto-estimado burgo, coletividade.
De ser quem sou nesta avançada idade,
Debaixo do velho Plátano, vergado e vendido,
Uma não pessoa, vencido não, pretensamente esquecido.
Nâo cidadão, não chipado, postergado privado, apenas vigiado,
Pessoa de interesse, elemento na Nobre e Invicta cidade
O riso inaceitável, comportamento censurável, um intolerado.
O nome escrito em esoterismos para banidos, pichado e pintado.
Em Loop, a música onde o ser gente habita, bate e agita a alma catita.
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