selvagem
Estou sentido o solo sob os pés
Deitada no embalo das marés
Escutando o gargalhar do vento
Queimar nas chamas do meu coração.
Estou com medo, estou perdida
E maravilhada com tanta beleza!
Perdoe minha intensa tristeza
É a fragilidade da vida.
É que na escola não me contaram
Quantos homens as guerras mataram.
Quantas mulheres as fogueiras queimaram.
Se ao próprio Deus crucificaram!
Se arrependem, mas não estão fartos.
Me quiseram alienada
Mas verdade busquei.
Me quiseram calada
Eu gritei.
E quando não conseguiram me calar
Quiseram me fazer acreditar
Que tudo em mim era intenso demais!
Intenso demais, como fosse um defeito
Sentir o mundo à flor da pele...
A pele que queima ao sol
Que se arrepia no vento.
Que é selvagem, é autêntica, as paredes do meu templo!
Me disseram que haveria um tempo
Em que eu já não defenderia meus tolos ideais
Em que eu estaria ocupada demais!
Sendo o que eles querem que eu seja.
Me quiseram condescendente
Mansa, domada
Me quiseram sentada
Olhando sempre pra frente.
Tirem suas leis do meu ventre!
Sim, porque me quiseram casada
(além de calada).
Submissa e acomodada
Me quiseram engravidar!
Pra depois me responsabilizar
Dizer que fui irresponsável
Que fui instável
Que deveria me valorizar.
Me perdoe o poema
Extenso, agressivo
É que este é o sistema ...
O frio sistema em que vivo.
E se escrevo é pra me libertar.
Se escrevo é pra te implorar
de joelhos, prostrada
contente-se em não fazer nada
mas pra isso não conte comigo.
Minha religião não se resume à vãs repetições
À ignorância em nossos corações
À resiliência diante do perigo.
Me deixe lutar bravamente
Contra os dogmas inseridos em minha mente
Lutar comigo e com meus opressores
Falsos profetas, falsos senhores.
Que, como eu, são apenas pó.
Me deixe desatar esse nó
Porque se preso quereis permanecer
Eu não vou me arrefecer
Eu não vou me acovardar
E quando as rédeas eu tomar
Não precisa me seguir.
Apenas me deixe ir.
Sombra Solar
À luz do luar
Eu sou deusa estelar
Constelação de magia
A deusa me guia
E deixe-me dançar!
Nua, nas matas
A dança dos primatas
A dança vadia.
Perdoe-me a poesia...
É que eu quero uivar,
Mas me querem calar
Eu quero rugir
Eu quero urrar!
A mim, deixe-me sentir
O solo sob os pés
O embalo das marés
O gargalhar do vento ressoar
Nas chamas do meu coração.
E eu te deixo na tua ilusão
De que do teu deus és a imagem.
Deixe-me apenas ser livre
Ser intensa
Ser Selvagem.
Deitada no embalo das marés
Escutando o gargalhar do vento
Queimar nas chamas do meu coração.
Estou com medo, estou perdida
E maravilhada com tanta beleza!
Perdoe minha intensa tristeza
É a fragilidade da vida.
É que na escola não me contaram
Quantos homens as guerras mataram.
Quantas mulheres as fogueiras queimaram.
Se ao próprio Deus crucificaram!
Se arrependem, mas não estão fartos.
Me quiseram alienada
Mas verdade busquei.
Me quiseram calada
Eu gritei.
E quando não conseguiram me calar
Quiseram me fazer acreditar
Que tudo em mim era intenso demais!
Intenso demais, como fosse um defeito
Sentir o mundo à flor da pele...
A pele que queima ao sol
Que se arrepia no vento.
Que é selvagem, é autêntica, as paredes do meu templo!
Me disseram que haveria um tempo
Em que eu já não defenderia meus tolos ideais
Em que eu estaria ocupada demais!
Sendo o que eles querem que eu seja.
Me quiseram condescendente
Mansa, domada
Me quiseram sentada
Olhando sempre pra frente.
Tirem suas leis do meu ventre!
Sim, porque me quiseram casada
(além de calada).
Submissa e acomodada
Me quiseram engravidar!
Pra depois me responsabilizar
Dizer que fui irresponsável
Que fui instável
Que deveria me valorizar.
Me perdoe o poema
Extenso, agressivo
É que este é o sistema ...
O frio sistema em que vivo.
E se escrevo é pra me libertar.
Se escrevo é pra te implorar
de joelhos, prostrada
contente-se em não fazer nada
mas pra isso não conte comigo.
Minha religião não se resume à vãs repetições
À ignorância em nossos corações
À resiliência diante do perigo.
Me deixe lutar bravamente
Contra os dogmas inseridos em minha mente
Lutar comigo e com meus opressores
Falsos profetas, falsos senhores.
Que, como eu, são apenas pó.
Me deixe desatar esse nó
Porque se preso quereis permanecer
Eu não vou me arrefecer
Eu não vou me acovardar
E quando as rédeas eu tomar
Não precisa me seguir.
Apenas me deixe ir.
Sombra Solar
À luz do luar
Eu sou deusa estelar
Constelação de magia
A deusa me guia
E deixe-me dançar!
Nua, nas matas
A dança dos primatas
A dança vadia.
Perdoe-me a poesia...
É que eu quero uivar,
Mas me querem calar
Eu quero rugir
Eu quero urrar!
A mim, deixe-me sentir
O solo sob os pés
O embalo das marés
O gargalhar do vento ressoar
Nas chamas do meu coração.
E eu te deixo na tua ilusão
De que do teu deus és a imagem.
Deixe-me apenas ser livre
Ser intensa
Ser Selvagem.
Comentários (1)
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2020-04-28
Nossa! Senti ao longo do poema toda a garra com que foi escrito! Senti-me selvagem tão quanto você na leitura! O texto foi aumentando a intensidade conforme fui lendo, foi ficando mais forte, rápido, não há outra palavra, que não: SELVAGEM!
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