Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :) Se quiserem se corresponder, e-mail: [email protected] (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros: https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber
"E ele?" "Não se preocupe!...Viveu o suficiente para viver o necessário"
ANO: 1998
323
ELA, ELE, TU - DESFECHO DE UM POLIAMOR COMUM
Ela foi sincera quando o beijou Ele foi sincero quando a olhou Ela foi sincera quando lhe falou Que amava muito e de tanto muito Todosn eram o seu amor
Ele foi sincero quando te olhou Ela foi sincera quando te beijou Ele foi sincero quando te tocou Impulso além do mágico Lhe pegou nos braços Lhe fez amor
Eles foram sinceros quando se tocaram Vira que tinham tudo e não tinham nada Entregaram-se aos teus braços tão calmamente E adormeceram embebidos na libido ardente
Ele está mentindo quando diz "amor" Ela está mentindo quando acreditou Ele está mentindo se não lhe falou Ela está mentindo se só lhe calou (com um beijo de filme pornô)
Estão mentindo e por isso estão felizes e felizes vão viver até o tédio os enlouquecer
ANO: 2002
324
DOIS PÁSSAROS
Existiam dois pássaros que, um dia, num desses vôos rotineiros, se chocaram e começaram a encarar a vida de outra forma. De repente, o que parecia ter sentido, passou a ser insignificante. Perceberam que deviam voar juntos, cruzar mares e ver o mundo sem se separar. Uma das aves estava pronta e desejava, como desejava!, começar a jornada o antes possível. O outro pássaro, no entanto, sentiu-se amedrontado: o mundo é tão grande, como aguentar tamanha aventura? O primeiro avnetureiro, decidiu partir. Foi buscar emoções, paisagens, desconhecido, foi trilhar seu caminho. Após cruzar todo o mundo, encontrou uma árvore e ali construiu seu ninho. Sentiu saudade do outro companheiro e decidiu buscá-lo para a maior viagem de sua vida: a construção da família. Entretanto, a distância que os separavam era enorme e ambos estavam velhos demais para enfrentar uma jornada tão assustadora. Hoje, todas as tardes, os dois pousam sobre seus ninhos (cada qual em um lado do mundo) e, num suspiro, cantam, se perguntando: "como teria sido se..."
ANO: 1998
111
CRISE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Chapeuzinho Vermelho na floresta estava e os doces na cesta à vovó entregava e o lobo, guloso, os doces roubava e o caçador esperto, com sua espingarva atirava
Ah, como a vida era feliz! Enquanto a crise não abalava o país até as historinhas econômicas ficaram e a imaginação está custando caro
Chapeuzinho Vermelho n cidade andava e a cesta da vovó vazia estava e o lobo, coitado, no zoológico ficara e o caçador, infeliz, vendera a espingarda
Ah, como pode? Como isso aconteceu? Chapeuzinho é infeliz E o lobo enlouqueceu
Chapeuzinho, coitada, foi à Praça da Sé Assaltaram a infeliz Levaram seu chapéu E deixaram a menina Sozinha e a pé
E a vovó, que tristeza! Sem a cesta ficou Ignorada pela sua idade Num asilo se internou
O lobo que no zoológico permanecera alguns meses acabou virando pele de casaco de burgueses
O caçador vendeu a arma e precisou trabalhar acabou se matando pois tinha contas a pagar
Ah, como a vida muda! No país das maravilhas a realidade já é madura!
ANO: 1993
382
ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE
O ser humano é um estranho laço de atos marcados a figura de um homem perdida na neblina celestial trás a lembrança de coisas além da imaginação humana os laços que os unem são individuais cada um tem o seu, cada um tem sua hora, sua escolha, seu destino seu modo de ver Caminham por estradas solitárias únicas e isoladas nosso tempo é único nossos sonhos são além viver é a arte que engloba o misticismo e a ciência a sabedoria e o aprendizado viver é andar sozinho e encontrar a cada dia deus
ANO: 1999
132
SENSIBILIDADE
Por que começar a escrever é tão difícil? Talvez seja porque nos encontramos conosco mesmo e enxergamos coisas tão curiosas e assustadoras. Um escritor sabe que nunca será perfeito e também não alcançará o sublime. A vida passa e sabemos que um dia iremos morrer e esperamos fazer algo de bom para todos os seres vivos. Talvez minhas escritas poderão servir para o bem, um incentivo. Enquanto isso, vou vivendo. Nossos sonhos podem ser agarrados com tal força que, ser fizer parte do destino, isto é, estar no lugar certo e na hora certa, acontecerá. São várias as crenças que dizem que nossa sina já vem escrita, mas o que vale mesmo é ter atitude, é saber ter iniciativa e construir o dia-a-dia...
ANO: 1998
128
VOCÊ SABE AMAR?
Você sabe amar? Estou aprendendo a aceitar as pessoas, que nos desapontam quando fogem do ideal nos ferem nos amedrontam
É difícil aceitar diferenças não é muito aprazível não desejo que seja desta forma, previsível
Aprender a amar a esccutar a olhar e ouvir com vontade, afeto ver uma alma sorrir
Olhar ombros caídos, olhos vazios, mãos inquietas, escutar a verdade em poucas palavras gestos, ser poeta
Descobrir a dor de cada coração perdoar desavenças apagar cicatrizes jogar mágoas na lata do lixo e penetrar na imensa vastidão do verdadeiro humano cigano engano
Não há sintoma de lástima autocomisseração extingue traços de dor passo a passo desvalorização
Dentro de cada vida valores e rejeição experiências duras sofridas falta compreensão vividas ao longo dos anos ver, distante, as possibilidades de sorrir entre milhares de situações é preciso aceitar precisamos aprender a vida precisamos aprender a amar
ANO: 1999
120
MEMÓRIAS
Sã Paulo, 7 de maio de 1980
Querido Rodrigo, A viagem foi bem. Um pouco cansativa, mas bem. Essa primeira semana foi empolgante. Após tantos anos, mudei a rotina. Nem acredito que passei tanto tempo de minha vida fazendo a mesma coisa. Você foi um amor em me mandar para cá. Embora sinta saudade de todos, estou muito bem aqui. Minha rotina ainda não está definida. Estou um pouco perdida, mas espero logo me acostumar. A única coisa que me incomoda é a falta do meu filho. Diga-lhe que o amo muito e logo irei revê-lo. Mando-lhe um abraço e agradeço mais uma vez.
Carinhosamente, Luísa
_______________________________________________________________________________________________ São Paulo, 10 de abril de 1981.
Querido Rodrigo, Faz quase um ano que aqui estou e sinto falta de você. À noite, quando a insônia vem, fico me lembrando de quando o conheci. Você veio se sentar à minha mesa e deixou meu ex-noivo exasperado! Queria tanto conversar mais com você naquele momento! Mas, enfim, tive que partir. No dia seguinte você me ligou e saimos: fomos ver borboletas. Deixei o Roberto imediatamente! Éramos tão felizes! Lembra-se do nosso primeiro beijo? Eu estava morrendo de medo. Foi tão engraçado! Um ano depois estávamos casados e dois anos após nascia nosso filho. Ele era tão lindo! Parecia tanto você! À propósito, como ele está? Sinto sua falta. Você foi muito generoso em me mandar para cá. Sei que precisava descansar e eu ando tão esquecida! Cuide bem do nosso garoto
Carinhosamente, Luísa
_________________________________________________________________________________________________ São Paulo, 28 de junho de 1981.
Querido Rodrigo, A rotina está cada vez mais difícil e vazia. Faz mais de um ano que estou aqui e ainda sonho com você. Quando você e nosso menino virão me visitar? É difícil conter as lágrimas enquanto escrevo. Ando tão esquecida ultimamente! Cuidam de mim, mas ninguém me responde quando peço para te chamarem. Espero que também sinta saudade e que esteja cuidando do nosso anjinho.
Carinhosamente, Luísa
_________________________________________________________________________________________________ São Paulo, 12 de agosto de 1981.
Querido Rodrigo, Que falta você me faz! Não vejo a hora de encontrá-lo. Semana que vem será dia de visitas e, finalmente, vou te encontrar. Estou ansiosa. Tão ansiosa como aquelas tardes em que corríamos até o riacho para molharmos os pés e falarmos sobre banalidades. Ah, meu querido! Até lá.
Aquele dia ela acordou cedo, tomou banho e se perfumou. Olhou no espelho e arrumou seus cabelos grisalhos tentando aparentar mais jovem. Vestiu-se. Estava usando seu melhor vestido. Calçou seus sapatinhos de crochê e juntou-se ao grupo, enquanto assoviava uma canção de Carlos Galhardo: "Eu sonhei que tu estavas tão linda..." Então, sentou-se para esperar. O dia estava começando e, aos poucos, o pátio ficou cheio de visitas. Ela estava lá, quieta e pensativa. Onde estaria ele? Por que o atraso? E seu filho? A tarde já chegava e ela ainda estava lá, parada, observando as crianças brincarem. Como lhe traziam lembranças do filho! Já estava escurecendo quando as pessoas começaram a se retirar. Ia fazer frio aquela noite. Estavam no outono. A noite já estava alta quando uma enfermeira se aproximou daquela pobre e mirrada senhora: "Vamos entrar, dona Luísa? Está muito frio aqui fora!" Foi quando ela tirou de dentro do bolso do vestido as cartas que nunca foram enviadas e, entre elas, uma foto em branco e preto de uma jovem bonita, grávida, sorridente, ao lado de um rapaz. Ficou olhando e lembrando de um tempo de imensa felicidade. Rodrigo era o marido que toda mulher deveria ter. Estavam tão felizes e apaixonados. Um enfermeiro se aproximou: "Está na hora de dormir." Então ela foi, tristonha e quieta, deitar-se. Do corredor vazio e comprido, ouvia-se conversa entre funcionários: "Dona Luísa espera o marido e o filho todos anos. É triste. Ambos morreram em um acidente de carro." "Nossa!" Nisso, outro paciente chamou por elas. Então voltaaram à rotina e mais um dia se passou sem anormalidades naquela casa de repouso.
ANO: 1999
321
BORBOLETA
Ela voa contra o vento, contra o frio Borboleta! Onde pousaste? Naquela flor? No beira rio?
Voa tão suave quanto seu jeito colore o mundo por onde passa essa missão é tão vasta!
Borboleta, qual seu segredo? -Vou contar-lhe: para voar basta ser livre de medos e preconceitos
E então saiu voando batendo as asas e colorindo o mundo
ANO: 1997
104
INFINITO
Há tantas coisas em comum até mesmo sem valor mas você é diferente importante sonhador Leve-me até o limite terra firme e prazer ou me abrace com ternura numa aventura de viver
Te seguro nos meus lábios abraçando seu vapor desejo seu cansaço enquanto os corpos, o calor uma fantasia talvez!
Coincidem-se nossos gestos abraçarem-se de vez rabiscando nossos restos resta o ano e o mês Infinito de emoção enquanto, apenas, uma sensação inigualável furacão resto de sombra e de ilusão ...ou apenas mais um coração?
Dois infinitos em comum entregues, juntos, a lugar nenhum
Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.
ademir domingos zanotelli
Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.
Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.
Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.