Carol Ortiz

Carol Ortiz

A minha intensidade vomita existências...

n. 0000-09-18, Campinas, SP

Perfil
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UM CANTO PARA A MORTE

Se a morte é sorte
que seja forte
quem vivenciá-la

porque encará-la
mesmo com coragem
supõe a bagagem
de ansiedade
incredibilidade
e medo
de achar que é cedo

tudo não tarda
e antes que parta
é bom se perder
nas entranhas da vida
que tão resumida
entrega-se à morte
que, cá entre nós, seja forte


2021
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Biografia

Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: [email protected] (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
 https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber

Poemas

26

Quietude- um trecho de celibato e cura

Descanso meu corpo:
não há mais medo,
ameaça,
dor.

Não há toque,
não há sexo,
não há guerra,
nem pavor,
me pertenço sem anseios,
estou segura nesta ilha,
não por força ou fuga,
mas por amor
à toda calmaria.

Minha alma cansada
andou vales,
árduos terrenos,
gritarias e invasões.
Agora quer o silêncio,
aconchego preenchido,
longe do perigo -
não há pecado no toque,
não há engano na fala,
não há desencontros
ou horas exaustas,
vazias, perdidas
num hiato -
Celibato

E minha paz,
minha canção, 
tocando a melodia do aconchego...

Meu corpo pediu descanso
e ouvi,
acolhi
com sutil cuidado
e real significado:
meu ventre é templo
de um tempo de cura.

Enquanto o mundo aponta
“sou ausência”,
minha alma sussurra:
“sou presença
dentro de mim.”

Neste estilo de vida
acolhida,
até quando eu quiser,
um dia direi sim
(no momento certo
junto ao corpo certo,
paciente, inocente, 
pronto para entrega
à uma nova era
madura, segura
e serena)

Sou minha,
não busco confusão,
apenas a quietude da alma,
o equilíbrio,
e a beleza de saber,
finalmente, 
quem sou eu

Cacal

154

Transbordo

Há algo no ar.
Ventos mudam (sinto.tudo
Há cheiro, gestos, atitude.
Há algo mais.

O silêncio compassado
é melodia que mostra alma.
Mas eu,
Mulher,
não sou mais contratempos.
Acordes dissonantes
ficaram no passado.

Sou tudo ou nada.
Num frágil paladar
Infantil
Mergulho no intenso,
sem freios, sem sobras —
num único gesto coerente
Transbordo verdades
sem esconder o rosto,
o corpo,
a alma.

Desnudo segredos.
Quero o real.
Honesto,
Cru
Sem jogos confusos, artificiais.
Quero conexão íntima
e inteira.

Ou mergulha comigo,
ou me deixa voar.
Porque o raso,
o morno,
o indeciso,
o pedaço partido
partiu
no tempo
E tempo... é tempo.
É fato pra ser vivido.
Não é porque sou demais
que você pode ser de menos.
Transborde

2025

144

Não confio

Não confio!
Não julgo,
mas não confio

Sempre tem algo,
tem coisas,
tem alguém,
tem mentiras,
indiferença,
abandonos,
dissabores...

Não confio!
Interajo,
mas não confio:
soltar as mãos,
saltar sobre seu ego,
pisar suas dores, 
ficar pra trás: é sempre fácil,
ser esquecida, apagada?
é mais fácil

Sozinha se vive:
não tem abraço,
não tem respostas,
não há visitas 
quando a febre vem,
mas é seguro,
previsível,
reconfortante saber
que não tem ninguém
Tem um quê de alívio não esperar

Não confio,
não aprendi a confiar
apenas
sigo...

2025

157

Quando crescer quero ser...

Quando criança, tive três grandes desejos sobre o futuro:

1. Ser caminhoneira — viver viajando, livre, só meu cachorro, violão e eu.
Não vingou.

2. Ser exploradora — andar o mundo inteiro, dormir em acampamentos, viajar a pé, de barco, de trem, de qualquer jeito. Descobrir lugares onde ninguém nunca pisou.
Não vingou.

3. Ser astronauta — flutuar livre pelo espaço, de planeta em planeta, galáxia em galáxia e até me tornar Jedi, quem sabe?...
Também não vingou.

No final, só sobrou ser eu:
uma constelação apagada de sonhos que ainda pulsa.
Um planeta habitado por todas as versões que não consegui ser.
E mesmo assim, eu: orbitando o que sobrou,
tentando chamar isso de casa.

2025

67

NINGUÉM LIGA (inventário do homem em colapso)

Acordar,
Falar,
Sorrir,
Doer,
Sair,
Produzir,
Apaixonar (se),
Fazer,
Sentir,
Comer,
Sanar,
Defecar,
Andar,
Odiar, 
Amar,
Urinar
Ler,
Banhar,
Parar,
Pensar (muito),
Pisar,
Pulsar,
Transar,
Cuspir,
Digerir (a vida),
Sonhar (tolices),
Estar,
Sumir,
Dissociar,
Confundir,
Respirar,
Aforgar (se),
Flutuar,
Jogar,
Assistir,
Estudar,
Diminuir (se),
Pressentir
(O grande vazio,
apático, insensível,
dedos frios,
indiferença)
Enlouquecer,
Chorar,
Gritar
(no desespero de nadar
na estranheza do abandono)
Abandonar (se)
E sorrir...
Gargalhar,
Vomitar
(o amargo na garganta,
a negligência da raça humana)
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
"Ad infinitum"
Recomeçar 
Ser
Forte,
Brava,
Espetacular,
Cumprir expectativas,
Metas
E se entregar à frustração
Tédio
Estupidez
Deitar
Finalmente
Suspirar
Morrer...

Parar no silêncio e, quem sabe, ser inteira outra vez?
...
Apenas uma performance acrobática da banal sobrevivência...

2025

229

Dissociação (Valsa para alma estilhaçada)

Dissociação 
(Valsa para alma estilhaçada)

Flutuo, entre estímulos, flutuo 
Fragmentada em ruínas, 
esquecida pelo nada,
com olhos vazios, atordoados,cansados, 
procurando o real...
Duvido. 
Duvido tanto 
que nem me vejo
Será que existo? 
Alguém me diga: 
"Você está segura!"
Esqueço de respirar, 
esqueço de esquecer,
e meu cérebro hiperativo
pensa, pensa, pensa 
girando em espirais de reticências
...
Entrego os pontos、 
desço do palco, 
sou  palhaço dissociativo 
nesse frágil jogo de azar
A luta é constante:
Não sumir ou 
Estar não estando?
Apenas o silêncio 
dos meus desejos congelados, 
flutuando 
nas ondas sonoras da vida...

*Dissociação: ferramenta de defesa emocional Experiência aterrorizante desgastante. Muitos afirmam que é a única forma de sobreviver a traumatismos emocionais moderados e severos. 

2025

158

Dissociação (Para a alma estilhaçada que flutua)

 Flutuo, entre um estímulo e outro, flutuo
 Fragmentada em ruínas, 
esquecida pelo nada,
 com olhos vazios,
 atordoados,
 cansados, 
procurando pelo real...
Duvido. 
Duvido tanto 
que nem me vejo
Será que existo? 
Alguém me lembre: 
'você está aqui, sã e salva" 
Esqueço de respirar 
esqueço de esquecer 
e meu cérebro hiperativo
 pensa, pensa, pensa 
girando, espirais de reticências
...
 Entrego os pontos、 
desço do palco, 
sou  palhaço dissociativo 
nesse frágil jogo de azar
 A luta é constante:
 Não sumir ou 
Estar não estando
Vendo o longe, 
Flutuando 
Nas ondas sonoras da vida...

 *Dissociação: ferramenta de defesa emocional Experiência aterrorizante desgastante. Muitos afirmam que é a única forma de sobreviver a traumatismos emocionais moderados e severos.

139

Angústia

Tem dias simplesmente preto e branco... 
nem a luz, 
nem o chá, 
nem o canto dos passarinhos 
Apenas o preto e branco 
e o tic-tac da existência... 
Angústia! 
Mas passa.

96

DESESPERO

Faz uma semana, mais ou menos, que me sinto estranha. Fico me questionando sobre ser tão absurda: sei ler as pessoas e não sei ler meu lugar no mundo, sei ver ○ jogo, mas não sei jogar, sei onde todos devem ir, mas não sei chegar...me sinto estúpida, pequena, muito menos capaz do que todo mundo. Enquanto todos constroem relações e mundo concreto, fico estática, divagando sobre coisas abstratas e irrelevantes para o mundo prático. Tenho a intensidade quase insuportável do TPB e ○ hiperfoco ridículo do TDAH/TEA (diagnóstico é irrelevante nesse momento). Irônico, não? Sou duas vezes esquisita e não sei lidar com coisas básicas para a sobrevivência! Recentemente minha terapeuta solicitou que procurasse um neurpsicologo e fizesse um exame de AH/SD. Segundo ela, eu iria me compreende melhor e melhorar minha qualidade de vida. Fiz. Peguei ○ resultado (que ela, com um sorriso, disse "eu te falei") e me senti ainda mais perdida! "E aí? ○ que eu faço com isso agora? Só meti os pés pelas mãos desde que nasci!" É inevitável, mas a comparação sempre vem: pessoas sustentam todos os tipos de relações, conseguem construir carreiras, vivem dentro da sociedade, enquanto eu estou sempre à margem, lutando pra não me afogar e não me perder na minha própria correnteza. Cansa, e muito! Meu mundo é compreendido por sons, tudo soa alguma coisa: meus sentimentos sempre gritam, as palavras estão sempre falando (por isso gosto tanto de ler e
 escrever), a música
reordena meu cérebro hiperativo e até o silêncio na minha vida é sonoro! Sinto cansaço...exaustão.
Esse é meu cantinho para dialogar com as 12 pessoas que conseguem ver meus status porque são as 12 pessoas que fazem sentido pra mim. Não me perguntem ○ porquề, talvez seja TOC ou apenas meu cérebro falando uma língua estranha, mas fico mais e mais perdida a cada braçada que dou...

 Mas eu sei que também sou sem sentido,

80

UM PAR PERFEITO (sombras de ilusão)

O que sobra de nós?
Somos só sonho?
Um eco onírico? 
Um nó no tempo 
que nunca aconteceu?
As vezes questiono se ja existimos
se nos tocamos,
ou se fomos apenas a lembrança 
do que nunca foi
O universo quis tudo,
planejou tudo,
mas falhou:
você num espelho
refletindo minha dor,
juntos,
correndo mundos, 
palavras, 
silêncios,
segredos,
vazios
e mesmo assim,
continuamos, perfeitos,
nas imperfeições da existência
Nem o tempo, 
nem a dor, 
nem a ausência 
apagam 
o que não se explica
Alguns amores 
não precisam acontecer 
pra serem verdade


2025

49

Comentários (6)

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Ademir domingos zanotelli.
Ademir domingos zanotelli.

Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.

Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.

Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.

Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.