Lugar de Memória
É fevereiro. Trago livros. Chuvisca. Estou só.
Cruzo, outra vez, a mesma calçada da mesma praça.
Tanto já a cruzei, de lá pra cá, que já me acostumei,
De modo que, por vezes, visita-la é algo como
Visitar um parente morto.
Na praça, tem uma árvore pálida e descascada.
E ao pé da árvore paira uma memória antropomórfica
Que me sorri tristemente – e eu sinto seu sorriso
Mais nitidamente do que jamais senti sua pele ao tatear
Seus ombros com os dedos.
Sorrio de volta, como se isso importasse.
Peço perdão à forma ferida, como se fizesse sentido.
Vejo-me defronte a um lugar que não mais existe,
Senão sob a égide de dois olhos cansados que sonham.
Chove. Chovo. E vou-me embora com frio.
Cruzo, outra vez, a mesma calçada da mesma praça.
Tanto já a cruzei, de lá pra cá, que já me acostumei,
De modo que, por vezes, visita-la é algo como
Visitar um parente morto.
Na praça, tem uma árvore pálida e descascada.
E ao pé da árvore paira uma memória antropomórfica
Que me sorri tristemente – e eu sinto seu sorriso
Mais nitidamente do que jamais senti sua pele ao tatear
Seus ombros com os dedos.
Sorrio de volta, como se isso importasse.
Peço perdão à forma ferida, como se fizesse sentido.
Vejo-me defronte a um lugar que não mais existe,
Senão sob a égide de dois olhos cansados que sonham.
Chove. Chovo. E vou-me embora com frio.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Feito do brotar mais profundo
Foi
Através
Da sólida direção do todo
E não somente
De toda a totalidade e exatidão
Do sentimento
Que o intuit…
de Oliveira Melo
Redimir.
Achei meu caminho , mesmo por longo tempo esquecido - nas noites e madrugadas sem teu amor. Eu preciso me ancorar em um porto, onde as pr…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Condor libertário
Sempre
Que o pêndulo do momentâneo
Jubiloso se revelar
Em atos
Eu
Simples argumento idêntico
Em seu tributo
Exa…
de Oliveira Melo
Lamentações.
Somente você pode realmente me acompanhar nesta estrada tão longa de meu viver - tu foste a única mulher que me arrebatou , dizendo a pal…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*