aline

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n. 1980 BR BR

n. 1980-05-20, Salvador, Bahía

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queimada

O terreno seco ainda suspirava cinzas de uma recente queimada.

Me aproximei, com olhos atentos, averiguando se em alguma fresta do chão se escondia qualquer mudinha,

toquei a terra tentando adivinhar se ainda haviam possibilidades de plantio.

Em silêncio, fiquei imaginando nuvens sutis, gotejos frescos...lembrei de seu pé de mamão, que morava ali, ao lado de uma jaqueira.

Olhei o terreno amarelo-laranja, meus pés vermelhos.

Construí um regador de madeira e desenhei com água nossos nomes..
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Poemas

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voo azul

você pega um avião e a vida congela, fica também suspensa no ar
a vida planando
resistindo somente enquanto memoria
existindo somente dentro do dentro que ha em você.
como aquela nota que acaba de ser tocada no piano
que já não existe em som
mas que você ainda ouve
porque a memoria
não é um quarto sujo e bagunçado de coisas perdidas e embaralhadas
ao contrario, ela é uma casa limpa e arrumada
ela é colorida como uma geladeira cheia de legumes.
mas tambem rigida como um armário de roupas enfileiradas.
você voou em uma paisagem azul
e eu ainda nem sabia se você podia sentir saudade
eh bem verdade que ate agora eu ainda não sei...
quem viaja sente saudade? tomara que não, seria melhor que não.
de qualquer forma escrevo aqui essas palavras,
quem sabe elas por serem mais leves que eu possam também planar
e chegar ha algum lugar, acalentando a nossa saudade.
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