A vida não tem replay, não tem receita, É toda vez nova vez; Sem uma técnica, teoria que possa fim-dar.
Por causa disso, crie sua própria filosofia, teoria, Pro agora, pra esse teu salutar...
Com toda arte que for, Com todo amor, amando a cada sopro, ventania aceitando-se inclusive no errar..
Não existe uma solução fresquinha para nossas vidas, Nada se encontra já dada; É uma infindável conquista, Que só eu mesmo posso, como posso!
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Do perecer
Quero é me encontrar sozinho e sem esperanças Me perder e permanecer no chão mais tortuoso, insegurança! Por amor, não por acaso, por anseio do mais obscurecido desejo
Preferindo as tonalidades mais escuras, sigo eu! Permitindo o medo e seu sentimento fantástico, sigo eu! Perdendo e desaprendendo toda razão, sigo eu!
Um anseio primordial, um deslocar-se infindável É esse abismal, que tudo rodeia e em tudo quer afirmar-se Indispensável para a vida, o vazio que habita em todas as coisas, segue sem cessar..
Isso é o que faz incendiar meu coração! Amo aquele que perece e quer por conta própria perecer, assim falava Zaratustra! Eu vos digo ainda: amo aquele que decide com o que quer perecer; eis uma alta virtuosidade Pois absolutamente tudo perece simplesmente sendo
Uma sina universal? Talvez aos seres abismais que aqui jaz.. E por fim, compreenderão..
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Na altivez do que amortece..
Eu vou descer dessa perdição Quero desconjurar essa visão Essa adoração já desgastada do tempo Envelhecida, proibida de nova perspectivação...
Vou seguir a onda desse mar Um cigano me indicou seguir À ventania desse ar Disse lendo minha mão...
Vou criar a onda Que eu mesmo vou surfar Até fim-dá No sentido que deságua esse mar...
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Minha pia virou bordel
Minha pia de rosto virou bordel, Lá eu lavo minhas louça suja E também minhas mãos enterreada do meu verde mato, É onde lavo minha roupa, desgraçada! Como é difícil de lavar E com toda força tento tirar o grude que fica das minhas An-Danças por este mundo. É também o mesmo lugar onde arquiteto minha barba, É uma raridade não me cortar. É, a cada novo dia mais um hobby pra essa pia... Mas eu é que tô dando fé agora do tanto de coisa que eu fazia lá, E pra essa agonia não acabar, Ponho uma musica do Chico pra essa tal tristeza não me embrutar..
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De um impulso.
Eu sou um astro, Uma hora eu nasço Outra eu me ponho!
Sou um tigre que com um sopapo Desmorona a estrutura E depois relaxo.
Sou a partida e a estrada O caminho e a encruzilhada Sou o tudo e sou o nada.
Sou aquele que morre e nasce a todo instante, Sou o equilíbrio inconstante. Uma ventania obnubilante.
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Contra a historicidade
Discorde do tempo, (deste tempo) Pois tu e tudo fazem parte de uma arte que se desdobra, um movimento plástico. Eis a força primorosa que escarnece o próprio tempo, a própria história, E se lhe dispõe a vi-ver, à arte de ser o que em ti assevera e desponta; Tua instintiva dança, tua criança, cria-ação!
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Aos sentidos!
Tudo é belo nesta vida nêga, Até mesmo o medonho desconhecido, Grotesco em seu estampido.
Diremos então que é honra conhecer, Despeça-se e finde sua hora, se poderes, Ou tudo é certo se fazer; Arque com a responsabilidade da escolha que fizeres.
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Movimento. Arte.
Em mim mesmo há um enorme monumento, A saber, o amor à vida; A paixão, ao simples e complexo fato De que em tudo há ação, movimentação, resistência, tensão.
A arte está em tudo, e fora propriamente de tudo, Não está em lugar nenhum e surge destoando, Des-sendo o que um dia houve-se a ilusão de ser.
373
Dos desejos da carne
A carne não passa de um punhado de pó, Suportados a pequenos poros, que suprime, ou costuma suprimir Os momentos de nossas vidas. Tal carne em desejo se converte.
353
Eu sou!
Sou tão pouco como nada. Assim como um sumo total. Sou ao mesmo tempo que nada tudo. Sou em todas as medidas e dimensões o tudo e o nada.