A FUGA

Me perco em tudo.
Me perco em nada.
Olho para o acaso:
pessoas teleguiadas, conduzidas pelos mais variados motivos.
Orgulhos, vaidades, compaixão...
A complexidade que permeia o cotidiano.
Imersos em um calabouço de certezas,
navegando em um barco sem rumo dentro de um oceano de abismo.
A mente o tempo todo maquinando.
A percepção não para de bater na minha porta.
Queria realmente fechar os olhos
e deixar-me conduzir pelo fluxo dos meus pensamentos,
mas, a todo momento, essa força me sacode.
A fuga escapa pelos meus dedos enquanto observo as folhas caírem
e os jornais que cantam fatalidades.
Banalidades...
Me perco em tudo.
Me perco em nada.
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