Carol Ortiz

Carol Ortiz

A minha intensidade vomita existências...

n. 0000-09-18, Campinas, SP

Perfil
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UM CANTO PARA A MORTE

Se a morte é sorte
que seja forte
quem vivenciá-la

porque encará-la
mesmo com coragem
supõe a bagagem
de ansiedade
incredibilidade
e medo
de achar que é cedo

tudo não tarda
e antes que parta
é bom se perder
nas entranhas da vida
que tão resumida
entrega-se à morte
que, cá entre nós, seja forte


2021
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Biografia

Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: [email protected] (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
 https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber

Poemas

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COREOGRAFIA CÓSMICA

A CHAVE DA NOSSA GRANDE COREOGRAFIA CÓSMICA ?

Acordei agora, encharcada de suor e ofegante, depois de um sonho (? - real demais!) bizarro e ligado à raiz de todas as minhas crises de id: O QUE MAIS ASSUSTA NÃO É A IDEIA DE UM FIM, MAS A AUSÊNCIA DELE..

E se somos apenas ecos de existência, num loop infinito pela Eternidade? Não há vida, não há morte, apenas o de novo, de novo,  de novo... Tudo sem razão de ser, presos ao caos? Não existe linearidade, nem escapatória,  giramos, assim como plsnetas, numa órbita atemporal de um nada...

A primeira coisa que estou fazendo hoje é escrever aqui, pra me lembrar sempre sobre essa rachadura na estrutura da realidade: esse pensamento, praticamente uma intuição, anscestral, familiar, finalmente foi traduzido! O meu desespero não é por terminar, mas sim por continuar pra sempre, num oco exaustivo, sem sentido, vazio...

Fui uma criança que entrava em parafusos quando pensava sobre existir, findar ciclos, morrer e sempre parava nesse mesmo ponto: "e se dançamos, prisioneiros do caos, uma valsa sem fim?" A única palavra p descrever tudo é  ANGÚSTIA!!!!

É por isso que Dark é uma das melhores e mais significativas séries já feitas até hoje e Nietzsche é um dos filósofos mais lidos na minha biblioteca. Eles repetem e traduzem todo esse meu desespero desde sempre (e sempre e sempre e sempre...)

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A CHAVE DA NOSSA GRANDE COREOGRAFIA CÓSMICA?

A CHAVE DA NOSSA GRANDE COREOGRAFIA CÓSMICA ?

Acordei agora, encharcada de suor e ofegante, depois de um sonho (? - real demais!) bizarro e ligado à raiz de todas as minhas crises de id: O QUE MAIS ASSUSTA NÃO É A IDEIA DE UM FIM, MAS A AUSÊNCIA DELE..

E se somos apenas ecos de existência, num loop infinito pela Eternidade? Não há vida, não há morte, apenas o de novo, de novo,  de novo... Tudo sem razão de ser, presos ao caos? Não existe linearidade, nem escapatória,  giramos, assim como plsnetas, numa órbita atemporal de um nada...

A primeira coisa que estou fazendo hoje é escrever aqui, pra me lembrar sempre sobre essa rachadura na estrutura da realidade: esse pensamento, praticamente uma intuição, tão familiar, finalmente foi traduzido! O meu desespero não é por terminar, mas sim por continuar pra sempre, num oco exaustivo, sem sentido, vazio...

Fui uma criança que entrava em parafusos quando pensava sobre existir, findar ciclos, morrer e sempre parava nesse mesmo ponto: "e se dançamos, prisioneiros do caos, uma valsa sem fim?" A única palavra p descrever tudo é  ANGÚSTIA!!!!

É por isso que Dark é uma das melhores e mais significativas séries já feitas até hoje. Ela repete e traduz todo esse meu desespero desde sempre...

2025

79

Tradutora do Estranho

*TPB- Transtorno de Personalidade Borderline 
**TEA- Transtorno do Espectro Autista
***neuroatípico- pessoas ditas normais, sem diagnóstico 
****neuroatípico- nós, os charmosos esquisitinhos

Pessoas "normais"
seguem códigos, 
dizem o que deve ser dito 
e me entedia.
É tudo previsível, 
irritantemente suave, 
sem alma,
burocraticamente raso,
numa mesmice sem fim...
Gosto de quem cabe no DSM,
que percebe o mundo 
de forma crua, 
sem verniz, 
sem roteiro, 
sem filtro
Sou tradutora emocional
e traduzo, 
com prazer, 
os que sentem demais,
que vivem no limiar do caos (TPB) 
ou os que sentem diferente (TEA)
Mesmo sem palavras,
sou compreendida, 
amada como tem que ser: 
Real,
sem tutoriais,
apenas sendo...
Gosto do desafio 
de mergulhar,
profundamente, 
no outro
e me sentir  viva, 
desperta, 
inteira
Não preciso me explicar
nem fingir com essas pessoas
Sou aceita,
livremente aceita!
Nos entendemos 
sem pressa...
Pessoas neurotípicas,
ditas normais,
ensaiam para viver
É tudo morno, 
certo,
num palco
vazio...
Eu, TPB,
definitivamente 
não aprecio o morno:
ou é gelo
ou é fogo,
ou é nada ou é tudo,
mas que seja alguma coisa!
Meu farol é o neuroatípico
Me reconheço nele,
somos espelhos,
tentamos existir num mundo estranho
Ao seu lado
posso florescer,
posso ser eu,
posso transbordar, 
porque sempre haverá uma ponte,
um elo,
uma linguagem
que só nós falamos 
e que comunica
o mais belo e sensível 
significado da existência 

2025



 





 








 

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Acolhedora do Inusitado

Não me cabem os "certinhos"
Gente reta demais me entedia 
Prefiro os tortos, os diffceis, 
os que tropeçam nas próprias ideias 
e ainda assim continuam dançando Sou feita daquelas que choram
no meio da risada,
que sentem demais, ou de menos  
mas sentem real
Amo quem não sabe fingir, 
quem me deixa curiosa, 
quem carrega um mundo escondido atrás de um olhar meio fora de lugar
Tenho carinho por tudo
que escapa do molde:
o riso nervoso, 
o silêncio incômodo, 
a pergunta que não se encaixa
É ali que mora a verdade...
Não me venha com conversa normal, gente normal, 
vida normal 
Quero o esquisito bonito,
o sensível mal lapidado, 
o caos com ternura
Sou abrigo pra quem nunca pertence, e, mesmo em pedaços
sei reconhecer a beleza 
daquele que ainda tenta, 
aprende,
luta pra ser inteiro
(o mundo neurotípico é mais despedaçado do que nós...)

2025

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Como fiquei invisível


Eu era só uma criança e, mesmo assim, vocês me machucaram. O que foi feito teve um efeito além do imaginável e moldou um novo adulto: quebrado.
A dor — muito além da física — criou chagas, sangrou… e sangra até hoje.
Todo o desespero se alicerçou não apenas nas ações cometidas, mas — e isso é o mais triste — na ausência delas: o silêncio, a omissão, a compactuação com o mal, a frieza, a humilhação. Isso me estilhaçou tanto quanto os espancamentos, o corpo machucado, as cicatrizes e os pedaços mutilados.
Quando se é responsável por outra vida, a missão é simples, ainda que exija esforço: proteger.
Senti medo, solidão, abandono emocional, exposição, terror, vergonha, culpa, desespero, desamparo. Nunca soube onde pisar. Sempre estive em meio a uma tempestade e nunca consegui ficar em pé. Nunca soube nada sobre mim: minhas possibilidades, minhas potencialidades, minha verdadeira personalidade.
Fui moldada para não existir, para ser um nada, para engolir todas as minhas palavras, como se elas não devessem ter efeito no mundo. E eu era uma criança: jovem demais para entender, mas grande demais para esquecer.
Sempre acreditei que o problema era eu. Sempre fugi das pessoas porque, na minha verdade distorcida, eu era podre demais para ser amada e desastrosa demais para não causar danos. De uma forma ou de outra, me fizeram acreditar que eu era o grande mal e o incômodo de todos ao meu redor.
Alguém tem ideia de quanto me feri? De quanto sangrei para conseguir um milionésimo de segundo de paz? Em quantos banheiros me machuquei para poder sair inteira? Quantas noites sem dormir, fumando um cigarro atrás do outro, pedindo a Deus que me levasse para um lugar onde eu pudesse, enfim, ser eu mesma?
Me sentia suja, indigna, imunda, pútrida e seca demais para tocar alguma alma.
Quantas vezes acordei desesperada, sem conseguir respirar, com o coração acelerado, vomitando — literalmente — meu desespero, pronta para lutar com as lembranças reais que invadiam meus sonhos? Nunca tive direito de sonhar em paz.
O mais perto que cheguei disso foi quando usei e abusei de substâncias, mas entorpecimento não é sinônimo de descanso.
Sempre achei que o problema era eu:
— Eu sentia demais.
— Chorava demais.
— Respirava demais.
— Falava demais.
— Queria demais.
— Existia demais.
Mas agora eu sei: eu só queria ser amada. Queria ser real. Queria ser de verdade.
Fui invadida. Me tocaram sem permissão. Arranharam minha alma e feriram meu corpo, ultrapassando o limite da minha mais profunda intimidade. E eu nunca disse nada. Minha privacidade foi arrancada. Fui desrespeitada, ignorada, violentada — no sentido mais amplo que essa palavra pode alcançar.
Nunca quis isso. Nunca quis o silêncio. Nunca quis o controle. Nunca quis o julgamento que vocês tanto lutaram para manter sobre mim.
Eu merecia ser criança. No sentido mais puro e ingênuo que isso pode significar.
Tive sorte de construir um mundo solitário, mas seguro, para sobreviver: minha imaginação fértil, meus cachorros, a natureza e a música — um mundo cheio de figuras míticas que eu mesma criei (como Osvald, o elefante branco com bolinhas azuis, que me levava à escola todas as manhãs).
Fiquei amiga da minha solidão, porque sabia que ela jamais me machucaria.
E decidi algo interessante, com quase 50 anos de idade:
Não vou mais me culpar.
Não vou mais sentir vergonha pelo que não posso mudar.
Não vou mais me diminuir para caber no que me ensinaram.
Fui programada para ser uma coisa, um objeto.
Decidi mudar essa programação.
Decidi, agora, que vou ser alguém que vive por mim — e não contra mim.
É curioso… Quando recebi meu diagnóstico, passei por vários especialistas. Dois deles tiveram reações que, de certa forma, dissiparam minhas dúvidas:
Um se recusou a iniciar o tratamento porque disse que minha história era forte demais — além das capacidades dele.
A outra precisou pausar uma das minhas falas e, com lágrimas nos olhos, me abraçou dizendo com ternura:
"Sinto muito."
Se ainda existia dúvida de que eu vivi abusos, ela se dissolveu ali.
O mais estranho é que a gente se afeiçoa tanto às próprias correntes que elas acabam virando parte da nossa personalidade.
Mas agora, eu só quero envelhecer em paz.
Na aventura da quietude intrigante do autoconhecimento.
Quero estar rodeada de pessoas boas, que me amem, me conheçam e me aceitem como eu sou.
Quero pegar no colo a criança que fui, mimá-la, amá-la, confortá-la — e dizer, com toda a convicção:
"Ninguém jamais vai te ferir de novo."

 

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DESESPERO


Sou um pedaço devorado
Peça perdida, quase extinta
Sou um abismo no agora
Minha alma e minhas feridas 
Meu corpo mutila, minhas frases terminam
Minhas fases destroem o meu corpo de menina 
Me jogo no fogo e sinto o desespero 
Me sinto num deserto da existência em ruínas 
Medo de te ver
Medo de te querer
Medo de saber
Que sou humana com você 
Medo de você 
Medo de mim
Medo de saber 
Que toda história tem um fim
Desespero 
Meu labirinto ecoa toda essa estranha  confusão
Estou perdida
Uma criança maltratada,
Reescrita para uma história editada
É ir dormir pra esquecer
E acordar bem antes de envelhecer
Pânico 
Medo de te ver
E de te querer
Medo de você 
Medo de mim
Medo em saber
Que essa história não terá fim

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Comentários (6)

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Ademir domingos zanotelli.
Ademir domingos zanotelli.

Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.

Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.

Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.

Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.