Flor Suave e Subtil
Sentir em derredor,
como qual uma flor
Nova e gentil, renovada…
O ser mais bem presente
que encontrei nesta estrada
Assim de novo a se abeirar,
de mansinho, sem me tocar
E estando olhando admirando
Olhos novos abertos de par em par
Criança renascida
nesta e noutra vida
Assim sem querer a vogar
Tu por sempre
Por dentro de mansinho
Nesse lugar comezinho
Aonde guardamos
os mais queridos retratos
Desses momentos exatos
Nos que assim se fez florida
Cálida tão próxima e garrida
entretecendo em seu vagar
nesse caminho toldado,
em ti em mim em todo o lado
Voltar a vê-la passar…
Esperança do ser criança
No adulto ainda plantada
Um algo desse ar de novo
alimentando entre o povo
E nos faz de assim abraçar
Pequenos gestos, olhares serenos
Passos no que somos e cremos
Assim a crescer devagar…
infantil certeza
Para caminhar de pé
– em pé – firmeza…
com plena certeza
Dessa fé infantil
Suave e subtil
Sonho efémero se não cuidado
Eco ou sombra sempre a teu lado
A espera de se transformar
Nesse algo de verdade
Em plena rua – realidade
Que nos leva de novo a erguer o olhar
A sentir de novo a confiança perdida
Essa que parecia estilhaçada – vazia
E assim voltar a crer sorrir sem se ver:
Estes dias nossos
Nestes nossos dias
Desde esperanças fugidias
Nesse acordo de coragem
Brisa entre o campo qual aragem
Que se estende aonde bem entende
Quando já sabemos de cor a cidade…
E marchamos sem tempo marcado
Por aqui além e todo lado
A procura de plantar
Sementes viventes esperanças presentes
Que nos devolvam de novo a luz no olhar
Coração na Cidade
entre meias medidas
entre as linhas erguidas
das ruas esguias, elevadas
vamos passando,
marchando...
ao som de uma melodia vazia
sendo que quem a preenchia
coração que sente e cria:
vai ficando com a sua verdade vencida
a não ser que encontre refúgio ou guarida
para voltar a crer em amar...
em se erguer para ver teu olhar
para sonhar que de novo me sonhas
que as escolhas que no caminho recolhas
serão para bem maior por simples opção:
que se recria, em cada palavra menos fria
que se deixa no interior se levar...
pelos lábios vazios do seu elemento
chamada viva que levamos por dentro
clamando sempre pelo ser lado a lado
caminho ainda velado
entre tanto ser humano
por todo o lado...
Caminhar e viver
gostava de voltar a encontrar
o brio no olhar
o andar erguido e ver seguido
todo o mundo a brilhar
gostava de voltar a encontrar
a mão de um amigo
o gesto calmo que sigo
serenidade de se ter conseguido
o dia a dia levar...
para aonde a vontade caminha
para aonde a verdade aninha
para aonde se possa abraçar
sem mais duvidar
sem hesitar...
entre os medos
que nos vai plantando
em segredo
tanto ser berrando
sem nada
dessa vida nova
a anunciar
Caminhos de Vida a encontrar
gostava de voltar a encontrar
o brio no olhar
o andar erguido e ver seguido
todo o mundo a brilhar
gostava de voltar a encontrar
a mão de um amigo
o gesto calmo que sigo
serenidade de se ter conseguido
o dia a dia levar...
para aonde a vontade caminha
para aonde a verdade aninha
para aonde se possa abraçar
sem mais duvidar
sem hesitar...
entre os medos
que nos vai plantando
em segredo
tanto ser berrando
sem nada
dessa vida nova
a anunciar
Pianista
nas letras entre abraços dados
nos poemas entrelaçados
nas linhas subtis
aonde ainda assumis vontades
nesses lugares aonde estais
nas frases que nunca terminais
esses tais locais de encontro
aonde ainda exista assombro
espaços reservados
dessa gente por todos os lados
aonde entramos envergonhados
ou saímos para outros fados
destinos entrelaçados
entre livres e escravos
que se vão refazendo
caminhando por entre o vento
suavidade nessa cidade
que tem em si calor...
humanidade
esperança
que se leva
por dentro
Certa Incerteza
quando voamos, por entre ruas e estrados
vários e variados com gentes sorrindo
por entre espaços vedados...
quando é subtil o fino fio
entre o inverno e o frio
e ainda voltamos
a crer
e regressamos, com outro olhar
outro querer estar, e voltar...
a ser feliz, por um instante
eco desse sonhar inquietante...
Passos Acertados
por entre estes lugares
cheios de tudo e nada
na rua sempre marcada
nas entradas das estradas
submersas, horas certas
enviadas, por todas as vias
marcadas, ser acompassado
desse ir-se vogando,
entre gentes acertando:
cada passo dado
cada trilho novo
momento marcado