Uma adaga trespassou minha carne... e roubou o que restava de minha alma ................ Meu corpo nu transformou-se em pigmento... inpregnando o chão como uma tela negra ................ O Cheiro... já não é mais cheiro... O Olhar... se dilui na distância... e a música em acordes indefinidos... envolve meus Tímpanos... cansados e gastos... Minha Boca secou... de palavras vãs... aradas em terra seca... ................ e minha Cabeça se soltou... tocando meu coração gelado...
O cheiro das camélias e dos jacarandá na minha cidade na minha rua à porta de minha casa já não são os mesmos...
Uma serra degoladora fez defuntas muitas árvores
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VOO FORÇADO
Desço os vinte degraus num lance único. Certifico-me que a missiva está no bolso direito do casaco. Não aguento mais e à velocidade de tsunami, caio no precipício. Mais tarde, os telejornais darão a notícia de um homem que se suicidou.
O desmentido da polícia no dia seguinte, não deixa dúvidas: o homem escorregou nas escadas. A missiva que foi encontrada no seu bolso dizia sómente:
"Quero voar...aprender a voar...deixem-me voar..."
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FAMINTO DE TI
Meus dedos são crisântemos em flor... que se transformam para tocar-te no mais profundo de Ti
Ardo em desejo de tocar a pele aveludada de tua alma... onde teus segredos são os meus segredos...
Língua... faminta do teu sabor...
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FAT MAN ou nem tanto
A "música" faz parte da sua afirmação. Quando pensou que a sua casa estava finalizada ruiu. Como um castelo de cartas. A infelicidade fez com que caísse do ninho. Desajeitadamente.
Uma queda para o vazio.
Como grão de café. Moído em qualquer moinho desajustado e doente. A sua gordura é ilusória aos seus olhos. Acumula-se essencialmente no cérebro desbotado. Debochado. Fazendo-o pensar que é um homem elegante e charmoso. Um superdotado. Macho Latino. Dom Juan. Casanova. Um puro ficcionista. Um galã de algibeira. Gosta até de Visconti, de Sica. E de Fellini. Sem saber o porquê quando ele próprio é uma farsa. Uma fábula burlesca. Fellini vomitaria as próprias tripas se o conhecesse. Mas é de "bom tom" dizer-se que se gosta, se entende. Crítico de cinema. E que a comunicação trata-se por "tu".
O harém virtual aprova. Pura misoginia.
Assim é o "fat man".
Transformado em ridículo como um desenho animado de mau gosto. Sem afinal ser fat. No sentido lato do termo. Porque os "fat" verdadeiros têm graça e sentido de ritmo. Dançam bem. Apreciam a música. São reais.
Os outros só conhecem o som dos carimbos a massacrá-los. De medíocres. Incompetentes tardios. Mas não aceitam. São burros.
Para o óvulo fecundado será sempre uma incógnita. Homem, Besta ou Merda?
Felizes as mulheres, porque não fazem parte deste "bidon". Como no Cabaret Voltaire. Onde Emmy Hennings era uma rainha ao lado de Hugo Ball.
Oh, Fat Man... repara que até a bússula se converteu ao anarquismo e rejeita apontar para o Norte. O metrônomo a gritar para o piano desafinado. Ao compasso de uma valsa. Ampulheta obstruída sem marcar o Tempo. Efémero. O relógio de Sol. onde a sombra pára sempre. Ao meio-dia. Sinal de inteligência. Para o não arrefecer da noite próxima.
És a solidão, Fat Man.
Da memória pesada sobre a pedra tumular do subconsciente. O pêndulo de Foucault assemelha-se ao teu nariz. Farejador de gárgulas demoníacas. Como castrador em convento da idade média.
Uma espiral sem retorno em que tu Fat Man te delicias. Na moldura da tua própria morte. À volta da Terra. Em viagens gárgulescas. Pelo amor sujo. Fácil e desprendido com que abordas as personagens. Do Teu Mundo virtual. Sem qualquer sentimento. Numa busca incessante. Pura diversão casual. Como se tratasse de um contrato de amor. De plástico.
Eis o Fat Man. Desportista. Com cérebro seboso. Gordurento. Falicioso. Déspota. Egoísta.
Uma queda para o vazio.
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POIS
"O verdadeiro amor não necessita de balança, pois está equilibrado em ambos os lados"
"Gostava de ser um relógio despertador. Parar o Tempo...e acordar consciências pesadas... para torná-las mais conscientes e leves...."
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HOMENAGEM NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER Conto O MILAGRE DA VIDA
Ouço as doze badaladas da torre da igreja. Meia-noite. Levanto-me constantemente do banco e da janela do 7º piso, vejo os carros passarem todos alinhados, como formigas, na ponte. Ao contrário de mim, o rio está calmo.
De repente, ouço um choro. Corro em direcção ao seu chamamento. Pego desajeitadamente no seu corpo aveludado e rosado. Os meus olhos turvam-se e penso quão maravilhoso e precioso é uma vida humana. Na minha pequenez, agradeço a Deus o milagre da Vida. Esse mistério que ninguém sabe decifrar. A Vida. ............................................................................................................. Essa menina se transformou mais tarde em mulher.
Ouço novamente as doze badaladas da torre, ao mesmo tempo que um choro me desperta para outro idêntico, gravado na memória dos anos. Corro novamente, nervoso...ansioso...e com carinho e mãos experientes, pego de novo numa menina, aconchegando-a junto ao peito. De novo, os olhos turvam...e penso no ciclo da Vida interminável. Inequívocamente. Penso, como sou anatómicamente diferente da mulher. Como sou chamado de sexo forte, na tradição dos povos e como essa tradição está completamente errada.
Maringá...sem mar...o meu mar salgado...com cheiro forte a iodo ao anoitecer que inibria e me persegue. Respiro o verde em meu redor, como se de algas se tratasse. Respiro-TE ao som de Elis, Tom Jobim, Caetano. Maringá e TU...tão longe e perto dentro de mim. Não tenho o meu mar, mas tenho a tua energia, pura que me alimenta ao amanhecer! Não tenho o meu mar...mas tenho-TE a TI, MEU AMOR...e isso basta-me. Garota de Paraná... que assim seja. Oh, Maringá, terra verdejante de chão de barro vermelho e simpatia de gente simples, com carácter. Maringá...cidade recente...crescida...quase madura, atraente...do interior do Brasil de meus antepassados...e minha também...
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MULHER
No meu livro do tempo... ...ocupas todos os meus dias... ...até ao segundo
Fazes parte da minha existência... ...e o tempo da minha Vida... ...é todo Teu
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Lá longe em Maringá
Digo ao Vento todos os dias o teu nome... na esperança que o ouças...
e perco-me no pensamento ávido de ti...
A todo o instante beijo a Lua... .......................................... e o Sol e o Mar... são o meu conforto
...decorridos trezentos e quarenta e sete dias... CEGOU. Foi ao médico e em desespero, pediu para colocar os seus ouvidos em on/off. Consta nos anais que a partir desse dia se refugiou na floresta... ...e passou a falar com DEUS.