Borboletas
http://www.youtube.com/user/processolento
http://www.youtube.com/user/processolento
Sinos que ressoam na imensidão,
sons agudos que ferem os tímpanos.
Sua cadência espanta a escuridão
e traz a lua que ilumina o meu destino;
mas são os sinos que me apontam a direção.
Eles rangem com martelos ao norte,
como poesias escritas por tantas mãos.
Gritos na noite espantam a própria morte,
e eu, docilmente, lhes dou suporte
ao ler teu poema solidão.
Assombro! Meus olhos estatelados no escuro
saltam das órbitas, e eu me desfiguro
como um ventre aberto, feito de ouro puro:
é teu brilho que ilumina o meu escuro,
és a verdade que aparece e mostra o futuro.
Assombro! Este horror que em meu rosto espalma,
deste poema corpo que me faz perder a calma.
Ele é puro branco com ares de fantasma;
carpir pedaços de minhas cicatrizes e traumas,
porque é o brilho que resplandece da tua alma.
Alexandre
Eu sou nada,
face ao universo,
nem ao menos um grão de areia perdido,
exceto quando, livre, faço versos—
isto só faz aquele a quem o universo
tenha parido.
No meu derradeiro porto,
encontrarei você à minha espera
e ouvirei o som do teu sorriso
quando o amor do meu eu se apropriar.
Lembrarei de cada palavra,
de cada emoção das minhas poesias.
De resto, tudo
ficará infinitamente disperso,
a ouvidos surdos por tão fracos ruídos.
E, ao fim dos tempos, oh! destino perverso,
até mesmo os versos serão
finalmente esquecidos.
Alexandre Montalvan
Aqui, a loucura não morreu,
não se mata a ausência de vida,
certa que se infunde à prometida,
certa que é a única saída,
que nunca se perdeu.
Aqui é a fonte das palavras,
mesmo as frases já cansadas,
mesmo as que usam muletas,
soam como cobras pretas
que nos ventos dão botes violentos
sobre a mão da minha caneta.
Aqui, os gritos são surdos,
envoltos em nuvens de medonhos sonhos,
de almas penadas,
possuídas por demônios,
em celas escuras e mal-assombradas.
E é aqui que fico,
sentado, sem poder ver a rua,
com o coração, desacreditado e aflito.
E, apesar do hospício da noite,
minha mente e corpo atenuam.
Olho no relógio de pulso,
é quase cinco...
Mais duas horas, e verei o teu sorriso.
Levanto-me, tomo um copo de chá
e volto a sentar,
no limbo deste recinto.
Alexandre Montalvan
Soneto: Meu Deus
Só há um Deus sobre a terra
Mas eu o busco no sagrado
E onde menos alguém espera
Eu o encontro desfigurado
Pela palavra vã de muito poucos
Cada um a se consagrar porta-voz
Mas os seus corações são ocos
Pois Deus está dentro de nós
Meu Deus! Minha alma divido contigo
E peço me proteja do perigo
De pecar por disto esquecer
Meu Deus! Quero estar ao teu lado
E fugir desta ignorância e do pecado
De tê-lo em meu coração e não perceber
Alexandre Montalvan
És um poeta magnifico, poesias lindas, parabéns!
Alexandre tua poesia fala com a alma, transborda de amor pleno , puro que exala ternura . Parabéns !!!