Adriano Teles

Adriano Teles

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Ataraxia


Acordo
Antes de ver a luz solar,
Clareia a minha cara a luz do celular
Imediatamente sou inundado
Submerso nessa realidade
Sem saber o que é falso ou verdade
Com tanta tecnologia
A vida foi perdendo a magia
O que antes aproximava
Agora distancia
vicia

Hoje, todavia
Não quero saber de nada
Nada além do que não posso tocar
Fico com o concreto, o tangível
Por mais que pareça impossível

Cansei
de me preocupar
de tentar me antecipar
ao que não posso alterar
A vida é o aqui e o agora
Mas o dispositivo me transporta
Faz com que o tempo eu não perceba
Rouba minhas horas
E ainda tenho de lidar com o fato
de ser, ao mesmo tempo,
a vítima e o autor
Quem será o júri?
A pena já cumpro

Tivera eu nascido
Algumas décadas atrás
Quando amigos eram encontrados,
e não adicionados
E notícias vinham em folhas de jornais
Quando pessoas eram mais
que a mera ideia delas
E abraços não eram virtuais

Hoje, no entanto, não vou acelerar
O trem veloz pode passar
Permaneço nesta estação
Resistirei a essa maldição
Ler poema completo

Poemas

13

Fim da linha

Não me toca mais nossa trilha sonora
Enquanto assisto à torta assar no forno
Sinto asco do beijo, do sexo morno
E falta do frio no ventre de outrora

Pra te ver, já não conto mais as horas
Tento chamar tua atenção, sem retorno
Calo para evitar qualquer transtorno
Quando vens, incomoda se te demoras

O brilho do olhar há muito se foi
Não me fazes mais sentir-me importante
Insistir já não é mais uma opção

Não carece pedir que eu te perdoe
A tua incúria é totalmente aviltante
Vai embora! A chave deixa no balcão
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Constatação

Deve ser dura a tarefa de ser ateu
Ver o belo e não saber quem o verteu
Ver cada ser desempenhar uma função
E, apesar de tudo, duvidar da Criação

É certo que há muita dor e sofrimento
Que ainda impera o desentendimento
A escuridão às vezes parece cobrir a luz
O vazio no peito que não se traduz

É um erro querer explicação pra tudo
Trilhar sempre caminho reto e plano
Olhando mas não enxergando, sisudo

Repara o sublime no teu cotidiano
No mais grande e no mais miúdo
Como acordes celestes de um piano.
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Por que leio

Na leitura eu me acho e eu me perco
Eu aprendo a desaprender
Eu desaprendo para aprender
Eu me isolo para me misturar
E me misturo para me humanizar
Ler é meu refúgio, meu arrimo
Remédio pra curar a cegueira
Vacina contra o fanatismo
É meu pé no chão
Com a cabeça nas nuvens.
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