Rubens Rodrigo

Rubens Rodrigo

n. 1992 -- --

Inquieto

n. 1992-08-28

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A Música

Encontrei-me com uma garota

Seus olhos eram tristes

Abrigavam em si uma tristeza de quem não sonha mais

Ela apresentou-me sua Deusa

Nesse dia aprendi uma oração

Uma prece sem palavras

Rezando enquanto tocava

Sua Deusa envolvia tudo

Sua Deusa envolvia todos

Sua Deusa era única que podia fazer o milagre

De dar aquela menina de olhos lânguidos

Um momento de felicidade

Por isto ainda agradeço

Era um sorriso capaz de iluminar o mundo

Inesquecível

Que saudade daquele sorriso

A cada batida de meu coração

Me pergunto onde se encontra agora

Aquela pequena criança

E peço a Nossa Deusa

Para que continue a abençoar

Toda vida dura

Com pingos de Música

Amém.

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Poemas

8

Herança

Do Bardo herdei o coração

Rasgado como o poeta

Que fez como Sol Julieta

Descreveu angustias de Romeu

Herdei versos

Que muito antes de mim

Já sabiam do fim

De todo amor meu


174

Não se esqueça

Navegante do tempo

Sozinho nessa imensidão

Achando que sua efemeridade

é de certa forma importante

como se uma folha

trazida pelo vento

pudesse mudar o mar

Como se fosse capaz de o subjugar


Resiste a tormenta

A tempestade

Querendo cravar sua bandeira

Em solo nunca conquistado

Enfrenta o mar bravio

Por breves momentos é vencedor

Se acha, arrogante,

O senhor da eternidade

Não se dá conta

Que por mais que faça

O que se aproxima

É a decadência de sua embarcação

Tantas desventuras

Fizeram-na envelhecer

E como todas as outras

Sentindo o frio toque das ondas

Pouco a pouco tomando conta

Ela irá afundar

E com agonia

Você será engolido

Nestas profundas águas

Afogado

Seu último suspiro

E tudo mais

São parte do passado

São parte do mar

Você não será lembrado


212

Inocência

Dorme criança, dorme

Pois enquanto você dorme

O sangue escorre

A honra é vendida

Em troca de migalhas

A espada deixa sua bainha

Atravessa almas

Ceifa vidas


Dorme criança, dorme

Pois só em sonho

O homem pode ser nobre

199

Meu amigo

Há um sonho que não me deixa

Sempre está comigo

Independente do caminho

Há um sonho que me arranca sorrisos

Por mais distante que esteja

Por mais que pareça impossível

A minha alegria vem da frase

'Um dia eu consigo'

Aos que dizem ser loucura

Continuar a acreditar em meio a desventura

Eu digo para que partam

Não são obrigados a me acompanhar

Quando eu lá chegar

Não se perguntem como

Vocês sabem a resposta

'Eu nunca deixei de sonhar'

E se por um acaso não conseguir

Não tenham dó de mim

Meu sonho

Foi o melhor amigo que pude abraçar

No momento de minha morte

Quando não puder mais respirar

Lembrarei de meu sonho

Darei meu último sorriso

Meu último suspiro

'Quem sabe em outra vida.'

200

Coleção

Não sabia o que eu era

Qual meu lugar na Terra

Um destino, um caminho

Objetivo, eu não tinha

Até que um dia

Por brincadeira

Arranquei um sorriso de alguém

Gostei disso

Hoje eu os coleciono

Hoje sou o que sou

Clown ou palhaço?

Eu prefiro

Feliz


176

Minha Criança

Dentro dos teus olhos vejo a menina

Uma velha conhecida

Lembro de quando ela sorria

Agora vejo-a em lágrimas se afogar

À deriva, sem mais poder brincar.

Como costumava ser bela a vida

Como costumava ser fácil amar.

201

A Música

Encontrei-me com uma garota

Seus olhos eram tristes

Abrigavam em si uma tristeza de quem não sonha mais

Ela apresentou-me sua Deusa

Nesse dia aprendi uma oração

Uma prece sem palavras

Rezando enquanto tocava

Sua Deusa envolvia tudo

Sua Deusa envolvia todos

Sua Deusa era única que podia fazer o milagre

De dar aquela menina de olhos lânguidos

Um momento de felicidade

Por isto ainda agradeço

Era um sorriso capaz de iluminar o mundo

Inesquecível

Que saudade daquele sorriso

A cada batida de meu coração

Me pergunto onde se encontra agora

Aquela pequena criança

E peço a Nossa Deusa

Para que continue a abençoar

Toda vida dura

Com pingos de Música

Amém.

194

Liberté, Egalité, Fraternité

O Futuro olha o passado

Com saudade nos olhos

Estou ficando velho

Assustado, desanimado

Distraído

O Sol cai

Como um pássaro de asas cortadas

Nunca mais voltará a iluminar

As sombras do futuro

Caem sobre ideias sólidas

As liquefaz

Despencam pelos meus olhos

Escorrem pelo meu queixo

Passam entre meus dedos

Já não são minhas

São do tempo

São do Passado

O Futuro olha-as descer o rio do tempo

Saudoso

Rumo ao mar do esquecimento


No Passado o Futuro era melhor

Agora é ausência de luz

O silencio que me conduz

Em direção ao cadafalso

Passos lentos tentam evitar o lugar

Onde todas as ambições são guilhotinadas

Mas é em vão

Só me resta ajoelhar

E esperar a lâmina descer.

184

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