Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :) Se quiserem se corresponder, e-mail: [email protected] (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros: https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber
Por que a gente vive nesse mundo agora? Por que a gente chora quando tudo mudo? Será que ninguém vê que nem sempre deve-se agir assim? Loucura?
ANO: 1995
98
QUINTANAS
Meu pai acha que não cresci tenho 20 e sou dependente sinto-me triste, meio demente mas não sou inútil sinto-me fútil cansei de andar pelo mesmo caminho quero voar como passarinho ou quem sabe ir para a Espanha ou morrer nos braços de Quintana *
*Duas pessoas com trabalhos insuperáveis: o poeta, sensível e talentoso, Mário Quintana e o grande músico Roland Orzabal de La Quintana, ambos com raízes no Rio Grande do Sul. Serão parentes?...
ANO: 2003
322
COMO MEUS PAIS DIZIAM
Minha mãe dizia: "Menina direita não brinca de carrinho" "Menina direita brinca com boneca" "Menina direita não fala nominhos" "Menina direita não usa cuecas" Ela só não disse: "Seja criança ao seu próprio modo, liberando fantsias e emoções, nunca faça dos sonhos ou realidade eterna e inúmeras prisões"
Meu pai dizia: "Menina de família não volta tarde da rua" "Menina de famílias tem um namorado só" "Menina de família não se mistura com perua" "Menina de família tem que seguir seu pó" Ele só não disse: "Seja feliz como for melhor sabendo das consequências e precauções se quiser lhe tiro dúvidas e lhe ensino prevenções, respeito sua privacidade porque o que me importa é sua felicidade"
Minha mãe dizia: "Menina de sociedade tem dever de casar pura" "Menina de sociedade tem dever em ser fiel" "Menina de sociedade tem seus filhos e marido" "Menina de sociedade tem que conter seu libido" Ela só não disse: "Se solte, aprenda a amar só não se iluda para não chorar pois nada dura para sempre viva os momentos sem se amarrar"
Todos diziam: "Você vai ter netos, filhos, família, você vai ser mulher como manda a tradição não vai existir visão ambígua use sua vida esmagada como sedução
Somos máquinas que já nascem com um escrito futuro temos que pular esse mudo aceitamos essas leis porque é fácil fazer o que se diz do que criar e lutar para viver em paz e ser feliz
ANO: 1994
369
RETALHOS
Sobrevoar as cores da luz nos lugares que ninguém viu penetrar, depois brincar nessas águas evaporar toda a paixão então, dizer, algum lugar onde as cores dançam à sós e pedir mais atenção na imensidão dance comigo, vou te mostrar a minha vida, vais concordar, todos falam e desabafam na porta desse salão então me diga, meu querido: ficar onde essa noite? Se meu quarto tem seu retrato colorido de tanto amor se ficares nesta sala levarei a tua fala para o mundo Diga-me que vais dançar e vais cantar, girar, voar feches os olhos e imagines nós, cisnes, o mundo, uma explosão
ANO: 1998
126
QUERO
O mundo é uma grande porta existem janelas para o nada em cada canto existe a morte existe a dor, existe o medo atrás da porta existem sombras, onde cheira à ilusão um lugar perto de onde ficou a ferida quando uma pessoa se feriu com a dor de ser alguém um lugar assim, diferente, é absurdo absurdo é viver igual, ser minha vó amanhã é simplesmente desistir de sonhos do meu eu e deixar tudo assim, em vão Não! Quero crescer ao meu modo quero viver para viver como posso quero liberdade para viver e esquecer que a noite existe
ANO: 1997
106
CONCERTO EM Em
Como dizer coisas que ficam guardadas no inconsciente da distância das coisas que quis um dia outrora nasce uma vida dentro de um ser imaginável trovões, relâmpagos, medos, escuridão sonhos que aparecem e parecem sem fim rodeados por anjos intocáveis uma brecha no meio da imensidão do nada uma luz que atravessa a escuridão terrestre uma busca incantável, abstrata por lugares nunca antes idos pelo insignificante inseto que vive no cemitério das emoções invisíveis pelos campos percorria uma moça nua de imaginação de um tempo já visto de um lugar seguro como essa música que percorre teclados de lugares confusos, impenetráveis de receios de tudo o que houve a calmaria se aproxima, mas traz ondas gigantes que chegam com trovões, arrombam a imensidaão do eco Escutem as sombras elas te levam ao sol Observem as nuvens pesadas que circulam suas cabeças trazem sensações virgens te levam até o alto mostram a leveza após o temporal só o que se diz só o que se ouve Receio?! Todos os caminhos, todas as teclas conduzem à melodia
ANO: 1998
126
VISÃO SENTIMENTAL
Viver a vida saber demais querer que siga correr atrás de uma liga uma paz então me diza o que se faz quando se liga a algo mais
Ser profissional dizer a verdade realidade total digna da sociedade visão sentimental não tem idade uma vida fatal sem maldade
Não sente dó se sente só vive num nó subproduto do pó
Vive uma nostalgia sem resolver sua economia tenta ser uma paralisia mas no fundo é uma nevralgia
Engole uma farsa cuspida na "Barsa" descobre marcas cobertas por fardas
Submete-se à ilusões esculpidas em corações afoga dragões logrados por indecisões
Vive sem nexo contendo um gesto apostado no sexo lembrando o que foi anexo
ANO: 1994
126
DOR
O mundo tem portas tão selvagens quanto o real são ondas de desentendimento, lei do mais forte somos ventos feitos de areia em que tempo bate e desmancha somos homens feitos de sonhos selvagens são segredos inatingíveis, ilegíveis o mundo é da cor do mundo, em que anos passam, sonhos mudam e o tempo leva como as águas da correnteza que, quanto mais quieta, mais engana são todos... são selvagens...
ANO: 1996
107
FRIO
Lá fora há um mundo que te espera um mundo com folhas amarelas um mundo violento e sombrio cheio de angústia e frio
As selvas são cinzas são fortes e concretas o homem podou as vivas e construíu outras de pedra
Mataram os cavalos e fizeram ferro com rodas o achavam muito parado mas, depois o homem chora
Não usam diálogo agora substituiram por TV e tem quem compre horas é loucura querer entender
Moramos em selvas concretas andamos nos ferros com rodas assistimos TV todo dia cheiramos ao frio que nos guia
Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.
ademir domingos zanotelli
Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.
Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.
Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.