AdrianoDavid

AdrianoDavid

n. 2001 BR BR

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n. 2001-05-03, Salvador,Bahia.

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Submarino

Guiarei
Meu submarino
E sozinho estarei novamente
Talvez eu encontre algo
Talvez entenda melhor
Mergulhando fundo
No oceano do meu coração
Vendo as profundezas
E os seres que habitam em mim
Se o meu submarino
Suportar essa viajem
Poderei aceitar
Nem que seja
Por um segundo
Aquilo que jurei afogar.
 
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Poemas

8

Espelho

Meus olhos vermelhos
Debaixo do seu olhar
Pulam e saltam
Procurrando respostas

O violão têm minha voz
Os livros minhas palavras
As telas minha doença
Os quadros meu olhar

Bronze reflete minha dor
Cristais refletem calor
A historia é espelho
O reflexo em objetos é desejo

O espelho é tudo 
Cada parte desse lugar
Habita em mim
Tenho cheiro de casa

Cada anoitecer
É um convite do vazio
Profundo e sombrio
De mim mesmo

A televisão é fulga
A cama é fulga
A camêra esconde
A noite esclarece

Sozinho só
A percepção cai
Feito uma pedra
Estou alheio ao meu ser

Cada convite
Que recuso de olhar
Aumenta a dor
Do meu reflexo
165

O guia

Sua pele une-se a minha
Este ser está subindo
Com movimentos giratórios
Observou cada parte do meu ser

A cobra guia me encontrou
Me mostrou o meu pior
O olhar frio da serpente
Roeu meu ego em pedaços

Aquele ser que todos evitam
Deixou meu coração mais tranquilo
Ornamentou meu eu com paixão
Reclinou em meu peito

Feriu minha pele
Ostentou sua vitória
Ganhou o jogo
O guia é seco
282

O eco

Lamentações dobram
As ideias conversadas
Caem em si
Retorna tudo aquilo
Que você não quer lembrar

Passivamente busco por mim
Para ecoar os meus sons
A minha dor,o meu amor
Viverei triplicado
Quem sabe sextuplicado

Receberei de volta
Todas as maldições
Todas as bençãos
Cada palavra proferida
Está decretada contra o meu ser

O eco é a verdade
A verdade de que sou
Me escuto pelo eco
Me descubro no eco
Ecoar a si é conhecer

282

Habita em mim

Pensamento vazio
Sussuros do mar
Me dizem e clamam
Para pular

Pular na vida
Pular pelo sol
Pular por ser feliz
Cantarolar belezas
Das inumeras que vi

A beleza praiana
O som do bandolim
Tudo isso agora
Pertence a mim
Praia habita em mim 
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Imagem

Fotografias praieiras
Nos lembram vida
Recordam momentos
Nos trazem alegria

No balanço do mar
No molejo do vento
Figuras risonhas
Crianças e seus brinquedos

Ai que lembrança bonita
Que vem do mar
Viva a fotografia
Arte de lembrar
88

Beleza

Narciso não foi a praia
E por isso morreu em si
Que erro fatal
Ele teria vivido vendo o mar

Sentindo o sal na sua pele
Caindo na areia
Sentindo o sol
E mergulhando no rio salgado

A beleza da praia 
Salva vidas
Afogando-as em contemplação
O horizonte do mar
Engole nosso ego
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Areia

Olhar à areia
É olhar para estrelas
A forma dos seus grãos
Reflete a infinitude
Do nosso universo

As suas marcas 
São partes de momentos
Que seguirão escondidos
Nas lembranças daqueles
Que a deixaram

Como é bom pisar
Na areia
Olhar à areia
Colada ao nosso corpo
Se sentir uno
Com aquela deusa
Branca e silenciosa
265

Meio-mar

Salitre mar
Meu amigo sedutor
Os raios luminosos
Combinam com o verde mar

Ah, oh cantar
Das ondas quebradiças
As pegadas na areia
E o amor beira-mar

Precisos são os encantos
Pais e filhos entregues
Aquele momento breve
Mas eterno na finitude de seus corações
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