O Vento
O Vento
Oh, vento, que deu em tuas manhãs?
E neste teu sutil e estranho mar?
És como o amor que semeia afãs,
Com as palavras que me cercam, afinal.
Teu sopro, em um permeio que não sei,
Faz-me buscar o cerne que me atrai;
Perdida onde a alma elege o seu rei,
Num anseio que em mim jamais se esvai.
O teu sopro traz um mistério fundo,
Um triste lamento que em mim ecoa;
E, neste turbilhão do meu profundo,
Procuro a paz que a tua força doa,
Mas vejo apenas esta incerteza
Do que tu trazes
em tua destreza.