cristina

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n. 1965 PT PT

n. 1965-01-23, montijo

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perco-me em ti

Perco-me nos teus olhos, profundos , doces,
com sabor a pecado.
Encontro-te nos meus sonhos,
num prazer antecipado.
Sonhos proibidos, incendiados,
desejos ardentes e enclausurados.
Perco-me no teu corpo
esculpido em marfim,
nas tuas promessas,
de um amor sem fim.
Perco-me na tua juventude
escaldante e inconsequente.
Relembro a minha
com saudade crescente.
és o meu Anjo de asas negras,
exploras as minhas fraquezas
De um céu caído
despertas em mim algo há muito perdido
és o meu fruto apetecido,
o meu desejo na alma contido.
Perco-me em ti,
num deleitoso perder.
Perco-me em ti,
num êxtase de prazer.
Perco-me em ti,
lutando para não me perder.
Perco me em ti,
porque simplesmente me quero perder.

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Poemas

12

teatro da vida

Neste teatro da vida
de guião duvidoso
todos somos personagens de carácter caprichoso
Nascemos livres e puros
mas logo nos atribuem a nossa personagem,
não tive escolha calhou-me a mãe coragem
todos os dias acordo
e visto esta pele
e passo anos a fio a desempenhar um papel
Chego à noite exausta
desejosa de despir esta maldita pele
e de terminar de vez com este meu papel
Exigem de mim uma força que não tenho
uma capacidade de suportar tudo quase nefasta
Tenho de ser a profissional perfeita
a mãe perfeita
a esposa ideal
uma mulher excepcional
Só uma Deusa o consegue
e eu quero ser uma mera mortal
quero fraquejar
quero pecar
sonhar
e chorar
e poder mandar a vida se lixar
quero que me vejam como sou
e não aquilo em que o teatro me transformou
deixem-me ser quem eu sou.
Parem, de exigir uma Deusa.
porque em mim também existe fraqueza
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Marionetas da vida

Somos marionetas da vida,
bonecos amordaçados, movidos pela cobardia.
Enlameados por preconceitos, numa estrada só com ida.
Somos bonecos com alma,
com amores
com ilusões
com dores
e com paixões.
Somos bonecos com alma,
movidos pela apatia,
com um grito que sempre se cala,
vivemos em nostalgia.
Somos bonecos de lama,
perdidos no dia-a- dia,
em nós se extinguiu a chama,
em nós se ausentou a magia.
Somos o que se espera de nós,
não aquilo que queremos ser.
Somos um rio sem uma foz.
Somos apenas uma sombra do nosso mais intimo querer.
Somos tristes bonecos revoltados,
presos pelas amarras que criámos.
Sonhamos futuros há muito ambicionados,
mas cobardemente não realizados.
Somos marionetas da vida.
Seres com almas ilusoriamente vazias,
mas onde se ocultam sufocadas,
as mais belas melodias.
Não quero calar as minhas dores.
Não quero afogar os meus amores.
Não quero ser uma despretensiosa marioneta.
Não quero ser uma mera boneca.
Quero ser uma borboleta.
Quero ser livre, gritar, amar, sofrer.
Não quero ser uma marioneta.
Quero voar e nunca esquecer,
que quero somente viver....

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Comentários (1)

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isabel Lopes
isabel Lopes

Beijos ....