Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :) Se quiserem se corresponder, e-mail: [email protected] (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros: https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber
Violência urbana uma vida inteira num fim de semana ganância, dinheiro, riqueza mais um drana violência gerada da pobreza revolta, medo, façanha pisada por incerteza por azar, por fama usam armas revólver, faca não engana enquanto os outros com meras palavras se armam com campanhas ratos de esgotos nojentos e escrotos geram conflitos rebelam-se num grito fome, dor, miséria, morte violência urbana acaba com a história num fim de semana
ANO: 1995
122
ESTRADAS
Estradas meras estradas que não me levava à nada era falsa, er amarga era angústia, era pálida era ilusória, era apenas uma estrada
Estradas várias estradas que nos deixam fazer nos escondem o querer sem querer saber por que era duvidosa, era magra era somente mais uma estrada
Estradas que nos tiram do nada nos monstram o bem, o amor nos faz ser humanos, nos tiram a dor e mostra a paz interior é pacífica, bonita é a real estrada
ANO: 1994
124
QUEBRA DE GELO
Olhe no seu interior viva o seu vapor queira sua essência grite a sua existência mixe a sua alegria junto com a rebeldia negue seus desinteresses agarre seus interesses beba da sobrevivência despeje sua carência sinta sua realidade viva todas as idades chore seus temores desintegre seus pavores esqueça os invasores viva só seus amores desperte a felicidade invente sua verdade respire seus desejos fale a certeza sem medo a hora nunca é cedo consiga ser "quebra de gelo"
ANO: 1994
111
ALEGRIAS
Alegrias, sonhos, ilusões, fantasias duendes da imaginação habitam um coração meio maluquinho menino espertinho mundo de arco-iris dentro de um píres vive de emoções perigos e paixões seus deuses da emoção cantam suas canções é alegre e feliz sabe tudo o que diz sem vergonha e sem medo cada um tem sei jeito
ANO: 1995
112
ELEITORES DE ELITE
Vivem em bolhas longe da verdade não enxergam o outro nem tem humanidade saem em comitiva nos carros do ano não pensam que pessoas morrem por seus planos são hipócritas, egoístas, se mostram além do poder aquisitivo que na realidade têm são sombrios doentios, irreais anormais fantoches sociais
ANO:1993
316
MÁSCARAS
Tirem suas máscaras homens primitivos da tecnologia avançada Tirem suas máscaras sociedade hipócrita da falsa moral Tirem suas máscaras soldadinhos do preconceito da sociedade moderna Tirem suas máscaras homens de uniforme estou sem o meu por que todos me olham? Por que todos me condenam? Não estou só, mesmo separados existe o pensamento existe a memória porque minha máscara caiu faz algum tempo será que é agressão ser verdadeiro? Acredito em alguém que já esteve só sem máscara, sem falsidade deixado de lado por ser verdadeiro Tirem suas máscaras e nos entendam
ANO: 1995
106
FANTASIA NO SÍTIO
Foi representada na abertura da I Semana de Letras de São José do Rio Pardo, Brasil.
(No sítio do Pica Pau Amarelo...) Visconde de Sabugosa: Boa noite, senhoras e senhores, estou aqui para...para...para...Ih, esqueci o que ia falar...Que horror!
(Visconde fica parado e pensativo. Entra Emília)
Emília: Olá, Visconde, como vai? Como está a família? Visconde: Oh, bem, obrigado!...Eu tenho família?
(Emília faz cara de surpresa e olha de uma forma confusa para o público)
Visconde: Quem é você, afinal de contas? Emília: Sou eu, a Emília! Visconde, o que está acontecendo? Visconde (a beira do desespero): Eu não sei...eu não sei nada! Eu não sei mais nada!!! (berra)
(Emília dirige-se à platéia indignada)
Emília: Gente, e agora? O Visconde não sabe mais nada! Ele esqueceu tudo! Bem, acho que tenho a solução. Vamos procuraro Tatu Sabe Tudo. Foi ele quem descobriu a pílula falante. Ele tem o livro mágico que fará o Visconde lembrar de de tudo.
(Emília começa a procurar pelo cenário)
Emília: Seu Tatu? Seu Tatu?
(entra o Tatu com um livro na mão e Visconde continua caminhando pelo palco, desorientado)
Tatu: Oi Emília, trouxe o livro que me pediu! Emília: Como eu uso? Tatu: É fácil! Basta ler...Ah, mas tem parte mais difícil. É meio fácil e meio difícil Emília: Qual é a parte difícil? Tatu: Você vai ter que encontrar no mínimo 20 pessoas, humanas, para ajudá-la a entrar no livro. Emília: 20 humanos!? E o que faço depois? Tatu: Você tem que fazer todos repetirem a frase milenar mágica. Emília: E qual é? Tatu? "No fundo, do fundo prpfundo, está a lembrança de todo esse mundo". Emília (repetindo em voz baixa): " No fundo, do fundo, profundo, está a lembrança de todo esse mundo". É fácil! Agora só falta encontrar os humanos. Tatu: Mas não é só isso, não! Esses humanos terão que vê-la como líder. Eles terão que ficar em pé, dar 3 reboladas, 3 pulos e 3 balançadas de cabeça. Faça comigo!
(Os dois ficam no meio do palco e fazerm todos os movimentos)
Emília: Ah, ótimo! Acho que aprendi! Obrigada, Seu Tatu Sabe Tudo. Agora vou procurar esses humanos.
(Seu Tatu sai lentamente) (Emília procura pelas pessoas) (Emília para e, com cara de surpresa, aponta para alguém na platéia)
Emília: Ei, senhor! (aponta alguém na platéia) O senhor de blusa (fala a cor). O senhor é humano?
(Emília conversa e improvisa com a pessoa escolhida) (Emília percebe que está cercada por humanos) (Emília dirige-se à platéia)
Emília: Nossa, quanta gente! Pessoal, preciso da ajuda de vocês! O Visconde (aponta para o Visconde que continua andando desorientado pelo palco) perdeu todas as suas lembranças. O Tatu Sabe Tudo me deu esse livro para poder resgatá-las. Para isso, entretanto, preciso da ajuda de vocês. Preciso que todos repitam comigo bem alto a frase: "No fundo do fundo profundo está a lembrança do mundo". Depois vocês deve dar 3 reboladas, 3 pulinhos e 3 balançadas de cabeça. Pode ser? Então vamos lá. Vamos ensaiar primeiro.
(Emília ensaia com os presentes, improvisando diálogos).
Emília: Vamos lá, agora é para valer: "No fundo do fundo profundo está a lembrança do mundo"
(Todos fazem os gestos e quando o silêncio volta ao normal, ela abraça o Visconde, abre o livro e começa a ler)
Emília (lendo o livro): Houve um tempo em que o tempo se perdeu. Há muitos e muitos anos, conta um livro que os homens falavam a mesma língua. Todos se entendiam e a comunicação era perfeita. Os homens iam para qualquer lugar sem se preocuparem em ser entendidos. Dizem, porém, que alguma coisa aconteceu...
Visconde (interrompendo a leitura): ...ah, me lembrei! É a história de uma torre. Como é o nome? Pastel? Rapunzel? Papel?
Emília: Babel! É a torre de Babel! Visconde: Os homens começaram a construir uma enorme torre com o objetivo de chegarem no céu. Mas, algo deu errado e cada um começou a falar seu próprio idioma. Interessante, desde sempre a Linguística fez-se necessária... Emília: Foi aí que começamos a falar Português? Visconde: Não, Emília, ainda não. Leia mais um pouco. Não consigo me lembrar.
Emília:"...com o orgulho do homem, dividiu a população em línguas: o Latim e o Grego..." Visconde, antes não existia escrita? Visconde: Exato! As línguas não eram escritas como são hoje. Algumas até tinham alguns símbolos, mas não um alfabeto. Interessante, estou me lembrando. Continue... Emília: "O Latim apareceu na Península Ibérica. Foi uma língua muito importante para a civilização contemporânea porque, por meio dela, outros idiomas foram originados." Visconde: E o nosso Português está enraizado nessa língua! Emília: Mas por que em Portugal se fala diferente, Visconde?
Visconde: Porqueno Brasil, apesar de ter sido colonizado pelos portugueses, houve uma mistura de idiomas. Tínhamos, aqui, várias tribos indígenas que falavam sua própria língua. Tivemos, também, os holandeses na Bahia, alemães no sul, os italianos no centro-oeste, enfim, somos uma mistura de idiomas. É, mais ou menos, o que ocorre na Inglaterra e Estados Unidos.
Emília: Ué, por que? Não falam inglês nesses dois países?
Visconde: Mais ou menos. Na Inglaterra o inglês é britânico, visto que esse país compõe a Grã Bretanha. Os ingleses tiveram influência dos povos nórdicos. Aquelas histórias de vickings que você estudava na escola aconteceram lá. Já os americanos tiveram influência dos ingleses, que por sua vez também tiveram suas sinfluências, das línguas indígenas que lá existiam, dos mexicanos, dos europeus em geral e, com isso, depois de toda essa salada, o resultado foi o sotaque que as pessoas têm hoje.
Emília: Ah, entendi!
Visconde: Leia mais um pouco.
Emília: "O importante não é o número de línguas que são faladas, mas sim o fato de que somos seres à procura de comunicação para a compreensão de nós mesmos.
(Emília fecha o livro)
Visconde: Interessante, agora me lembro de tudo. Me lembro até de Monteiro Lobato! Emília: Mas Visconde, existe uma língua certa? Visconde: Não, Emília. Cada idioma tem a sua própria história, sua cultura, suas marcas. Ninguém é melhor que ninguém. Julgar alguém por causa de sua língua seria o mesmo que julgar você inferior à Narizinho porque ela não é boneca. Como já dizia um poeta: "Olhe de novo: não existe branco, amarelo, negro. Somos todos arco-íris".
Emília: Que lindo! Vamos comer bolo na casa da Dona Benta? Visconde: Vamos
(Os dois saem. Emília retorna sozinha, dá uma piscada e agradece)
Emília: Pessoal, obrigada pela ajuda. Agora que o Visconde já se lembrou de tudo, vou brincar com o Rabicó.
(Fecham as cortinas)
ANO: 2005
358
CONFISSÃO
Entre folhas e linhas confesso meus sonhos desejos e medos todas as coisas minhas que podem ficar perdidas no tempo de um tempo que ainda não veio
ANO: 1995
132
JOÃO
Nasceu João, filho da Nação ainda pequeno, de bom coração família não teve, infância também não viveu nas ruas batalhando a fome sendo esmagado pela população foi trabalhar e tentou se virar mas o preconceito era maior que esnobavam o menor
Cresceu João, filho da Nação apesar das dificuldades, tinha bom coração aprendeu a viver com o medo e a dor com a fome, com a vida com o preconceito da cor varria ruas, entregava papelada ganhava um dinheiro que para nada dava
Viveu João, filho da Nação com tantos horrores, não tinha coração aprendeu a lutar, roubar, matar foi preso mas conseguiu fugir de lá namorava a bonita e bela Maria nessa época foi feliz tinha tudo o que queroa até que uma noite João foi roubar estava feliz, nunca precisou matar então foi dormir e com os anjos sonhar mas no dia seguinte não precisou acordar
viu, então, toda a população mais um corpo jogado todo ensanguentado estendido no chão, embaixo do Minhocão Morreu João, filho da Nação com apenas vinte anos de idade foi vítima da sociedade
ANO: 1992
501
DÚVIDA
Fazer perguntas e obter respostas leva-nos a fazer um esforço ainda que as falas sejam tortas velejamos num esgoto inspirando-nos em cordas ou apenas um esboço
Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.
ademir domingos zanotelli
Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.
Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.
Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.