POEMA
Tive, um dia,
um poema
que falava de alegria
magia, sinfonia,
mas a nostalgia
de tudo que via
brilhava irritantemente
sem saber que a gente
quer muito mais
ANO: 1999
MUNDO SEM FUNDO
Mundo,
que mundo?
Está invertido
ou lá em cima
está o fundo?
ANO: 1995
IRREAL
Um passo para o adeus
até quando é suportável?
Meu sonhos são deflagrados
e a vida destruída
O que é essa sombra
que rodeia sua cabeça?
O que são essas lágrimas
que cercam seus olhos?
É ver o que a mente esconde?
Uma dica, palavra
surgir de monde de ideias
congeladas numa bica,
lugar irreconhecível
Medo de ficar aqui
é medo da eternidade
nesse vazio,
oco,
vácuo de ser alguém
que será apagado
pelo ciclo da vida
ANO:1998
ENGANOS
Queria nascer,
tornar-me humano,
nasci, tornei -me um bebê
todos me amavam,
mas...
algo me faltava
Queria ser criança
fazer amigos
ir à escola
brincar
Fui criança,
tive amigos, aventuras,
mas...
algo me faltava
Queria ser jovem
ter meu carro
namorar, dirigir
Fui jovem,
fui à festas, namorei
mas...
algo me faltava
Queria ser adulto
trabalhar
cosar, comprar minha casa
Fui adulto,
casei, trabalhei, progredi
mas...
algo me faltava
QUeria ter filhos
mudar-me para uma casa maior,
trocar o carro, pagar as contas
Tive filhos, comprei casa,
comprei carro,
mas...
algo me faltava
Queria ampliar os negócios
comprar uma mansão
ser um deus
Ampliei os negócios,
comprei mansão
fui tão importante quanto deus
mas...
algo me faltava
Queria não envelhecer
sentar perto dos meus filhos
refazer meu casamento
rever amigos
não estar sozinho...
...Envelheci e já é tarde
meus amigos, não os vejo
meus filhos voaram
...estou sozinho...
Queria recomeçar
ser criança outra vez
pois nada me faltava
e eu não sabia
ANO: 1995
MEU MAR DE HELICÓPTEROS
Olho ao redor
Posso tudo e não posso nada
Está tão abafado
Onde os sonhos correm
A maré está subindo
Um suspiro
Se eu te perguntasse
O que é ilusão?
Você me amaria até um dia
A vida precisa disso
Jogue comigo
Faça uma aposta
Qual é a história?
Existe algo real?
Olhe para a frente
Não tenha medo
Se eu te perguntasse
Qual seria a verdade
Você saberia a resposta?
O mundo é enorme
Nos encontramos
Em alguma esquina do tempo
Voe entre os helicópteros
Onde estamos sonhando
Não há preconceitos
Só nossos sonhos
Você diz a verdade?
Sabe, estou mentindo sobre algo
Todos mentem
Ame-me para sempre
Mas, o sempre é mentira
ANO: 1996
GRAMÁTICA DA VIDA
Rimas são ocultas
e na vida são condutas
Gestos não substantivam
emoções que aterrorizam
reescritas em linhas tortas,
ilusões quase sempre mortas
ou palavras são impostas
quase nunca são dispostas
ANO: 1993
MENTIRA
Flocos da verdade caindo
enquanto todos estão mentindo
realidade crescente
claustrofobia recorrente
naves espaciais descendo
pânico ausente
atualidades para todos ver
ninguém está interessado em saber
durante o verão
o frio habita a multidão
ANO: 1993
MUNDO
Lá no fundo
tem um mundo
enlouquecido
e duro
Lá no fundo
tem um mundo
difícil,
irreal
Lá no fundo
tem um mundo
onde perguntas
respondem
questões tortas
Lá no fundo
tem um mundo
sem fundo...
ANO:1996
DESEJO
Há um desejo, um grito interior
explodindo como um vulcão
liberando para o exterior
uma forte erupção
São as fantasias,
alegrias, nostalgias,
agonias, paralisias,
democracias, anemias,
melancolias, dislexias,
da vida
numa eterna terapia
Carência vaga
inocência rara
como uma conversa
honesta, sincera,
incerta...
Computadores dizem o sim e o não
controlando toda a emoção
não vivemos, obedecemos
obcecados pelo que não temos
ANO: 1993
PERVERSÃO
Um a um enfileirados,
calados, multilados,
perdidos numa multidão,
faces sem expressão,
um caminho:
promiscuidade;
resultado:
perversidade,
nascimento adulterado,
desordem da razão,
uma busca incompreensível,
um vazio, solidão,
desejos banalizados
surdina moralidade
hipocrisia
feto anônimo
moral
segredos
lixo, doença, imundice,
asco, vergonha, tristeza
agonia de saber,
uma vez perdida a inocência
pervertido estarão os sonhos
sem sonhos
sem beleza
ANO: 1994
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.