Nada se parece comigo

Quantos Césares fui, não digo,
Nenhum se parece comigo nos testículos,
No beiço, mais que o néscio do altifalante,
Ou nem mesmo, sou o tresloucado
Do Olimpo e íntimo do Olifante,
Velado intermitentemente por velas
De pouca luz, anãs brancas,
Nada comigo se parece tanto,
Dado que não se mede a metro,
O destino dos que vêem
Posterior e mais além,
Vivo na vertente lenta do céu,
Comigo me cruzo, disto
Sem saber donde, terra
Morta de qual exército
Fictício, irreais regimentos
De disléxicos crónicos,
Burma, guerra d'Crimeia
E gangrena, consolar-me-iam
Pouco, mesmo que prediga
Neles outra sequela, Cornaca
De Ganesh, telhado d'Valhalla
Roto, novela de expressões
Alheias é o que sou, sendo
Que nada se parece comigo,
Excepto ao serão o hospício
Dos indexados e esdrúxulos,
Com coração de palha, Faia,
Pão de rala, água benta, dentes
Falsos, nada de milho cru,
Quantos Césares fui, esqueci...
Jorge Santos 10/2019
http://namastibetpoems.blogspot.com
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