Amanda Silva

Amanda Silva

n. 1990 BR BR

"Seus ares de demônio depositam-se na face. Tão logo é o desastre: a profusão da tempestade e do pouco que se sabe ou se entende por mulher."

n. 1990-07-22, Parnaíba, Piauí

Perfil
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Sopa de Confetes

A noite de sexta estava animada
Da cadeira meio bamba no bar
Percebi sua chegada à rodinha de amigos
- A observação é meu fraco, me perdoem-
A figura imponente e orgulhosa
Colecionava beijos e abraços calorosos
Que dividiam lugar com as perguntas entusiasmadas
Como está sua nova produção?
E aquela participação especial? Foda viu!
E que performance a sua. Sinto vontade de chorar!
Perguntei aos mortais que me acompanhavam
Que àquela altura estava tão bambos quanto a mesa
Se conheciam tal celebridade que estava entre nós
Nenhum deles soube responder
Ainda assim pensei em pedir uma foto
Ou mesmo um abraço
Porém, tão repentina quanto a chegada foi sua partida
O que não me deu tempo de aproximação
Mesmo assim fui tentar descobrir quem era a criatura
- A curiosidade também é meu fraco, me perdoem-
Cheguei mais perto da mesa como quem não quer nada
E os risos tomavam conta do espaço
Todos ali estavam muito orgulhos de sua maldade
De ter alimentado com uma sopa de confetes
Aquele pequeno cego de ego infinito
Que agora acreditava estar bem nutrido.
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Poemas

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Tempestade no Terraço

A previsão para o fim do dia era de sol
Mas o vento forte que invadia o quarto
Denunciava que o tempo estava formado
Tiro as roupas do varal
Fecho todas as janelas
Confirmo que o celular está carregado
E separo por precaução um maço de velas
Pronto
Estou segura para enfrentar a tempestade
Pensei que desfrutaria dessa sensação
Mas que nada
A sombra dos meus quase trinta anos
Nunca me deixa em paz
É companhia constante, renitente e curiosa
E agora quer saber o que causa esse meu medo da chuva
Não tenho nada certo pra responder a essa provocação
Mas palpites esses tenho aos montes
Podem ter sido os comprimidos que já tomei
As doses de álcool que invadiram meu sangue
Os amigos eternos de uma semana
As horas livres convertidas em trabalho
Ou todas as decepções amorosas
Esse coquetel que é a vida adulta
Tem um efeito colateral desgraçado
Que destrói a cada novo gole
Um pouco da coragem que era tão nossa
Nos tempos de criança
Querem saber
Hoje vou esperar a tempestade no terraço
E quando ela cair vou sair e andar pela calçada
Ignorando os desejos da minha sombra
E os olhares de julgamento de quem no conforto de casa
Desfruta em belos cálices o sabor insosso da vida adulta
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Vida de Inseto

A cerveja que tirei da geladeira
não parece ter me caído bem
da minha rede armada no terraço
percebo um caminho de insetos
levanto
vejo mais de perto
e só me vem um pensamento
como deve ser doido ser formiga!
cruzar esse pedacinho de parede
é como conquistar um mundo inteiro
uma gota de chuva
o quadro na parede
ou os meus gatos
assumem a forma de temporais,
grandes construções
e terríveis perseguidores
virando vilões de uma saga heroica
cada migalha deixada por alguém
é agora maravilhoso banquete
e o melhor de tudo
na colônia todos são iguais
tem a mesma importância
trabalham como grupo
unido, coeso e homogêneo
acho que deve ser foda esse trabalho
acordar
servir a rainha
carregar comida
proteger o formigueiro
acordar
servir a rainha...
um ciclo eterno
enfadonho
desgastante
e ainda assim invisível
volto pra realidade
meio bêbada é verdade
rindo pra parede
porém orgulhosa e
infinitamente satisfeita
por ser gente
que não se contenta
com poucos espaços
ou migalhas
com o trabalho pra rainha
ou a mentira que é a cortesia
dou de costas
entro em casa e
sigo pra vida real
imaginando como deve ser libertador
pro tanto de gente
que está nesse mundo
festejando um faz de conta
fazendo às vezes de
formiga.

 

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Comentários (1)

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Márcio Barbosa

Parabéns...sucesso!!