Deve existir um lugar, talvez exista... Onde eu não precisaria ser. Apenas, estar.
Hoje, confuso nos desejos e perdido no tempo, preciso apenas do silêncio das estrelas.
Preciso do luar sobre a mata, que possa refletir sua luz nas águas que deslizam sobre as pedras, e seguem cantarolando a mesma e secular melodia...
Hoje preciso de paz.
A paz que busco, não tem lugar, apenas distância... Preciso estar longe de tudo.
Inclusive deste “eu”, sufocado, machucado, perdido.
A paz que procuro me é desconhecida e diferente de tudo o que já quis nesta vida.
Não é tão somente solidão, porque esta, eu já tenho onde quer que eu esteja.
Vivo a solidão de sentidos e sentimentos, onde não vejo, não ouço, não sinto sabores ou aromas.
Onde ignoro o mundo que me cerca, as emoções que já não me afetam.
Deve existir um lugar, onde este “eu” possa sair de dentro de mim e olhar para o mundo, para o tudo ou mesmo, para o nada.
Olhar com os olhos secos, mas com o coração mergulhado na vida que insiste em seguir latente por ainda me restar.
E compreender... Porque compreender é tudo que necessito, para poder continuar.
Hoje, preciso gritar poesia.
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