Antonio Danilo Herculles

Antonio Danilo Herculles

n. 1992 BR BR

Poesias Aforismáticas Existenciais

n. 1992-05-29, Tauá - Ce

Perfil
39 219 Visualizações

Deixe ir…

Nem toda ida é um adeus,
Nem toda chegada é uma partida…
Não se desespere mariînha,
O mar na certa me voltará…

Nem todo torto a sorte cura,
Nem toda sede má deve matar…
Toda feita de ternura,
Com todo sol ei de vir contar meu ser-tão…

Mas cá pra cá sonho meu,
Nem todo adeus é para sempre..
todo o mar deve vir me deixar,
Deixe ir! Deixe! Volta! Deve voltar…
Ler poema completo

Poemas

50

Das plantas

Bonito é a sabedoria das plantas:
uma sabedoria do crescimento,
que poderíamos chamar de espontâneo.

Um desabrochar de forças;
que apenas seguem à ventura
de ser sendo..

Acontec(s)endo no dorso de um instante,
o seu maior conhecimento vai além
dos frutos que se prócria.
571

De uma possibilidade de ser livre.

Quero ser livre,
leve,
um ser sufistamente aquático,
Deslizando entre ondas.
Como as gotículas da água
levando-me em flashes.
564

Se Aprochegue!

Se aprochegue,
de mim chegue
que eu quero lhe jantar
na minha sopa,
te ver mais do que louca..

Sem demora,
não enrola,
quero de você
fazer meu d'comer..
239

Quando eu me for.

No dia que eu me for, quero apenas descobrir que não mais volto..
Quero aleatoriamente partir, entendendo o que não quer ser compreendido
E de braços abertos ao fim da minha cisão no mundo, ou do recomeço dela mesma,
Essa tal vida que escapole entre todos os dedos, também me deseja vivo, para vir-vê-la?
Sou também os desejos dos que me desejam, e essa tal lembrança que nos é essencial, me parece instintivação.
Seja como for a multiplicidade que me sucede, seja qual for a sina que determina a minha passagem terrestre,
Permaneço até descobrir qual ilusão há porvir...
311

Aforismos sobre Culpa.

- A culpa é um sentimento pró-criado/pré-criado, é neste caso, imposta para nós, na maioria das vezes, de forma rude em demasia. Pois bem, o acesso da culpa, se nos atentarmos, é a presença dos outros e de toda a cobrança comunitária em nós; não é necessariamente nossa, mas sim, um sentimento desatinado/depositado/deixado pelo outro. Como um exalar de essências.

- Por alto, nossa essência é sentimento que conosco habitua este mundo; essa lembrança de passo de dança, e com efeito, é o sentimento que deixamos com os outros, e que, logo após, tem tendido a se transformar em culpa.

- Por isso, não quero que sintas culpa ao lembrares de mim, seja livre!
562

Propositalmente sigo!

Uma vez me disseram que a vida era simples.

Eu não acreditei.



Mas depois de um tempo observei,

Que as coisas são verdadeiramente simples

Para quem as olha de modo simples,

E todas as outras são ao mesmo tempo complexas, profundas.

É nesse caso, uma questão de perspectivas,

Mas com tudo, apenas seguem, todos com o mesmo propósito;

Tens apenas de reconhecer o que melhor lhe agrada.



Um sopro é a vida e não deixa de ser. Segue à ventura!

Simplesmente ou complexamente; aceitemo-la.
271

Lembranças Essenciais

Lembro-me como se fosse amanhã que deveras a felicitude bater até se abster na minha porta.

Lembro-me como se fosse amanhã do meu desespero de abraçar o mundo inteiro sem com-juras o fazer.

Lembro-me como se fosse amanhã de mostrar para meu próximo o quanto ele é importante apenas por ser quem o é.

Lembro-me como se fosse amanhã de pedir a bênção aos meus ancestrais, meu pai mãe.

Lembro-me como se fosse amanhã "que a força esteve o tempo todo em mim" (Gonzaguinha).

Lembro-me como se fosse amanhã como lembro do dia e da noite, da claria de estrelas que estremece meu coração e todo o solo tortuoso em noites de escuridão;

Daí lembro-me como se fosse amanhã dos meus amigos e suas acalentadas e saborosas conversas, os guardarei sempre em meu peito, (res-peito).

Lembro-me como se fosse amanhã de olhar nos olhos da mulher da minha vida e dizer-te-lhe do mais puro encanto que és a mim tua volúpia e o que o que além disso se desvai.

Lembro-me como se fosse amanhã dos mestres que muito ensinaram-me a sobre-vi-ver, sem isso não saberia o tentar – sábios são em seus movimentos.

Lembro-me como se fosse hoje que meu amanhã é meu desejo de vi-ver, espectro que invade meu ser.. Antes do fim sou grato pelo ontem e o amanhã nada ser...
302

Descaminho

Me devanearei, me debandarei,

Me perderei nos teus cheiros,

Nas tuas tranças discordiais,

Tais e quais são sua própria perdição, se perca então..



Nem o ser primeiro,

O Avohai das tiranias,

Discordaria desta tua afeição,

Nem mesmo se fosse um ser místico de outra dimensão..



Perdição ao que desde sempre esteve perdido,

A ilusão é pensar que encontrará alguma saída,

Pois em seus primórdios perdida está.

Perdida irá sempre está..



Não adianta tentar achar saída,

Não há o que pestanejar,

Pois já vigara em suma consciência,

Nem tira, nem há o que pôr.

Só há descaminho e preciso caminhar..

850

Velho vendedor de sonhos: O Mundo

Não me poupes, nem me mostres meu caminho

Não me tenha de elogios, nem me diga tuas verdades

Não me force, nem arranque o meu mal pela raiz, nem meu bem

Pois o que tenho de melhor e o que tenho de pior são justamente o que de melhor tenho pra vi(r)-ver.

Não tenho pernas compridas para ainda agora acompanhar o que me faz ser

Não sou daqui, nem vim pra ficar, estou só de passagem, não perco viagem e as minhas bagagens ei-lo de convir comigo contar.

Minha sina, é a mesma que a tua, somos feitos do mesmo barro batido e untado, curtido e aprimorado

Mais ainda, não se deve com desventura olhar para a terra,

Terra é antes um elogio, uma mãe, terra é mar-ia donde o mar não mais vai;

Terra é como um sinônimo para Maria, mas o mar nunca deixa de cessar, e a terra sempre há de se esfascelar.
328

Do Palhaço Trágico

Nem artista, nem amador.
Mais um humorista pra trazer discórdia.
Tanta carne ferida, tanta dor.
Traga mais um copo dessa água-ardente.
Pra eu me embriagar na praça pública.
E depois ganhar o sobrenome "vagabundo".
Sem Temer o estrondo de toda a torcida.
Que por mim passa, e acha graça da minha arruaça.

No meu peito um solo encandeia a frente.
Meio intransigente desafógo as sinas.
Junto com a desgraça é que eu acho graça.
Tanto com a cachaça, como com o sol matutino.
Não me determino porque estou ciente.
Mas tem muita gente que o coro arranca.
Tanto esse pilantra velho coração.
Trago sorridente como uma pedra.

Quando antigamente era convincente.
Medo me tomava da cabeça aos pés.
Eram os quarteis traças sobre a nação.
Tempos de são joão eu inté dancei.
Fora do meu tempo, dentro da oneração.
Quem dirá do sonho do clarão da lua.
Quero você nua só mais uma vez.
Canto a cantiga do beija-flor que me viu passar.

Quero despertar desse absurdo.
Que amo eternamente sem me questionar.
Trago no meu peito com tanta mesura.
Tudo que há na terra, a raiz do mar.
Tudo me ilumina pra me navegar.
Do profundo ao mais curto abismo ei de atravessar.
Nessa melodia vivo como andarilho.

Grite coração e se esgoele.
Viva e se deixe experimentar.
Nada é mais belo que a natureza.
Vivo a procura de me encontrar.
Bêbado, palhaço, cura-céu, deves me direcionar.
Trágico na morte desta vida, quero ela mesma, linda traquina vida.
E até o fim me projetiá.

335

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.