allycia

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Escrever me faz esquecer e alegre-me a alma.

n. 0000-08-22, Rio de Janeiro

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Fim de um amor

E chegará um momento em que nós não saberemos quem fomos um para o outro.
Chegará um momento em que eu irei esquecer qual a sua cor preferida e o seu prato de comida.
Esquecerei do toque, do gosto, da textura,
e até mesmo de como era o sentimento de quando eu te olhava enquanto você adormecia.

Chegará um momento em que o teu cheiro não será mais familiar,
e nem tudo que eu olhar vai trazer você para perto de mim.
Chegará um momento em que meu coração não vai acelerar quando em você eu pensar,
e a angústia não estará mais ao meu lado; e tudo que eu senti por você um dia não mais haverá. 

Será estranho um dia eu pensar que,
um dia já te amei tanto e agora quando te olho tão distante dos olhos meus eu não sinto mais nada.
É um vazio.
Não sinto culpa, não sinto raiva, não sinto saudades, não sinto amor...

Chegará um dia em que passará por mim e eu por você, talvez com novos amores,
e iremos nos cumprimentar com um sorriso e tudo que vivemos,
aquela história que acreditávamos que seria como um conto de fadas,
tão memorável quanto Romeu e Julieta...
Será apagado.

E tudo que poderemos fazer será sorrir um para outro como sinal de respeito,
pois seguiremos nossas vidas e nos tornaremos somente velhos conhecidos um para o outro. 

A.R / RJ - Volta Redonda
28/08/2020
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Poemas

12

Ô, meu bem

Ô, meu bem... 
Não se afasta assim de mim, 
Te dou meu colo pra que possa chorar, 
Mas fica, não se afasta de mim, 
Deixo minha mão segurar. 

Ô, meu bem... 
Não fica assim, as coisas vão melhorar. 
Eu tô aqui, tô aqui pra te ajudar. 

Ô, meu bem... 
Se você precisar, eu vou correndo te abraçar. 
Meu colo pode ser seu lar se não se afastar. 
Fica aqui, prometo que não vou te machucar.

Ô, meu bem...
Deixa eu soprar essas feridas
E de você cuidar. 

Ô, meu bem... 
Eu sei que vai doer, 
E a dor te espanta, 
Mas eu ainda estou aqui, 
Não te deixarei sozinha,
Meu coração seria incapaz de te soltar as mãos.

Eu prometo, meu bem...
Prometo ficar, prometo te entender,
Ter a paciência que nunca tiveram com você pra saber como deve ser cuidado o seu coração. 

Ô, meu bem...
Fica por perto. 
Te faço um cafuné na cabeça, 
Tenha medo, mas tenha medo em meus braços 
Que será o lugar mais seguro que poderá depositar suas incertezas. 

Ô, meu bem, meu benzinho... 
Deixa eu ficar com você, deixa eu cuidar de você. 
Fica. Só fica. 
O resto eu me encarrego de fazer. 

A.R 
23 de Dezembro de 2022.
Faro, Portugal
176

Brilho da dança

Vi seus olhos brilhando pra mim, 
Me desmanchei nesse par de íris castanha. 
Quando expeliu a fumaça do cigarro de sua boca, 
Num gesto lesto,
Controlei meus súbitos impulsos. 

Eu já não me lembrava de sentir isso há tanto tempo assim. 
Quis te guardar em mim, te prender, te envolver, 
Mas me contentei em tê-la ali, 
Diante dos meus olhos que também brilhavam pra ti. 

Três ou mais batidas meu coração errou, 
Acho que enferrujou durante alguns anos nessa dança.
Depois de eu esquecer a coreografia, improvisei 
Precisei sambar na ponta dos pés. 
Tal sentimento visceral, 
Reaprendi a dançar em sua frente. 

Memorizei você.
Tu é tão linda.
Prendi você. 
Tu é tão, tão linda.
Moldei melhor você. 
Tu é tão, tão, tão linda. 

Agora quero esculpir você, 
Desenhar teu rosto com a ponta dos dedos, 
De olhos fechados. 
Ter memória exata para que você seja,
Parte da minha obra-prima,
Pintar tua beleza, 
E se me permitir, 
Dançar com você enquanto nossos olhos brilham. 

A.R 
07 de Dezembro de 2022. 
Faro, Portugal
578

Teu perfume embaralhado em mim

Tornei-me completamente mercê, 
Definitivamente mercê dela, 
E quando vem até mim, 
Com cheiro dela que me parece casa nova, 
Me faz querer morar no perfume da sua nuca.

O cheiro dela ficou no meu casaco,
Agora tomou conta de todo meu quarto.
Essa noite durmo com sorriso lábios,
Deitada no travesseiro deixando a cheiro dela
Inundar todo meu amago.

Teu cheiro, a combinação exata 
De beleza, ternura e prazer. 
Se eu pudesse grudava meu nariz em você, 
Meus lábios nos seus, 
Não deixaria você ir a lugar algum, 
Até que eu pudesse exaurir tua essência
e te guardar tua fragrância na memória.

Grudar-te em mim, 
A sensação de que me apaixonei pelo teu perfume, 
Fechar meus olhos sob seu peito, 
Ouvir mais uma vez seu coração pulsando.

Criar memória de você,
Teu sorriso no rosto,
Teu cigarro nos lábios, 
E quando me sorri de lado 
Vejo o céu estrelado dos teus olhos castanhos, 
Dos pequenos fios do seus cabelos
até a ultimo átomo do teu corpo.

Quero aprender a escrever pra te fazer poesia,
Quero aprender a cantar pra te fazer uma serenata, 
Quero aprender a desenhar pra te pintar num quadro.
Quero guardar você na memória. 
Teu cheiro, teu rosto e fazer parte da sua história. 

A.R - 22/12/22 
Faro, Portugal
171

Embrenhado

Será que ela pensa em mim como eu penso nela?
Sei lá, já me indaguei se exagero. 
Talvez sim, talvez não. 

Será que ela já falou de mim? 
E eu ainda preciso esconder isso do mundo? 
Posso estar me precipitando,
Mas adoraria que ela fosse meu precipício. 

E nesse meu embrenhado me embramei
A ponto de te querer, sem nem bem lhe conhecer. 

A.R / Faro - PT
07/12/2022
638

Vento e sol

As piores coisas de lidar comigo 
É que eu estou dentro de mim
Eu vivo no corpo e ainda sei lidar comigo mesma. 

Mesmo que eu sinta o vento batendo no meu rosto, 
Mesmo que eu sinta o sol aquecer a minha pele, 
Nada disso importa, nada disso tem valor
E eu tenho tanto tentado fazer com que isso seja o suficiente, mas não é.

Todas as partes do meu corpo doem, 
Minhas pernas parecem que andam por si, 
Chega um momento que eu não sinto meu corpo, 
Eu só sinto meu coração doer, 
E quanto mais ele bate, mais ele dói. 
"Mas o coração não dói." Disse meu médico. "O coração não tem osso para doer."

Então caio em mim, que não sei, 
Não sei sobre mim, 
Continuo andando nessa rua de linha reta, 
Esperando que talvez no fim dela, 
Tenha uma outra esquina que me levará a acreditar
Que o vento e o sol também fazem parte de mim e 
Eu tenha aprendido a lidar comigo. 

A.R  / Faro - PT
182

Primeiro amor

Aos dezoito anos,
Eu achei que ia morrer sem ela, 
Se ela me deixasse... 
O primeiro amor é superestimado.
E agora,
Sentada na mesa do café, 
Comendo uma laranja, 
Dou risada de mim mesma apaixonada. 
Tolinha. Tá viva ainda! 
E ela? Ela eu já nem sei mais.

A.R - 26/11/2022 - Faro, PT.
184

Isso é tudo sobre a vida e sobre a morte; a verdadeira vilã dessa história

Existe uma garotinha, tão pequena 
Que sonha com o mundo
Em que ela foi colocada para ser,
Linda, perfeita, polida, inquebrável. 

E ela cresceu. 
O mundo fez-na em pedaços. 
Milhares de pedacinhos, tão pequenos que são incontáveis. 
E ela deixou de ser linda, perfeita, polida e inquebrável.

A vida pisou, quebrou, cuspiu e riu dos seus sonhos
Gargalhou tão alto que ela se escondeu, escondeu dentro de si. 
Essa risada nunca mais saiu da cabeça dela.
Por tanto medo da vida rir novamente dela, com aqueles olhos cruéis, aquele sorriso tão largo e dentes tão afiados, ela se escondeu. Escondeu-se dentro de si. 

Num cantinho que a vida não podia rir dela porque ela já não tinha mais coragem de encarar a vida nos olhos. 
Os dentes amarelados da vida, o olhar faminto da vida pela sua dor, a vida era cruel como uma bruxa que ela via-se  nos contos de princesas. A verdadeira vilã. 

E por isso viu brilho na morte porque fora a única que lhe sorriu sem maldade. A morte não é a vilã, não é... Nunca vai ser, nunca será.

 A vida é, a vida vai cuspir na sua cara, rir de você, te fazer sofrer e a morte vai te abraçar, te aquecer sem nunca te fazer sofrer. Ela não vai rir de você e pra ela não Importa se você é ou não é linda, perfeita, polida e inquebrável. 

A morte nunca será a vilã nesse conto de fadas, a morte sempre será o ser mágico que a tira da masmorra da vida. 
O último suspiro. A última dor. Adeus a vida, que ela viva com outro alguém e sem seu pudor. 

A.R 20/09/2022 - Faro, Portugal
190

Jennifer Tilly

Posso ver através dos teus olhos 
Algo que eu nunca vi antes
Um amor que eu nunca senti antes
Tens no teu rosto o que chamo de aconchego. 

Sua verdade toca-me tão forte 
Amo sua risada e o jeito que ela se esbande. 
É tão fascinante tê-la em mente à todo instante. 

Meu coração é seu maior fã, 
Erra as batidas quando o assunto se trata à você
E então, a cada batida, dispara-me as letras de seu nome

J-e-n-n-i-f-e-r. 
 
Queria que soubesse o quão forte
Tu palpitas dentro de mim.
Parece um circo,
É um espetáculo tão lindo. 

Dentro de mim cada batida por você
É um poema dos mais clichês de Tom Jobim, 
Dentro de mim cada batida por você 
É uma canção
Daquelas tietes que sangram até o coração. 

Desculpe-me 
Tamanha extravagância,
Esse é o efeito Tilly dentro do meu peito. 
Um cometa. 
Um tornado. 
Um show. 

E todas as batidas,
Todos os acordes,
Todas as notas,
Todos os tons dessa canção 
Se chamam

Jennifer Tilly

Dentro de mim.

Faro, Portugal - 23/12/21
822

Quarto

Meu quarto está calmo, 
Há silêncio por todo lado. 
Mal ouço os carros passando, 
Mal ouço os ruídos que vem de fora.

Meu quarto está calmo demais,
Para o grande caos que está acontecendo 
Dentro do meu peito. 
Ao contrário, ouço tudo, 
Carros, motos, gritos, choros,
Desespero.

E como pode tudo estar tão calmo
Se eu estou em caos? 
Nem eu mesma escuto tão bem as coisas dentro de mim, 
É como uma balada as 3h da manhã. 
Ouço, mas não escuto. 

Sei que há música, carros, motos, gritos, choro
E desespero. 
Meu coração que pulsa com os graves dessa música, mas não sei dançá-la. 
Há barulho para todo lado, ao mesmo que há silêncio para todo canto.

A.R - 25/04/22 
Faro, Portugal
241

Desculpa a falta de amar

Desculpe a minha não reciprocidade 
É que passei tanto tempo amando alguém 
Que agora necessito que eu me ame.
Desculpe a falta de amar.

Desculpe não corresponder 
Será impossível nesse momento para mim amar você 
E me parte o coração saber que dessa vez
Não sou eu quem estou a sofrer.

Desculpe pelo alvoroço 
Se quiser posso ir embora agora 
Não precisaremos passar por isso
Não me deixe ver as lágrimas escorrendo em teu rosto.

Desculpe que em sua chegada não há um tapete de boas vindas
Eu retirei-o porque amores agora não me são bem-vindos
Decidi que preciso de mim, 
E não de meus milhares de amores que sempre estive a amar.

Peço que se vá
Mas não chore
Porque teu choro machuca-me a alma.

Desculpe a minha não reciprocidade 
Se vá, não é um bom momento agora 
Para cultivar esperanças e alusões 
Porque não poderei corresponder a qualquer sinal seu
Desculpe. 

A.R / Faro - Portugal 
07/04/2022
822

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