Daniel Bernardo Marins Ouriques da Cunha

Daniel Bernardo Marins Ouriques da Cunha

n. 2004 BR BR

n. 2004-08-01

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Na tela do celular

Chega em casa.
Cansado.
A casa está bagunçada.
Já vou arrumar.
Só um instante.
Um minuto.
Peguei o celular.
Passei o dedinho para cima.
Risada.
Só mais um, já vou arrumar.
Amanhã tem prova.
Já vou estudar.
Só mais um.
Deu meia noite.
Deu uma hora.
Vou me deitar.
É muito tarde.
Amanhã vai dar tempo.

E a vida foi em bora na tela do celular.

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Poemas

2

Chapeuzinho vermelho protegida pelo lobo mau

Saiu uma notícia.
A vida está em risco.
Disseram que foi tramado um golpe.
Precisamos de proteção.
Precisamos de um juiz.
Temos um juiz.
Ele vai proteger.
Tem uma idosa doente na prisão.
E um bandido armado no morro.
Tem uma mulher presa pelo batom.
Tem um bandido governando uma nação.
O esboço do pastor foi apreendido.
A ideologia está a solta por aí.
Mas estamos protegidos.
Temos um juiz.
Que bom termos um juiz.
Chapeuzinho vermelho está protegida.
Protegida nas garras do lobo mau.

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O galo cantou

Tocou o despertador.

Você disse que hoje seria diferente.

Você vai para sua aula.

Mas na primeira oportunidade.

Você cola.

Tá bom.

Foi só um errinho.

Aula do professor comunista.

Nada de bom há no cristianismo.

Deus está morto.

E você concorda.

Quem não teria medo do cancelamento.

Chegou em casa.

Final do dia.

Você não vai orar.

Você vai para a pornografia.

É só um pouquinho.

Você vai parar.

E o galo cantou, Pedro.

Você o negou.

Olhe para aquela cruz.

Sua culpa está ali.

Não foi Roma, foi você.

Não foram os judeus, foi você.

Olhe para cruz, Pedro.

Somente ali está a cura desse seu terrível mal.

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