Carol Ortiz

Carol Ortiz

A minha intensidade vomita existências...

n. 0000-09-18, Campinas, SP

Perfil
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UM CANTO PARA A MORTE

Se a morte é sorte
que seja forte
quem vivenciá-la

porque encará-la
mesmo com coragem
supõe a bagagem
de ansiedade
incredibilidade
e medo
de achar que é cedo

tudo não tarda
e antes que parta
é bom se perder
nas entranhas da vida
que tão resumida
entrega-se à morte
que, cá entre nós, seja forte


2021
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Biografia

Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: [email protected] (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
 https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber

Poemas

227

LOUCURA

Por que a gente vive
nesse mundo agora?
Por que a gente chora
quando tudo mudo?
Será que ninguém vê
que nem sempre
deve-se agir assim?
Loucura?


ANO: 1995
98

QUINTANAS

Meu pai acha que não cresci
tenho 20 e sou dependente
sinto-me triste, meio demente
mas não sou inútil
sinto-me fútil
cansei de andar pelo mesmo caminho
quero voar como passarinho
ou quem sabe
ir para a Espanha
ou morrer nos braços
de Quintana *


*Duas pessoas com trabalhos insuperáveis: o poeta, sensível e talentoso, Mário Quintana e o grande músico Roland Orzabal de La Quintana, ambos com raízes no Rio Grande do Sul. Serão parentes?...


ANO: 2003
322

COMO MEUS PAIS DIZIAM

Minha mãe dizia:
"Menina direita não brinca de carrinho"
"Menina direita brinca com boneca"
"Menina direita não fala nominhos"
"Menina direita não usa cuecas"
Ela só não disse:
"Seja criança ao seu próprio modo,
liberando fantsias e emoções,
nunca faça dos sonhos ou realidade
eterna e inúmeras prisões"

Meu pai dizia:
"Menina de família não volta tarde da rua"
"Menina de famílias tem um namorado só"
"Menina de família não se mistura com perua"
"Menina de família tem que seguir seu pó"
Ele só não disse:
"Seja feliz como for melhor
sabendo das consequências e precauções
se quiser lhe tiro dúvidas
e lhe ensino prevenções,
respeito sua privacidade
porque o que me importa 
é sua felicidade"

Minha mãe dizia:
"Menina de sociedade tem dever de casar pura"
"Menina de sociedade tem dever em ser fiel"
"Menina de sociedade tem seus filhos e marido"
"Menina de sociedade tem que conter seu libido"
Ela só não disse:
"Se solte, aprenda a amar
só não se iluda para não chorar
pois nada dura para sempre
viva os momentos sem se amarrar"

Todos diziam:
"Você vai ter netos, filhos, família,
você vai ser mulher como manda a tradição
não vai existir visão ambígua
use sua vida esmagada como sedução

Somos máquinas que já nascem
com um escrito futuro
temos que pular esse mudo
aceitamos essas leis
porque é fácil fazer o que se diz
do que criar e lutar
para viver em paz e ser feliz


ANO: 1994
369

RETALHOS

Sobrevoar as cores da luz
nos lugares que ninguém viu
penetrar, depois brincar
nessas águas evaporar
toda a paixão
então, dizer, algum lugar
onde as cores dançam à sós
e pedir mais atenção
na imensidão
dance comigo, vou te mostrar
a minha vida,
vais concordar,
todos falam
e desabafam
na porta desse salão
então me diga, meu querido:
ficar onde essa noite?
Se meu quarto
tem seu retrato
colorido de tanto amor
se ficares nesta sala
levarei a tua fala
para o mundo
Diga-me que vais dançar
e vais cantar, girar, voar
feches os olhos
e imagines
nós,
cisnes,
o mundo,
uma explosão


ANO: 1998
126

QUERO

O mundo é uma grande porta
existem janelas para o nada
em cada canto existe a morte
existe a dor, existe o medo
atrás da porta existem sombras,
onde cheira à ilusão
um lugar perto
de onde ficou a ferida
quando uma pessoa se feriu
com a dor de ser alguém
um lugar assim,
diferente, é absurdo
absurdo é viver igual,
ser minha vó amanhã
é simplesmente desistir de sonhos
do meu eu
e deixar tudo assim,
em vão
Não! Quero crescer ao meu modo
quero viver para viver como posso
quero liberdade
para viver e esquecer
que a noite existe


ANO: 1997
106

CONCERTO EM Em

Como dizer coisas que ficam guardadas
no inconsciente da distância
das coisas que quis um dia
outrora nasce uma vida
dentro de um ser imaginável
trovões, relâmpagos, medos, escuridão
sonhos que aparecem e parecem sem fim
rodeados por anjos intocáveis
uma brecha no meio da imensidão do nada
uma luz que atravessa a escuridão terrestre
uma busca incantável, abstrata
por lugares nunca antes idos
pelo insignificante inseto que vive
no cemitério das emoções
invisíveis pelos campos percorria
uma moça nua de imaginação
de um tempo já visto
de um lugar seguro
como essa música que percorre teclados
de lugares confusos, impenetráveis
de receios de tudo o que houve
a calmaria se aproxima, mas traz ondas
gigantes que chegam
com trovões,
arrombam a imensidaão do eco
Escutem as sombras
elas te levam ao sol
Observem as nuvens pesadas
que circulam suas cabeças
trazem sensações virgens
te levam até o alto
mostram a leveza
após o temporal
só o que se diz
só o que se ouve
Receio?!
Todos os caminhos,
todas as teclas
conduzem à melodia


ANO: 1998
126

VISÃO SENTIMENTAL

Viver a vida
saber demais
querer que siga
correr atrás
de uma liga
uma paz
então me diza
o que se faz
quando se liga
a algo mais

Ser profissional
dizer a verdade
realidade total
digna da sociedade
visão sentimental
não tem idade
uma vida fatal
sem maldade

Querer, ser,
poder, fazer,
manter, crescer,
saber, dizer,
perder, ter
enfim, viver...


ANO: 1994
96

ANEXO POEMA

Não sente dó
se sente só
vive num nó
subproduto do pó

Vive uma nostalgia
sem resolver sua economia
tenta ser uma paralisia
mas no fundo é uma nevralgia

Engole uma farsa
cuspida na "Barsa"
descobre marcas
cobertas por fardas

Submete-se à ilusões
esculpidas em corações
afoga dragões
logrados por indecisões

Vive sem nexo
contendo um gesto
apostado no sexo
lembrando o que foi anexo


ANO: 1994

126

DOR

O mundo tem portas
tão selvagens quanto o real
são ondas de desentendimento,
lei do mais forte
somos ventos feitos de areia
em que tempo bate e desmancha
somos homens
feitos de sonhos selvagens
são segredos inatingíveis, ilegíveis
o mundo é da cor do mundo,
em que anos passam, 
sonhos mudam e o tempo leva
como as águas da correnteza
que, quanto mais quieta,
mais engana
são todos...
são selvagens...


ANO: 1996
107

FRIO

Lá fora há um mundo que te espera
um mundo com folhas amarelas
um mundo violento e sombrio
cheio de angústia e frio

As selvas são cinzas
são fortes e concretas
o homem podou as vivas
e construíu outras de pedra

Mataram os cavalos
e fizeram ferro com rodas
o achavam muito parado
mas, depois o homem chora

Não usam diálogo agora
substituiram por TV
e tem quem compre horas
é loucura querer entender

Moramos em selvas concretas
andamos nos ferros com rodas
assistimos TV todo dia
cheiramos ao frio que nos guia


ANO: 1993
109

Comentários (6)

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Ademir domingos zanotelli.
Ademir domingos zanotelli.

Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.

Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.

Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.

Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.