alencar_horacio

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Ditos

Ô passarinho,
já estava aqui muito antes de voce.
Deixe-me em paz!

Ô passarinho,
mas que gorgeios belos.
Ensine-me então,
o cântico que me tanto faz.

Ô passarinho,
já que daqui nao sai,
eu desito.
Ensine-me entao a ser livre.

Ô passarinho,
Deixe de ser tão rude.
Ensine-me a planar,
sobre os meus escombros internos.
E como ti, deixar as minhas tristezas,
a cada galho que repousa.

Ô passarinho,
pare de cantar.
Fale comigo!!
Ensine-me a ser gente.

Ô passarinho,
és tao lindo.
Ensine-me o costume.
Deixe-me tomar o copo sobre o piano.
Ô passarinho,
és tão calmo.
Matenha-se obliuamente sobre seus gestos rasantes, 
perante meus olhos banais.
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Poemas

6

Cubículos

O Xadrez é o jogo do amor,
dos loucos pungentes,
dos românticos sofrentes,
dos poetas mortos.
62

Amor Ambíguo

Augusto
é boêmio,
sinuqueiro de primeira!
E amado pelo engano.

Os lúpulos de ses anseios,
dispersos(dispersam),
desmancham em seus aguardos.
Como o enfoque da lente angustigmatista
em um visivel.

Ali então fica,
em levedos e caçapas.
Profundos e amargas.

Ali então fica,
paixão se perde,
amor se esquece,
esquece.

Quero-me ser Augusto,
quando sou Augusto,
quero-me ser.
53

Ai!Como me Cachugas



O vento é leve,
cachuga as folhas
tal como me balança.
O...(!)
O vinho é amargo,
cachuga os barris
tal como me permeia.
O...(!)
O cigarro é afino,
cachuga os cinzeiros
tal como me ocupa.
O...(!)
A foto é linda,
cachuga os retratos
tal como me deslumbra.
O...(!)
O amor é coisa,
cachuga os corações,
me infanta.
Tal como berram
as pausas,
em soturnas poesias.
52

Conjuntos

Meu amor,
já choraste por ti,
já me exitaste por ti,
já me alegraste por ti,
tu me extaseia.

Culmia meu sentir,
com um simples olhar que me desaba.
Olhar de Mulungu.
Vermelho como a rosa,
espinhento como teus galhos.

Seu espinho é docil,
não me arde,
afina.

Seu conjunto corporal,
é súbito por peças,
que escondem sua aurea magnifica.
Sortudo sou eu,
que a presencia.

Seu conjunto sentimental,
é agudo como o meu.
Compactuo e,
me disponho a chorar com ti
        [sem motivos.

Seu conjunto,
é deslumbrante,
vislumbra como mulher.
Se esvai como ninguém.
55

Avenidas

Quando era menino, 
me rendia a logica.
A matematica por ora,
já foste meu refugio.

Seu tributo me encantava,
sua perfeição mais ainda.
As equações mais que formosas e elegantes,
eram como o toldo,
de meu precoce e eterno lamento.

Não era prodígio,
longe disto.
Apenas admirava-lá.

Até que em uma esquina,
nas avenidas da vida.
Me deparei com a rua das poesias.
Então por ela flanei.

As casas são vagabundas,
atípicas em seu modo.
Sua simplicidade encanta.
Não se tem prédios, é tudo casa,
é tudo mar.
Neste qual difundo meu lamento,
e naufrago sem preceito.
52

Dias


Agora então,
meu bem se foi.
Passou o que se foram dias.
Comendo de meu pão,
Bebendo de meu suco,
Lendo de meus livros.

Agora então, 
meu bem permeia.
Pois aqui já não está mais.
Ou está.

O que me deixou foram as feridas,
que ela muito tanto tratou.
Mas não me ensinou a cuidar sozinho.

O que me deixou foi saudade.
De dividir-te a ti,
Meu pão,
Meu suco, 
Meus livros,
Meus costumes.

Agora então,
meu bem te amo.
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