CANTIGA A BRASÍLIA

Deixo minha terra natal 
em busca junta fraternal 
Eis-me aqui, Brasília 
ordem, progresso e moral 

Encontro à verdadeira natureza 
entrelaçada às pedras verticais construídas 
e maltratadas pelos homens. 

Belos sons de cantigas eletrônicas 
Rezas em ondas sonoras 
Os pássaros gritam seu perdão 
O sol em procissão ao seu finito infinito 

Agora, sinto, aqui, presente 
Embriagado pela graça, 
Rebuscando cores e fantasias no papel. 

No corpo o desejo ardente 
de um sexo empolgante e fascinante 
que foi traído pelas paredes verticais 
do universo brasiliense, frio e calculista. 

Juntei a mente ao corpo 
Beleza singular e prima do sossego 
Confortando meu desejo carnal. 
Oh, Mulher, tu ainda, não conheceste 
a vivacidade eterna de um carinho amigo. 
As rosas, como dizem, são tuas irmãs 
e sempre serão 
Coloridas, fogosas, cheirosas 
Espinhentas e venenosas ao toque do olhar. 

Reencontro dos amigos 
estes deram a mente à certeza de registrar nossos fatos 
Goles frenéticos de um jovem eloqüente 
pela graça que a vida nos apresenta 
Histórias, foi buscar. 

Divertimos como crianças no parque 
a deslizar nossas memórias em escorregadores e balanços 
onde ainda brincam todos. 
O tempo levou-os, como leva o doce de nossa boca 
enquanto degustamos seu gosto 

Amei aquela que feriu meu corpo 
Toquei- a como o vento 
que nos alimenta e parte em busca de novas vidas... 
Encontro com minha alma 
esta as asas do anjo para o tempo 

Meu corpo, mente e alma 
Trindade benevolente 
Alma que levanta meu corpo 
rega minhas emoções e paixões 
a limites que a terra me propiciou. 

Sinto um bicho, 
só 
um bicho. 
O entardecer vem chegando em minha trindade 
Seu silêncio é inimaginável 
Bem como suas cores que a cada segundo recria e cria 
outras novas cores, singulares e impróprias. 

Peço em sagrado coração 
que leve, leve-me contigo 
para poder entender porque somente sabem amar 
os que não tem razão para fala.

Leonardo Luiz Ludovico Póvoa
32 Leonardo Luiz Ludovico Póvoa