Carol Ortiz

Carol Ortiz

A minha intensidade vomita existências...

n. 0000-09-18, Campinas, SP

Perfil
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UM CANTO PARA A MORTE

Se a morte é sorte
que seja forte
quem vivenciá-la

porque encará-la
mesmo com coragem
supõe a bagagem
de ansiedade
incredibilidade
e medo
de achar que é cedo

tudo não tarda
e antes que parta
é bom se perder
nas entranhas da vida
que tão resumida
entrega-se à morte
que, cá entre nós, seja forte


2021
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Biografia

Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: [email protected] (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
 https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber

Poemas

227

E ELE?

"E ele?"
"Não se preocupe!...Viveu o suficiente para viver o necessário"



ANO: 1998
323

ELA, ELE, TU - DESFECHO DE UM POLIAMOR COMUM

Ela foi sincera quando o beijou
Ele foi sincero quando a olhou
Ela foi sincera quando lhe falou
Que amava muito e de tanto muito
Todosn eram o seu amor

Ele foi sincero quando te olhou
Ela foi sincera quando te beijou
Ele foi  sincero quando te tocou
Impulso além do mágico
Lhe pegou nos braços
Lhe fez amor

Eles foram sinceros quando se tocaram
Vira que tinham tudo e não tinham nada
Entregaram-se aos teus braços tão calmamente
E adormeceram embebidos na libido ardente

Ele está mentindo quando diz "amor"
Ela está mentindo quando acreditou
Ele está mentindo se não lhe falou
Ela está mentindo se só lhe calou
(com um beijo de filme pornô)

Estão mentindo
e por isso estão felizes
e felizes vão viver
até o tédio os enlouquecer


ANO: 2002
324

DOIS PÁSSAROS

Existiam dois pássaros que, um dia, num desses vôos rotineiros, se chocaram e começaram a encarar a vida de outra forma.
           De repente, o que parecia ter sentido, passou a ser insignificante. Perceberam que deviam voar juntos, cruzar mares e ver o mundo sem se separar.
           Uma das aves estava pronta e desejava, como desejava!, começar a jornada o antes possível.
           O outro pássaro, no entanto, sentiu-se amedrontado: o mundo é tão grande, como aguentar tamanha aventura?
           O primeiro avnetureiro, decidiu partir. Foi buscar emoções, paisagens, desconhecido, foi trilhar seu caminho. Após cruzar todo o mundo, encontrou uma árvore e ali construiu seu ninho. Sentiu saudade do outro companheiro e decidiu buscá-lo para a maior viagem de sua vida: a construção da família.
           Entretanto, a distância que os separavam era enorme e ambos estavam velhos demais para enfrentar uma jornada tão assustadora.
           Hoje, todas as tardes, os dois pousam sobre seus ninhos (cada qual em um lado do mundo) e, num suspiro, cantam, se perguntando: "como teria sido se..."



ANO: 1998
111

CRISE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Chapeuzinho Vermelho na floresta estava
e os doces na cesta à vovó entregava
e o lobo, guloso, os doces roubava
e o caçador esperto, com sua espingarva atirava

Ah, como a vida era feliz!
Enquanto a crise não abalava o país
até as historinhas econômicas ficaram
e a imaginação está custando caro

Chapeuzinho Vermelho n cidade andava
e a cesta da vovó vazia estava
e o lobo, coitado, no zoológico ficara
e o caçador, infeliz, vendera a espingarda

Ah, como pode?
Como isso aconteceu?
Chapeuzinho é infeliz
E o lobo enlouqueceu

Chapeuzinho, coitada, foi à Praça da Sé
Assaltaram a infeliz
Levaram seu chapéu
E deixaram a menina
Sozinha e a pé

E a vovó, que tristeza!
Sem a cesta ficou
Ignorada pela sua  idade
Num asilo se internou

O lobo que no zoológico
permanecera alguns meses
acabou virando pele
de casaco de burgueses

O caçador vendeu a arma
e precisou trabalhar
acabou se matando
pois tinha contas a pagar

Ah, como a vida muda!
No país das maravilhas
a realidade já é madura!


ANO: 1993
382

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

O ser humano é um estranho laço
de atos marcados
a figura de um homem
perdida na neblina celestial
trás a lembrança de coisas
além da imaginação humana
os laços que os unem
são individuais
cada um tem o seu,
cada um tem sua hora,
sua escolha, seu destino
seu modo de ver
Caminham por estradas solitárias
únicas e isoladas
nosso tempo é único
nossos sonhos são além
viver é a arte que engloba
o misticismo e a ciência
a sabedoria e o aprendizado
viver é andar
sozinho
e encontrar
a cada dia
deus


ANO: 1999
132

SENSIBILIDADE

Por que começar a escrever é tão difícil? Talvez seja porque nos encontramos conosco mesmo e enxergamos coisas tão curiosas e assustadoras.
           Um escritor sabe que nunca será perfeito e também não alcançará o sublime.
           A vida passa e sabemos que um dia iremos morrer e esperamos fazer algo de bom para todos os seres vivos. 
Talvez minhas escritas poderão servir para o bem, um incentivo. Enquanto isso, vou vivendo.
           Nossos sonhos podem ser agarrados com tal força que, ser fizer parte do destino, isto é, estar no lugar certo e na hora certa, acontecerá.
            São várias as crenças que dizem que nossa sina já vem escrita, mas o que vale mesmo é ter atitude, é saber ter iniciativa e construir o dia-a-dia...


ANO: 1998
128

VOCÊ SABE AMAR?

Você sabe amar?
Estou aprendendo
a aceitar as pessoas,
que nos desapontam
quando fogem do ideal
nos ferem
nos amedrontam

É difícil aceitar diferenças
não é muito aprazível
não desejo que seja
desta forma, previsível

Aprender a amar
a esccutar
a olhar
e ouvir
com vontade, afeto
ver uma alma sorrir

Olhar ombros caídos,
olhos vazios,
mãos inquietas,
escutar a verdade 
em poucas palavras
gestos, 
ser poeta

Descobrir angústias,
corriqueiras, 
superficiais,
inseguranças mascaradas
sorriso fingido
atitudes exageradas

Descobrir a dor
de cada coração
perdoar desavenças
apagar cicatrizes
jogar mágoas
na lata do lixo
e penetrar
na imensa vastidão
do verdadeiro humano
cigano
engano

Não há sintoma de lástima
autocomisseração
extingue traços
de dor
passo a passo
desvalorização

Dentro de cada vida
valores e rejeição
experiências duras
sofridas
falta compreensão
vividas ao longo dos anos
ver, distante,
as possibilidades
de sorrir
entre milhares de situações
é preciso aceitar
precisamos aprender a vida
precisamos aprender a amar


ANO: 1999
120

MEMÓRIAS

Sã Paulo, 7 de maio de 1980

                                             Querido Rodrigo,
       A viagem foi bem. Um pouco cansativa, mas bem.
       Essa primeira semana foi empolgante. Após tantos anos, mudei a rotina. Nem acredito que passei tanto tempo de minha vida fazendo a mesma coisa.
       Você foi um amor em me mandar para cá.
       Embora sinta saudade de todos, estou muito bem aqui.
       Minha rotina ainda não está definida. Estou um pouco perdida, mas espero logo me acostumar.
       A única coisa que me incomoda é a falta do meu filho. Diga-lhe que o amo muito e logo irei revê-lo.
       Mando-lhe um abraço e agradeço mais uma vez.
          

                                                             Carinhosamente,
                                                                        Luísa

_______________________________________________________________________________________________
São Paulo, 10 de abril de 1981.

                                           Querido Rodrigo,
          Faz quase um ano que aqui estou e sinto falta de você.
          À noite, quando a insônia vem, fico me lembrando de quando o conheci. Você veio se sentar à minha mesa e deixou meu ex-noivo exasperado! Queria tanto conversar mais com você naquele momento! Mas, enfim, tive que partir.
           No dia seguinte você me ligou e saimos: fomos ver borboletas. Deixei o Roberto imediatamente!
           Éramos tão felizes!
           Lembra-se do nosso primeiro beijo? Eu estava morrendo de medo. Foi tão engraçado!
           Um ano depois estávamos casados e dois anos após nascia nosso filho. Ele era tão lindo! Parecia tanto você!
           À propósito, como ele está? Sinto sua falta.
           Você foi muito generoso em me mandar para cá. Sei que precisava descansar e eu ando tão esquecida!
           Cuide bem do nosso garoto

                                                                    Carinhosamente,
                                                                               Luísa

_________________________________________________________________________________________________
São Paulo, 28 de junho de 1981.

                                         Querido Rodrigo,
            A rotina está cada vez mais difícil e vazia. Faz mais de um ano que estou aqui e ainda sonho com você. Quando você e nosso menino virão me visitar?
            É difícil conter as lágrimas enquanto escrevo. Ando tão esquecida ultimamente! Cuidam de mim, mas ninguém me responde quando peço para te chamarem.
            Espero que também sinta saudade e que esteja cuidando do nosso anjinho.


                                                                  Carinhosamente,
                                                                               Luísa

_________________________________________________________________________________________________
São Paulo, 12 de agosto de 1981.

                                          Querido Rodrigo,
         Que falta você me faz!
          Não vejo a hora de encontrá-lo.
         Semana que vem será dia de visitas e, finalmente, vou te encontrar.
         Estou ansiosa. Tão ansiosa como aquelas tardes em que corríamos até o riacho para molharmos os pés e falarmos sobre banalidades. Ah, meu querido!
         Até lá.


                                                                     Carinhosamente,
                                                                               Luísa

PS: diga ao nosso filho que o amo.


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               Aquele dia ela acordou cedo, tomou banho e se perfumou. Olhou no espelho e arrumou seus cabelos grisalhos tentando aparentar mais jovem. Vestiu-se. Estava usando seu melhor vestido. Calçou seus sapatinhos de crochê e juntou-se ao grupo, enquanto assoviava uma canção de Carlos Galhardo: "Eu sonhei que tu estavas tão linda..." Então, sentou-se para esperar.
               O dia estava começando e, aos poucos, o pátio ficou cheio de visitas.
               Ela estava lá, quieta e pensativa. Onde estaria ele? Por que o atraso? E seu filho?
               A tarde já chegava e ela ainda estava lá, parada, observando as crianças brincarem. Como lhe traziam lembranças do filho!
                Já estava escurecendo quando as pessoas começaram a se retirar. Ia fazer frio aquela noite. Estavam no outono.
                 A noite já estava alta quando uma enfermeira se aproximou daquela pobre e mirrada senhora:
                 "Vamos entrar, dona Luísa? Está muito frio aqui fora!"
                 Foi quando ela tirou de dentro do bolso do vestido as cartas que nunca foram enviadas e, entre elas, uma foto em branco e preto de uma jovem bonita, grávida, sorridente, ao lado de um rapaz.
                 Ficou olhando e lembrando de um tempo de imensa felicidade. Rodrigo era o marido que toda mulher deveria ter. Estavam tão felizes e apaixonados.
                 Um enfermeiro se aproximou:
                 "Está na hora de dormir."
                 Então ela foi, tristonha e quieta, deitar-se.
                 Do corredor vazio e comprido, ouvia-se conversa entre funcionários:
                 "Dona Luísa espera o marido e o filho todos anos. É triste. Ambos morreram em um acidente de carro."
                  "Nossa!"
                  Nisso, outro paciente chamou por elas. Então voltaaram à rotina e mais um dia se passou sem anormalidades naquela casa de repouso.


ANO: 1999



321

BORBOLETA

Ela voa 
contra o vento, 
contra o frio
Borboleta!
Onde pousaste?
Naquela flor?
No beira rio?

Voa tão suave
quanto seu jeito
colore o mundo
por onde passa
essa missão 
é tão vasta!

Borboleta,
qual seu segredo?
-Vou contar-lhe:
para voar basta ser livre
de medos e preconceitos

E então saiu voando
batendo as asas
e colorindo o mundo


ANO: 1997
104

INFINITO

Há tantas coisas em comum
até mesmo sem valor
mas você é diferente
importante sonhador
Leve-me até o limite
terra firme e prazer
ou me abrace com ternura
numa aventura de viver

Te seguro nos meus lábios
abraçando seu vapor
desejo seu cansaço
enquanto os corpos, o calor
uma fantasia talvez!

Coincidem-se nossos gestos
abraçarem-se de vez
rabiscando nossos restos
resta o ano e o mês
Infinito de emoção
enquanto, apenas, uma sensação
inigualável furacão
resto de sombra e de ilusão
...ou apenas mais um coração?

Dois infinitos em comum
entregues, juntos, a lugar nenhum


ANO: 1995
114

Comentários (6)

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Ademir domingos zanotelli.
Ademir domingos zanotelli.

Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.

Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.

Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.

Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.