Não ria de mim, caro confidente
Eis meu caderno aberto
Leia-o todo se for capaz
Talvez minhas tolas palavras
Te façam perder a paz
No meu caderno jazem
Meus versos humildes
Liras que cantam
Dor, amor e saudades
Sinto que fui destinada
Desde o dia da criação
A ter o caderno como único amigo
Ou talvez seja só imaginação
Meu caderno aberto é meu oponente
Que diz: "Anda, escreve-me!
E depois carregue este fardo
De poeta que te cabe!"
E o digo pois
Que poeta não sou, não
Sou apenas uma alma solitária
Com a sorte de um caderno à mão
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