Cigarro
É morte que rasteja entredente.
Através do fundo trago no pavio
Recebo-a aos pulmões, sem brio,
Para que se instaure lentamente.
Sem culpa a tenho, inconsequente
A preencher, de fumaça, o vazio
Aquecendo-me, de pigarro, o frio
E me desfazendo gradualmente...
Por não ser súbita, não causa dor.
Arde em doença como ardo em vida
Entorpecendo a garganta sem pudor.
Pavio que queima em despedida!
Esvaindo, em câncer, qualquer candor
Na jazida de sua cinza arrefecida...
Através do fundo trago no pavio
Recebo-a aos pulmões, sem brio,
Para que se instaure lentamente.
Sem culpa a tenho, inconsequente
A preencher, de fumaça, o vazio
Aquecendo-me, de pigarro, o frio
E me desfazendo gradualmente...
Por não ser súbita, não causa dor.
Arde em doença como ardo em vida
Entorpecendo a garganta sem pudor.
Pavio que queima em despedida!
Esvaindo, em câncer, qualquer candor
Na jazida de sua cinza arrefecida...
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