antonio tropa

antonio tropa

n. 1949 PT PT

n. 1949-12-13, queluz

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NA CALMA QUE O CAMPO ME DEVOLVE


Para lá das colinas nesta tarde
depois da aldeia um espaço imenso
o sol e a erva seca quase arde.

Num azul que é de pedra dura
um corpo ou a saudade se espera
muita beleza e muita água pura.

Ao longe há um pinhal que me acena
e um caminho que era de alegria.

No calma que o campo me devolve
sempre um rouxinol ou uma cotovia.

antonio tropa
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Biografia
A VIDA É ASSIM MESMO

A vida é assim mesmo
às vezes um desalento
um ternura que vem do fundo da infância
com olhos de pássaro ferido.

O que há pouco era
vertigem de euforia
agora amarfanhado
na sombra.

Regressar à simplicidade da terra
um cheiro doce
essa alegria.

Em qualquer colina do mundo
antes que o coração seja uma pedra
recordar agora
o que dantes se vivia.

antonio tropa

Poemas

4

NOITE DE FARRA 2



Santa noite bela noite
o jazz o jazz.
Escondidos no escuro das oliveiras
estes rapazes nocturnos não serão...
estas luzes.
Santa noite bela noite
o jazz o jazz.


antonio tropa
395

NOITE DE FARRA



Enquanto bebia
percebia tudo
gestos distraídos
na noite de farra
cerveja é veludo
frio que enlouquece
todos os sentidos.

Afastam-se depois
no escuro prometido
os longínquos corpos
meio entorpecidos
deitados na areia
por detrás do mato
onde se esquecia
do seu eu fechado
na jaula do medo
aonde vivia


antónio tropa
393

Ao Miguel pelo seu 4º aniversário

(Não podia deixar de publicar aqui em geito de homenagem,um dos poemas maravilhosos de EUGÉNIO DE ANDRADE).



Vais crescendo, meu filho, com a difícil
luz do mundo. Não foi um paraíso,
que não é medida humana, o que para ti
sonhei. Só quis que a terra fosse limpa,
nela pudesses respirar desperto
e aprender que todo homem, todo,
tem direito a sê-lo inteiramente
até ao fim. Terra de sol maduro,
redonda terra de cavalos e maçãs,
terra generosa, agora atormentada
no próprio coração; terra onde teu pai
e tua mãe amaram para que fosses
o pulsar da vida, tornada inferno
vivo onde nos vão encurralando
o medo, a ambição, a estupidez,
se não for demência apenas a razão;
terra inocente, terra atraiçoada,
em que nem sequer é já possível
pousar num rio os olhos de alegria,
e partilhar o pão, ou a palavra;
terra onde o ódio a tanta e tão vil
besta fardada é tudo o que nos resta;
abutres e chacais que do saber fizeram
comércio tão contrário à natureza
que só crimes e crimes e crimes pariam.
Que faremos nós, filho, para que a vida
seja mais que a cegueira e cobardia?

Eugénio de Andrade
590

ALIENADO



Tem olhos de cão doente
parado à beira da estrada
de um azul deslavado
de quem não gosta de nada
ou gostou mas já não sente.

O ardor com que avançava
pela vida está ausente.

desesperado ou demente

um corpo só
sem mais nada.


antónio tropa
457

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