O Músico, poeta cantor e compositor CARLOS SILVA, segue a trajetória de cantadores utilizando o canto falado em seus shows, palestras e apresentações em unidades de ensino fundamental e superior.
A natureza é um manto costurado pelas mãos de Deus, para enfeitar o jardim da criação. O Homem, (também criado por Deus), seria a peça chave designado para CUIDAR e proteger com toda sua dedicação, a esse vasto tapete ornado de cores tantas em sua vegetação sublime, onde várias vidas por aqui habitada. Fauna e flora, rios e cachoeiras abundantes riquezas minerais, vegetais e o animal do homem, nao entendeu que ele estava ali para cuidar de Tudo, e principalmente dos outros animais, estes chamados de irracionais. Mas o homem, movido pela desobediência e ambição percebeu que desmaiando a mata e matando os animais, tornar-se-ia rico, abastado e poderoso. Deus? NAO! Deus nao faria mais parte das suas ações, e nao seria mais necessário obedece-lo. Assim, com o avanço do tempo, foram sumindo árvores frondosas, pássaros raros, rios e cachoeiras conheceram o mercúrio com o poder das bombas que rasgavam a terra e nos leitos dos rios procuravam pedras que brilhassem, e que muito valor tivesse no mercado. Brancos arrogantes, faziam fortunas no mercado negro. Negro, porque negro se eram os brancos que de forma desumana tingia de várias cores o jardim que Deus plantara e a este entregara sob recomendações de cuidados?
Araucárias, jequitibás, sucupiras, mognos, Cedros, aroeira, até onde a Lei (amparada numa justiça que se diz cega) ajudou destruir tantas madeiras de lei? De quem é a terra? De Deus e dos bichos, mas o homem aprendeu fazer arame, cercou o quanto quis, queimou o resto, e tem por seu o que nunca lhe pertenceu. DEUS? NÃO! No mundo quase destruido pelo homem, eles dizem que o Criador de tudo, nao é mais dono de nada. Assim pensam eles. Deixe-mo-los que assim pensem, pois hão de prestar contas de tudo e por tudo, no momento que se fizer necessário. Mas isso, só o dono de todo esse tapete, saberá agir no justo momento, onde nao mais cairá em vão uma árvore e nenhuma vida mais será ceifada.
O Músico, poeta cantor e compositor CARLOS SILVA, segue a trajetória de cantadores utilizando o canto falado em seus shows, palestras e apresentações em unidades de ensino fundamental e superior.
Criado entre as cidades de Nova Soure, e posteriormente em Itamira município de Aporá, a 180 Kms de Salvador, o musico carrega em sua bagagem o aprendizado colhido no meio de feira do interior baiano. Casado com Sandra Regina, tem 05 filhos e está aguardando o primeiro neto.Em 1981, participa de uma banda musical em Itamira(Ba) TRANZA A QUATRO, numa mescla de repertorio que variava de Beatles a Luiz Gonzaga, onde dá os seus primeiros passos como instrumentista (baterista da banda) ao lado de Hélio Dantas, Zé Milton E Carlinhos.
Retorna a São Paulo, em 1982 e começa trabalhar em siderúrgica e deixa um pouco a carreira de lado. Em 1997, Conhece o Maestro Vidal França e produz o primeiro demo um ano depois: O CANTO DO MEU CANTO, que conta com a participação da cantora e compositora Mazé e de Zé de Riba. Tocam na noite paulistana na região do bixiga, onde Carlos Silva, inserido no mundo artístico por Vidal França trava conhecimento com boêmios onde forma mais tarde muitas parcerias musicais. A musica de trabalho do cd era LEMBRANÇAS DE MATO GROSSO DO SUL. Um passeio cultural pelas cidades do Ms, enaltecendo a riqueza pantaneira daquele estado.
Em 2000 lança um outro single: NASCEU NA BAHIA O BRASIL, por ocasião dos 500 anos do Brasil. Em 2001, produz um cd experimental regravando essas obras já lançadas, com o titulo: ABRA OS OLHOS.
Em 2003 sob a produção de Ney Barbosa compositor da Chapada diamantina da cidade Rui Barbosa na Bahia, entra em studio e com o selo da JBS grava o cd: RETRATANDO.
Participa de vários programas de rádio na capital Paulista, São Paulo Capital Nordeste com o pesquisador paraibano Assis Angelo e na Radio Atual com Malu Scruz.
Varias Rádios comunitárias e Tvs, recebiam a arte cantada de Carlos Silva, que de mochila recheada de Cds, percorria o Brasil divulgando a sua arte de cantar e agora atribuía á sua carreira, poesias em forma de literatura de cordéis.
2003, foi o ano que conheceu a coperifa e o poeta Sergio Vaz que o convidara a participar do projeto na Zona Sul de São Paulo.
Fez programas de televisão como Tv Cultura, Rede Record e rede globo, Tv Alterosa em Minas Gerais.
Carlos Silva dedicando-se á literatura, é convidado a participar da antologia poética O RASTILHO DA POLVORA e de um cd de poesias da coperifa, produzidos pelo Itau cultural em São Paulo.
Viaja pelo Brasil pelos Estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, segue pelo Nordeste, Bahia, Pernambuco e Paraíba, agora amparado pelos cds e cordéis produzidos sempre de forma independente.
2008 Lança o mais recente trabalho fonográfico: O BRASIL EM VERSOS CANTADOS, que traz algumas parcerias com os seguintes colegas: Moreira de Acopiara, Chico Galvão, Joilson Kariri e Nato Barbosa.Morou por quase dois anos na cidade de Ilheus onde aproveitou bem essa passagem pelo sul da bahia e divulgou em Itabuna, Vitoria da Conquista a sua modalidade do canto falado.
Seus principais parceiros musicais: Sandra Regina, Vidal França, Zé de Riba, Mazé Pinheiro, Lupe Albano, Karina França, Rhayfer (Raimundo Ferreira) Batista Santos, Ney Barbosa, Edinho Oliveira, Cida Lobo, Edmilson Costa, Paulo de Tarso Marcos Tchitcho e Nininho de Uauá.Forrozeando, o artista percorre a região nordeste, apresentando o seu trabalho em feiras culturais, dividindo os palcos da vida com artistas como: Azulão baiano, Zé Araujo, Cecé, Asa Filho, Antonio Barreto, Franklim Maxado, Kitute de Licinho e um punhado de gente bôa.
As musicas são um filme para se ouvir, e cada frase, é um pedaço de poesia rebuscada na cultura popular e no solo sertânico chamado Brasil.
Seus projetos futuros: Um novo cd, misturando versos e cantigas, o livro Poemas Versos e Canções, e muitos livretos de cordéis que pretende lançar a cada mês, para apresentação nas feiras culturais e colégios, bibliotecas e outros espaços culturais.
CORDÉIS
Toda tarde é triste. Por si só, ela (à tarde) traz um retrato diferente do que as outras fases do dia e nos força lembrar coisas tão nossas que nos sentimos meninos jogando bola, brincando de bolinha de gude, de pega pega. As peraltices na escola, a merenda, o recreio, as meninas de saias curtas de cor azul e de blusa ou camiseta branca com sapatos pretos, cabelos bem arrumados, cheirosas e convidativas ao galanteio, ao cortejo, ao interesse de namoro. Às vezes dava certo e noutras não.
Mas a infância ou a pré adolescência é algo mágico, pintado pela emoção dos momentos vividos e divididos de formas iguais, tipo assim, sem medo, sem culpa, e sem responsabilidade. A praça pequena da cidade pequena cercada de sonhos grandes, de gente grande e de passos lentos de todos em busca simplesmente do viver,
O cheiro de pão, ahh o cheiro de pão de forno a lenha se espalhava pela cidade, e quando ele invadia minhas narinas, eu já me preparava para ouvir a sonoridade tão doce (De onde estivesse) da voz da minha mãe me chamar para ir á padaria comprar o tão delicioso e sagrado pão da tarde.
Não, naquela época, eu não via à tarde triste, pois eu era jovem, corria, brincava, soltava pipa, tomava banho no tanque grande e chupava mangas no sitio de Dona Fia, que ainda dizia: Levem algumas para sua mãe.
A vida era assim, não se cobrava pelas frutas (mangas, bananas, Laranjas, goiabas) na comunidade, tudo era uma fartura. Milho, feijão, abobora batata, o povo tinha prazer em dizer: Leve para a comadre.
Hoje, movido pelo balanço da rede no meu quintal, posso (na minha imaginação) montar essas imagens e outras tantas que vivi, onde ser feliz, era uma obrigação cotidiana e o preço, a pagar, era a satisfação de ser o que éramos sem precisar ser o que querem que sejamos. As cobranças cresceram comigo e hoje sou o que meu pai foi: Um pai zeloso e preocupado se o dinheiro que tenho no bolso dará para comprar meia dúzia de pães de forno elétrico, com massa preparada com tanta química que deixa o pão inchado por fora e oco por dentro, igual cabeça de muitos Homens do poder.
Meu riso nem sempre é como um dia fora. Meus pensamentos cresceram junto comigo a ponto de sentir medo de saber de fato o que sou o que quero, ou para onde vou depois que terminar esses meus pensares no balanço dessa rede de ranger triste, com seus tornos cansados do oficio de embalar corpos. Não poderei levar a rede comigo e nem tampouco ficar a mercê das minhas lembranças que me enchem de vontade de voltar a pagina da minha historia e voltar a correr livre e solto, preso apenas nos devaneios e nas vontades de menino travesso criado numa comunidade pequena cheia de gente grande. Eu tenho saudades do passado. Gostaria de voltar lá, e tentar mudar alguma coisa que me fez fazer algo errado no hoje que vivo. Não, isso não é possível, daqui não dá pra voltar, somente mesmo nas minhas lembranças sopradas pela nevoa desse recordar tão melancólico que chego a querer chorar como se fosse possível voltar a ouvir o grito suave da minha mãe a me chamar para comprar o pão. Não... Não... Nunca mais a ouvirei, pois a sua voz fora enterrada junto com ela em 1998. Mas ainda posso discernir de outros chamamentos, a sua sonoridade, seu riso doce de mãe protetora, de mulher que gosta do filho, de amizade que nunca o tempo poderá apagar da minha mente cada momento com ela vivido.
Meus amigos...
Onde estão meus amigos? Como eu, também cresceram e conheceram outros rumos. Alguns destes, eu não os vejo a mais de 40 ou 45 anos, outros, fiquei sabendo que já não habitam nesse plano terrestre. Mas as amizades, as amizades daqueles com quem me encontro hoje, já não tem o mesmo sabor, a mesma confiança, a mesma alegria, o mesmo riso, o mesmo companheirismo.
Muitos se tornaram fechados como se tivessem colocado cadeados nas nossas fases vividas. Outros viraram comerciantes e agem como se tudo fosse uma questão de cifras e de valores financeiros e me cobram porque não sou um HOMEM ESTABELECIDO.
Poucos destes, que comigo andavam, brincavam e dividiam sua meninice, nem me convidam para ir às suas casas tomar um café, ver uma foto antiga, sentar com seus filhos para fazer uma resenha desse nosso passado que em mim está tão presente.
Daqueles amigos, restaram poucos, pois suas mãos se distanciaram tanto, que as nossas não se tocam mais,
Por vezes insisto em voltar a vê-los, mas não há uma reciprocidade, um carinho, uma preocupação e isso vão inevitavelmente, nos afastando e eu sentindo esse afastamento como rejeição. E, se eu ainda insisto, é porque de fato eu queria ter de volta aquele amigo que AS COISAS DO TEMPO, o levaram para longe de nós. Os valores gritaram mais alto que os sorrisos e as conversas hoje, são apenas por obrigação de cumprimentos formais sem ter ao certo o que dizer tal abrupto e inaceitável afastamento que hoje nos separa feitos muros de nossa própria (e plantada por nos mesmos) ignorância.
Prefiro tê-los guardados na minha imaginação, onde podíamos sorrir e brincar achando que a vida jamais acabaria. Ela não acaba quando morrermos, mas sim quando não nos permitimos mais sermos os amigos que um dia fomos.
Subitamente a rede parou, ouço alguns passarinhos orquestrando em silvos breves o cântico do entardecer, e isso me faz despertar dessa viagem de sonhos acordado, onde posso até ver que as imagens vão sumindo e a realidade da tarde triste vem ao meu encontro. Mas, na insistência de guardar tanta lembrança com um sorriso largo, ainda trago esses mesmos sorrisos dos meus amigos, as cores da minha infância, o cheiro de pão no forno a lenha, e as mais belas formas tristes de sentir saudades de um tempo que jamais tornarei viver. Se eu morresse agora, muito triste eu morreria,
F I M
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“CADA PASSO DA ESTRADA”
Eu vivi tempos, mas me faltaram ideias para o meu prosseguir envolto em tantas duvidas, e os meus passos encurtaram o caminhar. Passei perto de algumas oportunidades, mas meus pés não declinaram para as tais vias de percepção de alguns progressos. Fui muito eu, buscando outros, por achar que não se chega sozinho a lugar algum, e se chegar, o ápice da chegada não seria tão rico de aprendizado. Fui beirando vias, mas nunca tive medo de seguir. e tampouco titubeei o pisar, pois sempre acreditei que só dá topada o pé que anda. Até aqui, sim até aqui, fui um guerreiro, um desbravador, um atrevido, tive coragem de aceitar os tapas na cara que a vida me deu, os chutes que o destino me aplicou e os abraços sem aperto que alguns PSEUDOS AMIGOS me deram. Desnudei revoltas, ignorei os NÃOS e parti em busca dos SINS, mesmo sendo estes tão difíceis, mas reconheço que apesar dessas dificuldades, é possível consegui-los. Sim, é possível consegui-los, a gente só precisa acreditar, lutar e confiar que De3us está olhando por nós.
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COMO DIZER, EU SOU DA BAHIA?
Sou da Bahia, desde os tempos em que França Teixeira e Marco Aurélio erram narradores esportivos. Desde que Agnaldo, André Mario Sergio, e Osni, eram jogadores do vitória e desde que Buttice, Onça, Amorim e Baiaco eram jogadores do Bahia, e desde a fundação do ATLÉTICO DE ALAGOINHAS – O CARCARÁ – E seu artilheiro DENDÊ.
Desde os tempos em que Madame Beatriz fazia suas previsões entre passado, presente e futuro, e Omar Cardoso falava o nosso horoscopo todas as manhãs. Sou da Bahia, desde os tempos do programa esportivo NO CAMPO DO 4, e do assustador programa: EU ACREDITO NO INCRIVEL. Sou da Bahia desde os tempos do RECREIO com TIA ARILMA.
Desde a bicicleta Monark Águia de ouro e dos Gostosos deliciosos os biscoitos Tupy. (CREME CRACKER CHOCOLATE LEITE, ALEGRIA DA GAROTADA, BISCOITOS TUPY, MELHORES EU NUNCA VI, EU NUNCA VI).
Desde os tempos das PILULAS DO NORTE (PARA TER MAIS APETITE, TOME PILULAS DO NORTE). E, também, desde o comercial de xarope que dizia: CUIDADO COM A GRIPE MAL CURADA PROTEJA O SEU PULMÃO, COM O XAROPE BRANDÃO.
Desde as Lojas, TIO CORREIA, INSINUANTE SADEL, MESBLA, J.TAKESHITA, OTICAS ERNESTO (ERNESTO MEU RAPAZ) E, só por curiosidade, eu não tive o PRAZER de subir ou descer a LADEIRA DA MONTANHA. Que pena. Sou da Bahia desde que ZÉ GRILO e DONA CECÉU, comentavam sobre o NA POLICIA E NAS RUAS. Sou da Bahia, desde que eu debruçava meus ouvidos para curtir os comunicadores TONI CESAR, ou JOTA LUNA que com o seu programa deixava as tardes muito mais baianas.
Desde os tempos da CAPEMI, da CASA FORTE (Caderneta, de poupança casa forte vou abrir, meu dinheiro vai crescendo e amanhã posso sorrir casa forte é segurança Casa forte vou abrir). Desde o BANCO ECÔNOMICO, do NACIONAL, e do nosso BANEB.
Desde a JURUBEBA LEÃO DO NORTE (TEM GOSTO BOM DE BAHIA), da AGUARDENTE JACARÉ, (SE VOCÊ É BOM DE BICO E GOSTA DE TOMAR MÉ, BEBA A MELHOR CACHAÇA, AGUARDENTE JACARÉ) da BAIUCA, do SUCO MAGUARY e do refrigerante XODÓ DA BAHIA.
Eu sou da Bahia, desde que ao sair da capital para o interior (INHAMBUPE) eu embarcava no Ônibus LUXO SALVADOR, que depois passa ser VIAZUL, depois veio a CATUENSE, SANTA MARIA.
Sim, sou da Bahia, desde que essas minhas memórias, eternizam um viver de um passado tão doce, que trazem lembranças armazenada no meu cérebro, que volta e meia faz-me lembrar de tanta coisa bonita que só na Bahia vivi.
Carlos Silva – poeta, cantor e compositor, escritor de livretos de cordéis, pesquisador e Mestre de Culturas populares.
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ISO CONFINAMENTO
Eu quero as ruas sem porteiras e sem mascaras
Quero cantar viver sonhar e divertir
Não me tranquem, pois os versos reprimidos.
Em pouco tempo pode até se diluir
Não sou culpado pelos erros de alguns
Que destruíram o viver em um segundo
E alastrou o vento da morte assustando
E destruindo o sorrir de todo o mundo
Não sou uma peça que se joga num tabuleiro
E não aceito ser assim manipulado
Quero meus passos nas calçadas e nas ruas
E a liberdade de EXERCER o canto falado
Se há um vírus pode haver a competência
Imediata pra sanar a situação
Se em pouco tempo vocês constroem uma bomba
Operem o cérebro em favor da solução
Pois nosso povo está morrendo a cada dia
E feito gados estamos em nossos currais
Trancafiados e vocês criando as leis
Enquanto o povo vai morrendo mais e mais
Não vou viver de AUXILIO EMERGENCIAL
Preciso logo desse alvará de soltura
Quero andar e seguir no meu oficio
Sou um artista fruto da nossa cultura.
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VELHOS
Fiquei na estrada vendo a caminhada caminhar por mim.
Meus pés já cansados, meus versos largados,
Meus passos no fim.
Se eu fui o primeiro, sou um derradeiro tão só a seguir,
Nos botes nos laços, onde estão outros braços,
Que já não os vejo aqui?
Deixaram-me o sonho e os tantos elogios se perderam no ar
Hoje estou esquecido, sou um barco perdido,
Na deriva a vagar.
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DEVE SER BOM MORRER
Morrer é uma arte. Deve ser bom morrer, ir adormecendo aos poucos achando que vai dormir e que logo logo acordará para enfrentar o mundo com suas vantagens e desvantagens em vivê-lo.
Deve ser bom morrer. Não mais pagarás as dividas (mesmo que carregue pro tumulo o nome de caloteiro, e dai)?
Voce pode até ser um Messias, mas não faz milagres para ganhar dinheiro, né verdade? E dai? Perguntarão alguns que nunca se preocuparam contigo.
As coisas ficarão os amigos aparecerão para consolar os teus parentes que aqui ficarão alimentando (Por um limite de tempo) a tua falta em suas vidas.
Mas será tão bom (mesmo que tu não saibas mais disso) que muitos dirão palavras tão belas ao teu respeito, inventarão historias para extrair risos de quem tiver saco para escutar. Pode até aparecer alguém para perguntar aos teus familiares: E AGORA, QUEM PAGARÁ CONTA QUE ELE TINHA COMIGO? É nessa hora que já instruir os meus para partir com a resposta pronta: Chegue ali perto do caixão e pergunte a ele. Mas fale baixo pros outros não ouvire a conversa.
Deve ser bom morrer. No velório (Cheio de gente que não cabia mais um pé num centímetro quadrado), alguém ia tecendo comentários se aproveitando da situação ali exposta e dizia: Quantos virão ao velório e ao sepultamento tecer palavras honrosas chorosas e tristes? O Face book, Instagram. Twiter, caixas de mensagens dos E-mails, Mensagens no Whatsapp, Messenger e os cambal a 30. Nossa! Nossa... como voce era querido, amado, respeitado, admirado, curtido, lembrado, bem quisto, elogiado, preferido, chamado, convidado, destacado. Caramba, estou boquiaberto.
Quanto amor carinho, amizade, respeito, lealdade, fidelidade, ternura, confiança as pessoas tinham e sentiam por voce.
Mas afinal, ele morreu de que? Indagada a viúva e os filhos ali juntos abraçados, cada um ia respondendo mais ou menos assim: Depressão. Pois há tempos ninguém lhe estendeu a mão em nenhum dos seus projetos. Ninguém o convidava mais para fazer as coisas que sempre fez quando podia antes do AVC.
Foi secando de tristeza por ter ajudado a tantos e ter se sentido sozinho sem ter um amigo que o amparasse, Morreu de tédio porque nunca pôde contar com apoio e nem ajuda das pessoas que ele tanto ajudara em vida. Morreu dizendo que daria tudo na vida pra ter um abraço da pessoa que ele tanto admirava como amigo, companheiro de tantas labutas de outrora. Antes de chegar ao caçula, só restavam a esposa, os 5 filhos, os coveiros e o administrador do cemitério a ordenar: VAMOS ENTERRA-LO. Não sobrou mais ninguém para velar o corpo. Uma lágrima escorre da face da viúva, ela se dirige ao caixão para dar a ultima olhada no companheiro que dividiram o feijão e o sonho juntos, toca-lhe a testa e diz: Adeus meu amor. Volta o olhar para os filhos e com a voz triste pelo pesar na alma carregada de tanta tristeza e solidão, ainda arranca de dentro de si forças para dizer com tremendo sarcasmo: DEVE SER BOM MORRER. Agora compreendo o que ele queria dizer, a todo instante que via um noticiário nas redes sociais, dizendo que alguém tinha morrido, pois a partir dali, eram intermináveis as palavras de elogios ao defunto, que chegava até lhe doer no coração ao pensar de como as pessoas são imediatistas em seus sentimentos efêmeros e medidos do tamanho que querem que os outros vejam o seu sentir.
Sim, AGORA EU CREIO DE VERDADE: DEVE SER BOM MORRER.
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QUANDO MORRE UM POETA. (Partículas de poesias)
Quando morre um poeta, apaga-se no luzeiro, ou no forro do alto infinito a luz da palavra, a frase do dizer, e o sentimento mais nobre de uma inspiração recebida e doada. Quando morre um poeta, o céu sorri, pois sabe que ali abriu espaço para receber mais uma estrela que veio da terra para encantar a imensidão do céu. Suas palavras estarão ligadas entre terra e firmamento, pois não serão esquecidas e sempre haverá alguém declamando ou cantando as obras que um poeta na terra deixou. Todo artista da palavra é um anjo que unindo aos outros segmentos artísticos, formam constelações de saberes. Palavras são sementes, versos são fertilizantes e poesias são os frutos de uma seara fecunda que jamais se acabará, pois fora ali lançada pela voz e pelo coração de um poeta.
Quando morre um poeta, a gente declama, canta em seu velório, mesmo sabendo que o seu espirito não mais está ali para ouvir tantas homenagens a este prestada.
Mas, em nossos corações, é como se ele estivesse sim, presente, pois a sua arte o trará sempre para o convívio de todos nós, mesmo que seja para lhe dar o ultimo adeus. Quando morre um poeta, a poesia chora, os corações tremem e a saudade machuca tanto que a primeira coisa que a gente faz após passar o momento de despedida, é mais uma poesia brotada de outros tantos corações que jamais permitirá que ela morra de vez.
Por isso, é que chamam poetas de imortais, pois estes, de fato, nunca morrem.
Carlos Silva – Um Artista da palavra.
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A MINHA IDA PRA LUA
Quando um dia eu for na lua, quero ve-la bela e nua com seu brilho prateado, Sem Jorge e sem cavalo, quero beija-la num estalo sem ter dragão enfezado.
Sem astronautas por perto, sem NASA dizendo que é certo só ela botar bandeira Lá enfincarei com graça farei tremular a raça da minha nação brasileira.
Meu foguete será o sonho num ir e vir veloz medonho so pra lhe roubar um beijo. Não me importa sua forma, onde o mundo lhe deforma comparando-a com queijo.
Eu ja fui e ja voltei, nem daqui me levantei, pois a poesia me levou, Quem pensa que estou mentindo, não viu um poeta fingindo, como Pessoa falou.