Deitei-me sonhando... abraçado à saudade ..................... que teima em queimar este meu peito cor de sol poente ..................... Nasceu... e crescendo ganhou raízes instalando-se por todo meu corpo respirado ..................... e sonhando... acordei em novo amanhecer com a saudade a morder-me os olhos a dilatar-me as veias e sair-me pelos poros ..................... inundando meu quarto... em convulsões... e lágrimas de pranto
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VICIO
Era mais forte que ela...e não havia explicação para tal, apesar de gastar as horas deitada, no divã do psicanalista. Não havia nada a fazer. Foi-se embora. Rodou a chave...e entrou de mansinho no apartamento de águas furtadas... O seu pensamento obssessivo levou-a em direção ao quarto. Aproximou-se da cama em passos aveludados...como uma felina prestes a cair sobre a presa. Olhou para ele...destapou-o...com cuidado...observou-o com ternura e afeto...susteve a respiração por segundos... e atirou-se a ele. Estava completamente possessa. O seu rosto era uma amálgama de cores...desde o rosa choque...até ao púrpura. Comeu-o quase todo...com sofreguidão. Ele...nada disse. Só então, quando o virou de lado, reparou que estava fora de prazo. Não conseguia resistir a tudo que era selvagem... e aquele... bem... aquele...era o que ela mais adorava! TOBLERONE...com amêndoas.
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HOME
Quando perderes a cabeça por algum motivo... Não te preocupes... Ela volta sempre a sua casa... como um filho pródigo
A fidelidade é uma regra de ouro
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SONHO II
Uma adaga trespassou minha carne... e roubou o que restava de minha alma ................ Meu corpo nu transformou-se em pigmento... inpregnando o chão como uma tela negra ................ O Cheiro... já não é mais cheiro... O Olhar... se dilui na distância... e a música em acordes indefinidos... envolve meus Tímpanos... cansados e gastos... Minha Boca secou... de palavras vãs... aradas em terra seca... ................ e minha Cabeça se soltou... tocando meu coração gelado...
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VASOS COMUNICANTES
As palavras que não disse e que ficaram presas verticalmente na minha garganta...
como se isso fosse possível...
tal estendal de roupa com peças sonoras repetidas... convenientes... doces amargas coniventes...
anjo ou demónio...
cordas esticadas e dilaceradas... como um piano Vocais sempre a circular num movimento contínuo...
Penso... e nada digo o sangue a palavra o sangue da palavra...
sempre.
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EFETIVAMENTE
Gosto das fontes e das imagens do mar e dos rios da água cristalina que hà em TI Do orvalho pela manhã das nargaridas a sorrirem do pão fresco no forno do cheiro de TI
Gosto do saltar das rãs do gato a espreguiçar-se do nascer do Sol dos nenúfares do lago reflexo de TI Dos teus beijos e abraços do teu cabelo dos olhos doces corpo molhado Gosto de Ti ...................... e também da Lua que habita em TI e em MIM.
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QUE ESTRANHA FORMA DE VIDA
Acordei só. Sem uma palavra tua e a manhã nasceu mais triste com sombras e penumbras em redor de mim.
Tateando, coloquei um cd de blues no leitor. Fechei os olhos. E senti as grilhetas dos campos de milho, algodão e cana do açúcar. Não sou negro, mas sou escravo de uma outra época. As correntes do Mundo Global e Virtual. Preso por sentimentos de bites recebidos, enviados e reencaminhados. Sem cor. Como o Blue.
Acendi a luz para pintar a manhã com cores de arco-iris e troquei o blue pelo fado. Como são idênticos. A mesma tónica. O lamento encapuçado. A liberdade rouca e pouca. Olhei para meu corpo marialva. Nu. Acorrentado pelo meu fado. O fado da manhã. Da tarde de todos os dias. Das noites de mim e de ti.
Apaguei a luz incapaz de pintar o quadro devido à falta de pigmento em meus olhos. Vislumbrando pelos poros da pressiana um pouco de azul pálido, abri a janela à fatalidade do ser português.
Comecei então a esculpir o dia numa mistura de fado e de blue. Na sequência do dia veio inevitavelmente a escuridão.
As minhas mãos são os meus olhos. A ausência de cor cegou-me.
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PORQUE O SAGRADO EXISTE
Invento-te
a cada segundo do meu corpo
porque o tempo não pára
Celebro-te
em cada respirar da minha saudade
porque Deus me ensinou a amar
Beijo-te
como seara ao vento transformada em pão
porque estou faminto de ti
Amo-te
em cada sonho porque o sagrado existe
e num orgasmo uno de paixão subo aos céus em teu templo nu
Desço à dura realidade e sorrio
porque cada sonho meu
é um pedaço de TI
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CASA QUE HABITO
Rostos perdidos ausentes irmãos abandonados em selvas de promessas e ilusões.
Olhos tristes velados ovelhas tresmalhadas em campos estéreis como celas.
Casa que habito onde seres à deriva procuram afetos e o amor se pode comprar em cada esquina.
Jardins de mortos-vivos entregues a feras onde as flores murcham e ervas daninhas passeiam incólumes serenas.
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ALMAS GEMEAS
Beijo teus cabelos Perco-me na Planície do desejo
Meu sexo no Teu sexo
Melodia tocada sentida na pele Húmida de gritos de Prazer