Aristides Jerónimo

Aristides Jerónimo

n. 0000-00-00

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Suposições

Goin', Comin', Fallin'

Se estes céus fossem mar 
Para poetizar nas ondulações
Para verter minhas palavras,
O sopro de minha vida,
Para moldar o mundo em versos de poesia
Para fazer ondas versar como monções

Se este mar fossem os olhos teus
Para me guiar sob teu olhar
E assim, procurando pelo meu
Sob o céu mais sombrio, num dia frio
Mesmo nas manhãs mais nebulosas

Nunca escapar de ti
Porque se de tristeza o mundo for
Como se pintado na mais triste cor
Dor, sem nada que paralele o amor
A existência se findasse
Como se por nada vivesse

Seja minha poesia o mar 
Poesia beirando cantares divinos
Trilhando o céu, criando caminhos
Indo, indo e subindo
Diferentes dos céus que choram como chuva
Lágrimas gotejantes
Vindo, vindo, caindo
...

                                            Atila J.
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Poemas

5

(...)

Vi-a numa noite mal iluminada, cabisbaixa
A lua parecia querer curar-lhe a solidão
"Conta-me uma mentira fria
Daquelas que congelam um coração"
Disse-me.

"Amo-te." 
Respondi.

148

Empty Pleasures


As paredes segredam o frenesim
Naquele chão empalidecido pelo tempo e pela espera
Ela desce enamorando o chão
Avança pela sala, um leve sprint a cada degrau
Vem tal qual uma leoa
Vitimando o alvo com aquele olhar fulminante
E vem, deixando o seu perfume por cada canto
A cada toque, em tudo quanto toca
Ela trazia o paraíso no olhar
O céu naquele corpo quente
Trazia o inferno internamente,  e na sua mente
O prometidos beijos, arranhões e anseios
Daquele lazer privado há bastante
E com o alvo alcançado
As roupas há muito no chão, e de frente
A lua em segredo testemunha aquele deleite latente
E o fervor toma conta de tudo
As cavalgadas com ímpeto titânico
Invocam gritos turgescentes
E continuam, ziguezagueando os corpos, o ar aquece
E de quando em vez, entre gemidos
Seguem unidos da cabeça aos pés
Quebram as barreiras pela emoção
E com as notas no coração
Vão soltando desenfreadamente os desejos  selados em si
E repetem os mesmo gestos
Obedecendo os comandos do desejo
Aceleram e param a gosto
E, em tempos, desprendem orgasmos flatulentos e demorados
Naquele chão empalidecido pelo tempo e pela espera.

                                                      Jheronimus

 

18

Mull

Embriago-me em minhas emoções por nada
Uma brisa ao anoitecer, um vislumbre de mul e nanna
Uma melodia suave em tom de amor
É o bastante
Vejo mais prazer nos passos que na caminhada
Do muito ao pouco, faço a vida aos bocados
Distancio-me do centro, do foco
Que há mais espaço nos lados
Aprendi a eternizar breves instantes
Desejo o melhor como todos
Porém, vivo bem no mais simples
Um abraço sincero, um pequeno beijo
Um ambiente pastoril, um livro
À nota da mais singela guitarra
Na companhia de uma bela mulher
Álcool apenas às vezes
A vida me ensinou em poucos versos
A compor a minha própria existência
A desfrutar o encanto da minha pequenez
Do meu proprio beijo, da minha própria aura
Faço-me feliz, assim, na companhia desse luar.
 

7

Decadência


Ontem embarquei no meu mais novo pesadelo 
Mil príncipes moribundos cavalgavam em núbios equídeos ao meu encontro
Exata moldura do que é a vida de cada crepúsculo a outro
A vida é dura
Com a felicidade aos frangalhos
E com as vontades embebidas em tristezas
Mas precisamos encarar
Caminhar entre e com espinhos
E espalhar sorrisos a cada adeus
E perfumar este mundo mórbido
Viver por viver e continuar até onde puder
Procurar esta alegria que nos foge
Suportar a negra e infeliz tela
Mas entregar aos outros estes girassóis de Van Gogh

Todo dia a mesma situação
Mesmas cores mesmos sabores
Mesmos caminhos e não outros andares
A vida é um conto de fodas
Uma dor que não passa ao cicatrizar

                                                  Jheronimus
                                               

7

8 anos

Ele encarava o destino com aquele olhar maquiavélico, e este retribuia
De certa forma eram dois indênticos
Dois próximos, dois mesmos
Fazia de si a esperança para muitos
E a vida passava farisaica por ele inteiro
Vivia os dias no mais completo monólogo
Intolerante aos demais prazeres
Banhava-se na mais amarga melancolia
De certa forma, era mais fácil assim, mais ele
Brotavam sorrisos, claro, mas o rosto moribundo não os podia mostrar, nem conseguia
Tinha um certo destaque entre os outros
Podia nublar a mais alegre poesia, 
Hossanas passavam à elegias
Preferia o negro ao belo
As alegrias doava ao vento
Vivia de cinzento a cinzento
Admirava campos de girassóis,
excepcionalmente numa noite estrelada
Tinha o olhar cruel
Mesmo em sua aura mais pura
Era belo, mas triste
A mais triste criatura.
 
                 

9

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