MIGRANTES
Veem de longe, de muito longe,
Pelo mar desconhecido,
Agitados, cheios de esperança,
Deslocam um punhado de nada,
Veem sofrendo nessa estrada,
Empilhados sem segurança,
Trazem os filhos, as mulheres grávidas,
Fogem da guerra, da triste ventura,
No peito uma agonia tão dura…
Sua reação serena e impávida.
A fome, o frio, a falta de amor os faz mais fortes,
A secura a doença, a morte não se lh’ figura,
Mas a ânsia de mudar essa amargura,
Supera tudo e almejam toda a sorte.
No desconhecido o sonho perdura,
A saudade corre-lhe nas veias,
Carregam a história da terra, da sua aldeia,
Um desejo breve que só o tempo cura.
Muitos não conseguem experimentar o sonho,
As ondas agitam bravas a embarcação,
O medo e o cansaço lhe cria ilusão,
E apaga-se a vida num grito medonho.
Outros o seu olhar encontra outro caminho,
Às vezes tão sinuoso, íngreme e escorregadio,
Mas não desistem sempre em frente, por um fio,
Resistindo e desafiando cada etapa do seu destino.
14-12-2019 Maria Antonieta Matos
Pelo mar desconhecido,
Agitados, cheios de esperança,
Deslocam um punhado de nada,
Veem sofrendo nessa estrada,
Empilhados sem segurança,
Trazem os filhos, as mulheres grávidas,
Fogem da guerra, da triste ventura,
No peito uma agonia tão dura…
Sua reação serena e impávida.
A fome, o frio, a falta de amor os faz mais fortes,
A secura a doença, a morte não se lh’ figura,
Mas a ânsia de mudar essa amargura,
Supera tudo e almejam toda a sorte.
No desconhecido o sonho perdura,
A saudade corre-lhe nas veias,
Carregam a história da terra, da sua aldeia,
Um desejo breve que só o tempo cura.
Muitos não conseguem experimentar o sonho,
As ondas agitam bravas a embarcação,
O medo e o cansaço lhe cria ilusão,
E apaga-se a vida num grito medonho.
Outros o seu olhar encontra outro caminho,
Às vezes tão sinuoso, íngreme e escorregadio,
Mas não desistem sempre em frente, por um fio,
Resistindo e desafiando cada etapa do seu destino.
14-12-2019 Maria Antonieta Matos
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