Aristides Jerónimo

Aristides Jerónimo

n. 0000-00-00

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Suposições

Goin', Comin', Fallin'

Se estes céus fossem mar 
Para poetizar nas ondulações
Para verter minhas palavras,
O sopro de minha vida,
Para moldar o mundo em versos de poesia
Para fazer ondas versar como monções

Se este mar fossem os olhos teus
Para me guiar sob teu olhar
E assim, procurando pelo meu
Sob o céu mais sombrio, num dia frio
Mesmo nas manhãs mais nebulosas

Nunca escapar de ti
Porque se de tristeza o mundo for
Como se pintado na mais triste cor
Dor, sem nada que paralele o amor
A existência se findasse
Como se por nada vivesse

Seja minha poesia o mar 
Poesia beirando cantares divinos
Trilhando o céu, criando caminhos
Indo, indo e subindo
Diferentes dos céus que choram como chuva
Lágrimas gotejantes
Vindo, vindo, caindo
...

                                            Atila J.
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Poemas

13

(...)

Vi-a numa noite mal iluminada, cabisbaixa
A lua parecia querer curar-lhe a solidão
"Conta-me uma mentira fria
Daquelas que congelam um coração"
Disse-me.

"Amo-te." 
Respondi.

148

Empty Pleasures


As paredes segredam o frenesim
Naquele chão empalidecido pelo tempo e pela espera
Ela desce enamorando o chão
Avança pela sala, um leve sprint a cada degrau
Vem tal qual uma leoa
Vitimando o alvo com aquele olhar fulminante
E vem, deixando o seu perfume por cada canto
A cada toque, em tudo quanto toca
Ela trazia o paraíso no olhar
O céu naquele corpo quente
Trazia o inferno internamente,  e na sua mente
O prometidos beijos, arranhões e anseios
Daquele lazer privado há bastante
E com o alvo alcançado
As roupas há muito no chão, e de frente
A lua em segredo testemunha aquele deleite latente
E o fervor toma conta de tudo
As cavalgadas com ímpeto titânico
Invocam gritos turgescentes
E continuam, ziguezagueando os corpos, o ar aquece
E de quando em vez, entre gemidos
Seguem unidos da cabeça aos pés
Quebram as barreiras pela emoção
E com as notas no coração
Vão soltando desenfreadamente os desejos  selados em si
E repetem os mesmo gestos
Obedecendo os comandos do desejo
Aceleram e param a gosto
E, em tempos, desprendem orgasmos flatulentos e demorados
Naquele chão empalidecido pelo tempo e pela espera.

                                                      Jheronimus

 

18

Mull

Embriago-me em minhas emoções por nada
Uma brisa ao anoitecer, um vislumbre de mul e nanna
Uma melodia suave em tom de amor
É o bastante
Vejo mais prazer nos passos que na caminhada
Do muito ao pouco, faço a vida aos bocados
Distancio-me do centro, do foco
Que há mais espaço nos lados
Aprendi a eternizar breves instantes
Desejo o melhor como todos
Porém, vivo bem no mais simples
Um abraço sincero, um pequeno beijo
Um ambiente pastoril, um livro
À nota da mais singela guitarra
Na companhia de uma bela mulher
Álcool apenas às vezes
A vida me ensinou em poucos versos
A compor a minha própria existência
A desfrutar o encanto da minha pequenez
Do meu proprio beijo, da minha própria aura
Faço-me feliz, assim, na companhia desse luar.
 

7

Decadência


Ontem embarquei no meu mais novo pesadelo 
Mil príncipes moribundos cavalgavam em núbios equídeos ao meu encontro
Exata moldura do que é a vida de cada crepúsculo a outro
A vida é dura
Com a felicidade aos frangalhos
E com as vontades embebidas em tristezas
Mas precisamos encarar
Caminhar entre e com espinhos
E espalhar sorrisos a cada adeus
E perfumar este mundo mórbido
Viver por viver e continuar até onde puder
Procurar esta alegria que nos foge
Suportar a negra e infeliz tela
Mas entregar aos outros estes girassóis de Van Gogh

Todo dia a mesma situação
Mesmas cores mesmos sabores
Mesmos caminhos e não outros andares
A vida é um conto de fodas
Uma dor que não passa ao cicatrizar

                                                  Jheronimus
                                               

7

8 anos

Ele encarava o destino com aquele olhar maquiavélico, e este retribuia
De certa forma eram dois indênticos
Dois próximos, dois mesmos
Fazia de si a esperança para muitos
E a vida passava farisaica por ele inteiro
Vivia os dias no mais completo monólogo
Intolerante aos demais prazeres
Banhava-se na mais amarga melancolia
De certa forma, era mais fácil assim, mais ele
Brotavam sorrisos, claro, mas o rosto moribundo não os podia mostrar, nem conseguia
Tinha um certo destaque entre os outros
Podia nublar a mais alegre poesia, 
Hossanas passavam à elegias
Preferia o negro ao belo
As alegrias doava ao vento
Vivia de cinzento a cinzento
Admirava campos de girassóis,
excepcionalmente numa noite estrelada
Tinha o olhar cruel
Mesmo em sua aura mais pura
Era belo, mas triste
A mais triste criatura.
 
                 

9

Vislumbres

Ela tiraria o mundo das minhas costas
Se um dia fosse difícil me mover
Eu sei
Abriria minhas janelas 
Se eu estivesse vivendo na tristeza
Sorriria minhas alegrias
Dançaria meus poemas, minhas elegias 
Por que então, se ela é tão perfeita?
Por quê desejo que fosse você?
Quando você está fora de vista
Na minha mente
Quando o sol se derrama e a luz se esvai
Por quê? Porquê busco você, maldita mulher?
Porque às vezes eu olho nos olhos dela 
Aí que eu encontro um vislumbre de nós
Eu tento me apaixonar pelo toque dela
Mas me recordo de carícias passadas
Digo que estou bem e que segui em frente
E minto, da maneira mais desgraçada
Só estou aqui passando o tempo nos braços dela
No anseio de um vislumbre de nós
Diga-me que ele também saboreia sua glória, como sempre fiz
Ele ri do jeito que eu ria?
Diga que agora ele é parte da sua história
Uma que eu nunca vivi
Talvez um dia você se sinta sozinha
E nos olhos dele, você também me veja
Talvez você comece a me procurar 
E ele comece a te perder
E me busque
E também não me encontre

                                          Joji & Atila J.


 

162

Sem Você...

Ah querida!!
Quando estou na multidão 
Sob o sol meio sorridente, sem poder andar
Meio morto, longe de meu grito, sem forças a que me agarrar
Abraçado a esse amor desonesto
Ah querida
Vejo casais se amando, que pintura triste 
Vejo rosas florindo num sol morno
Quando estou na multidão 
Ah mulher
Mas sem você não é verão 
Não é chuva que me molha
Nem saudade
Nem vinho, nem filmes, nem beijos 
Todos os dias que te vejo
Quando te procuro e te encontro 
Sob um mar de mundos a meus pés 
Faz frio lá fora
A 29 graus
E a vida segue simplesmente 
Indiferente à toda essa demora
Me ame novamente, me chame
Dance comigo na multidão 
Sem você não há ternura 
Não é verão 
                                          Atila J.

16

Adeus, Céu azul

Sob o sorriso tardio de um céu azul
Um lamento ecoa,
Onde o sol se esconde atrás de nuvens escuras.
E escassas estrelas testemunham a queda da inocência,
Enquanto o mundo se desfaz em desesperança e indiferença.
Você vê o quanto este mundo é fragil
Para os horrores que a mente humana constrói? Você vê?
Não erga os olhos para o céu, pois lá reside a tristeza,
Um manto de cinzas cobre a alegria, manchando uma doce promessa.
Ela teme as alturas, onde anjos caem em desgraça
Onde crianças inocentes são envolvidas na amarga dança.
A guerra canta ao som de tambores distantes,
A humanidade se perde em suas vãs disputas
Adeus, céu azul
Adeus, sonhos perdidos no vento,
As verdades são vendidas por um momento
Ousando nos fazer acreditar 
Se a noite cair, serei sua sombra na escuridão,
Se a aurora fugir, serei sua luz na solidão.
Mas neste mundo de ilusões e mentiras,
A esperança murcha como flores em meio ao frio das miragens.
Adeus, céu azul, adeus, paraíso ilusório 
A humanidade se debate em seu próprio funeral.

E a fé se perde nas sombras do purgatório
Nas entrelinhas do destino, onde os deuses se calam.
E assim, sob o véu do céu azul desbotado,
A melodia da tristeza ecoa, um lamento abandonado.
Enquanto os ventos da mudança sopram, frios e impiedosos,
O mundo continua sua dança, rumo ao abismo silencioso.
                                      XXIV
 

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Suposições

Goin', Comin', Fallin'

Se estes céus fossem mar 
Para poetizar nas ondulações
Para verter minhas palavras,
O sopro de minha vida,
Para moldar o mundo em versos de poesia
Para fazer ondas versar como monções

Se este mar fossem os olhos teus
Para me guiar sob teu olhar
E assim, procurando pelo meu
Sob o céu mais sombrio, num dia frio
Mesmo nas manhãs mais nebulosas

Nunca escapar de ti
Porque se de tristeza o mundo for
Como se pintado na mais triste cor
Dor, sem nada que paralele o amor
A existência se findasse
Como se por nada vivesse

Seja minha poesia o mar 
Poesia beirando cantares divinos
Trilhando o céu, criando caminhos
Indo, indo e subindo
Diferentes dos céus que choram como chuva
Lágrimas gotejantes
Vindo, vindo, caindo
...

                                            Atila J.
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Odes s Segredos

ODES

Quando o verde se adornava de orvalhos
Quando o dia trajava beleza
E o sol desaparecia sob a miragem dourada
Quando o céu azulado murchava e enegrecia
Dando lugar à musa prateada

Quando novas estrelas se despediam
Nessa vida que somos todos passageiros
E o sol despertava sob os lençóis da madrugada
Ao ritmo das aves que cantam harmonizadas
E a manhã desabrochava

Quando um abraço falou mais que palavras
Porque no silêncio tudo era saudade
E o vazio convidava a lágrima
A dúvida se instalava
Quando a mente se fazia cega
E a esperança perdia asas e tombava

O vazio trouxe o esclarecimento
Das verdades que a ausência segredava
Quando o vento roubou certos desejos
Que a espera negava

                                             ATILA J.
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