Estou calada,
não sinto nada
só uma dor que rasga a alma
por que
ninguém nunca acreditou?
por que
ninguém nunca me olhou?
não tive culpa de ser demais
não tive olhos pra ser a mais
não tive voz pra pedir
me segurem
me amparem
me ajudem a seguir
Matei sonhos
matei futuros
sou assassina de possibilidades
nunca quis isso
uma criança sem existir
Estou calada,
não sinto nada
só uma dor que rasga a alma
por que
ninguém nunca acreditou?
por que
ninguém nunca me olhou?
respirar
me cuidar
olhar meus pequenos
e não machucar,
me ferir
sobreviver entre
escombros
assombrando meu eco
oco, seco,
nada real
despersonalizado
dessensibilizado
irreal
imoral
crescendo na dor
do abandono
agir
era a opção
para existir
sem pensar
pensar era muito
e o tempo
era de sobreviver
Estou calada,
não sinto nada
só uma dor que rasga a alma
por que
ninguém nunca acreditou?
por que
ninguém nunca me olhou?
o mundo
ninguém nunca disse
ninguém nunca fez
ninguém me mostrou
ninguém me cuidou
aprendi só
a vida como consegui
fiz meu melhor
e não morri
o que teria sido
virou em “sobrevivi”
fracassos dos sonhos
fracassos das coisas
fracassos de estar entre os bons
sigo sozinha
porque assim
me vejo inteira
protegida
querida
apenas por mim
ninguém nunca sente
ninguém me entende
ninguém me cuida
ninguém me enxerga
existir
Estou calada,
não sinto nada
só uma dor que rasga a alma
por que
ninguém nunca acreditou?
por que
ninguém nunca me olhou?
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.