charlesburck

charlesburck

n. 1950 BR BR

Heterônimo de Wilson Costa - Escritor, autor dos livros, O anjo do dia, Olhos ferinos, Compêndio de coisas guardadas, Alma, Oxigênio, Falsas impressões, Causos por acausos, Causos complicados, Ensaios de uma vida toda,

n. 1950-03-18, Salvador

Perfil
13 804 Visualizações

Velhas e novas primaveras

O amor é como a jovem que quer a virgindade eterna
mas que dorme nua
A eternidade exposta, entregue aos argumentos do tempo
Não existe pureza absoluta, nem pecado mortal
As floradas vingam como mato entre as pernas esquecidas das velhas senhoras
O diabo mora na estação ao lado
Precavenho-me e salto antes,
A Moça virgem salta uma estação depois
Deus é parceiro e o diabo aventureiro,
A moça geme a primavera recém-chegada
A canção lamentosa exposta na janela, por onde o amor passou
Das velhas senhoras que o cantam, agoniadas
Quanto poetas saltaram na estação errada
E são vistos a vaguearem pelos vales colhendo flores mortas
Fazendo poemas dizendo do que nunca praticaram
 
 
Charles Burck
 
Ler poema completo

Poemas

31

As velhas senhoras



Arrumam os guardas roupas e organizam o infinito, os olhos longes, o tempo que foge, ao que abrem as portas
Pressinto haver mais, mas não pergunto
Quero escrever para ela sobre as roupas no varal, sobre o terreiro e o quintal,
Há mais, e não posso,
Associo os olhares evasivos, os disfarces das maquiagens a divagarem sobre o tempo
Faz tempo que tudo é igual
O jasmim florando, os sexos secando, as almas enrugando, as roupas balançando ao vento  
Faz tempo que nada muda nessa vida muda
Até o silêncio é igual,
Elas vão aos quartos e ligam as músicas,
os sonhos ficam sentados, observando os gestos contidos, medrosos de se revelarem, de se entregarem à dança,
A velha história da velha mulher, da moça nova, da mulher sentada no bar
Da viúva sem marido morto, da menina das pernas tortas, da moça que me olha, de todas as vidas a exporem
As velhas história que escrevi  e não sei contar,
Há composições dos beijos que guardaram para dar,
Dos corações que amam mesmo sem ter a quem amar,
Por vezes elas me chamam sem me chamar,
Pedem poemas sem me pedir,
Então eu conto
 
Charles Burck
426

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.