Daniel Bernardo Marins Ouriques da Cunha

Daniel Bernardo Marins Ouriques da Cunha

n. 2004 BR BR

n. 2004-08-01

Perfil
919 Visualizações

Na tela do celular

Chega em casa.
Cansado.
A casa está bagunçada.
Já vou arrumar.
Só um instante.
Um minuto.
Peguei o celular.
Passei o dedinho para cima.
Risada.
Só mais um, já vou arrumar.
Amanhã tem prova.
Já vou estudar.
Só mais um.
Deu meia noite.
Deu uma hora.
Vou me deitar.
É muito tarde.
Amanhã vai dar tempo.

E a vida foi em bora na tela do celular.

Ler poema completo

Poemas

3

Prazer artificial

Você não planta.
Mas assiste ao plantio.
Você não colhe mas assiste a colheita.
Você não joga.
Mas assiste o jogo.
Você não treina.
Mas assiste ao treino.
Você não quer filhos.
Mas assiste uma família à mesa.
Você não quer casar.
Mas assiste ao casamento "perfeito".
Você escolheu a pior parte.
Você quis ser o observador.
Por isso a tristeza.
Por isso a angústia.
Por isso a solidão.
Você abandonou o real.
Pelo mero prazer artificial.

178

Na tela do celular

Chega em casa.
Cansado.
A casa está bagunçada.
Já vou arrumar.
Só um instante.
Um minuto.
Peguei o celular.
Passei o dedinho para cima.
Risada.
Só mais um, já vou arrumar.
Amanhã tem prova.
Já vou estudar.
Só mais um.
Deu meia noite.
Deu uma hora.
Vou me deitar.
É muito tarde.
Amanhã vai dar tempo.

E a vida foi em bora na tela do celular.

171

O menino na janela por Daniel Bernardo Marins Ouriques da Cunha

Havia um menino na janela.
Ele não brincava.
Mas assistia os outros brincando.
Ele não corria.
Mas assistia os outros correndo.
Ele não tinha amigos.
Mas assistia a amizade de outros.
Ele não vivia.
Mas assistia como era a vida lá fora.
O menino crescia.
Sempre ao olhar da janela.
Ele não estudava.
Tudo que queria perguntava na janela.
Suas aulas também eram pela janela.
Sua vida era reduzida ao observar a janela.
O menino cresceu.
Seu trabalho era na janela.
Sua diversão estava na janela.
Seus amigos todos estavam na janela.
Tudo o que ele tinha era aquela janela.
Nunca correu.
Nunca pulou.
Nunca viveu.
Toda sua vida estava na janela.
Sua namorada o conheceu na janela.
Seu filho nasceu sob o olhar da janela.
Seu divórcio foi causado pela janela.
O primeiro presente do filho foi uma janela.
Até que chegou um dia em que o mundo se reduziu aquela janela.
Ninguém fazia nada fora dela.
O normal se tornou a janela.
As doenças eram causadas pela janela.
A depressão geralmente surgia na janela.
A ansiedade era causada pela janela.
O mundo se destruiu por uma janela.
Talvez você querido leitor esteja apenas a olhar por uma janela.
Sem se dar conta que a vida se passa e você não larga essa maldita janela.

 

121

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.