A retórica do silêncio

Busquei no tempo infinito uma hora
Matematicamente certa e substantivamente
Dogmática, para que eu, sem pejos, desbrave
A solidão amordaçada num hiato silêncio dramático
Avolumam-se nas palavras verbos corteses
Versos e perífrases mais virtuosas que suturam
Rimas deambulando em estrofes tão sumptuosas
É um ciclone de sílabas apaixonadas e impetuosas
O poente deliciosamente casto e transparente
Flutua gravitando pela maresia tépida e tão sinuosa
Delimita as margens do tempo que em surdina
Cantarola e repesca uma caricia voraz e acintosa
Frederico de Castro
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