Saber a mar
neste ser recatado...
nesse passar
sem se ser notado...
nesse lugar quadrado
aonde vivemos
quase tod@s
sem se precatar
uma curva na estrada
horizonte, que de fronte
se não deixa assim revelar
e na noite
estrelada
nesse véu entre o tudo e o nada
o teu céu se deixa pintar...
e das cores que sonhamos
quando ao deitar ainda deixamos,
nessa vontade... sossegar
e já à vontade aparecem veredas!
sempre verdejantes, apenas:
nesses primeiros instantes
nos que nos atrevemos assim a explorar...
e no dia a dia das entrelinhas
subtil o sentido que aninhas
nesse peito ainda a palpitar
estremece, parece que arrefece
calor desse ser humano
que se estende e entende
qual flor silvestre...
sem ter sido plantado
por ser algum...
ainda a querer
assim
se expressar
uma outra forma desse
saber amar...
Olhares de Amor
quando, estás noutro lugar
ou o lugar onde estavas é levado
pelo tempo acompassado
pelas veredas imaginadas
feitas ruas e estradas...
flores que sempre vias - cuidadas
nos jardins de beirais - mimadas
pelos amores sempre abundantes
primores desses olhares amantes
que viam sempre a dançar
crianças e gentes de idade
nas vilas olhando a cidade
e nos contemplavam em verdade
e assim diziam ao nos ver passar
Caminhar
Desde essa vereda
por nós preenchida
brisa na que se crê e respira…
aroma que se exala e transpira
até nos voltar a abeirar…
essa humanidade que é a chave
nesse abraçar de par em par
coração em coração aninhado
ser humano - lado a lado…
assim qual encontro por opção
em coragem de se dar a mão…
sentir o calor a se prolongar
sem tempo, a nos encontrar
duas tonalidades diferentes:
esse sentir e estar presentes
se transformando
ao som do encanto
assim se entrelaçando
melodia do pouco e tanto,
trazendo o realmente novo
voltando a viver nesse povo
até se reconhecer nesse ser o reviver:
esse querer a acontecer - o momento
nesse espaço - preenchido de alento…
assim qual força viva a nos animar
nessa perspetiva do bem querer
desse olhar e ser - transparente,
ver semelhança entre tanta gente,
em cada lugar, nosso verdadeiro lar
Poesia da Ironia
vamos e vimos sem cessar
damos passos - inspirados
umas vezes despertos e acordados
outras sem acordo e sem hesitar...
e nesta duplicidade
noite e dia na cidade
sem pausa nem idade
ainda vogamos a sonhar...
umas vezes despertos
pela realidade
outras inspirados
sem vontade
outras ainda pelo ser igual
lado a lado parecemos pequenos - e somos tão grandes!
e sós, de vez em quando, ainda procuramos nos encontrar!
Rebentos de Esperança
na teia sossegada
aonde tudo bule
e não se nota nada
em cada passo dado:
seja caminho ou estrada
ao passar tantos lado a lado
procurando o ser compassado
o ser assim... animado...
o regressar ao seu lugar
tantos seres que vogam
voltando sempre a voltar...
Poesia dos Simples
chegando mais perto
passo a passo
por dentro
palavra a palavra
sempre atento
a esse peito que por dentro se abra:
para a humanidade voltar a mostrar
e nessa estrela luzidia
nessa linha que prenuncia o dia
ver alvoradas a voltar
e no caminho, jamais sozinho
esperar que a tua vontade
seja qual a minha verdade
e se possam voltar a encontrar
Poesia Ordenada
e de novo o descrever,
o que te diga a vontade
voz interior sem idade
cada vez mais a sonhar
poemas nesse dia... diferente...
caminhos entre tilhos de gente
começar o dia bem devagar
passo a passo levantar o olhar
e levar as asas do sonho
ali onde tudo é medonho
plantando veredas de encantar:
encontro entre o que se procura
no tempo ali onde tudo perdura
ventura de ser livre para inventar
a melodia de não mais terminar;
um dia crer e dizer sem temer que se quer encontrar
outro dia ir embora, sair pela porta fora e regressar:
rever horizontes jamais desenhados,
locais de sonho assim... sempre amados...
nesse ser dentro da cidade
tanto passar sem notar,
vida cheia de encantos
jardins ternos a germinar;
até caminhar de novo, com passos de gigante;
ser criança de existência eterna bem renovada
indo pela avenida fora qual vereda mais amada
eternidades escondidas na luz de cada instante
ver a via aberta à tua frente, semente a germinar:
águas vivas, gentes viventes, veredas iluminadas
passos por entre locais que não eram mais nada:
pessoas na rua,
a passarem a estrada,
aventuras da vida renovada
nesse dia - sem mais:
palete de cores garridas
entre cinzas de vidas
agora quais andorinhas
por entre os beirais
rodopiar entre a brisa
encontrar a premissa
de assentir sem querer
a uma pessoa qualquer
caminhando despertos
de rostos abertos
uma outra vez...
ecos de carnavais de cores garridas;
entre as máscaras pela vida vencidas
Procurares
quando o coração doer...
vai ao teu lugar escolhido
aonde ainda esteja um amigo
procura conselho de verdade
encontra o que esconde a cidade
o trilho que leva aonde sonhavas
lugares antigos onde antes andavas...
encontros escondidos, gentes novas
as coisas singelas das antigas trovas...
procurando te elevar, cada vez mais alto
até encontrar, o teu lugar sem sobressalto
e nessa rima sempre viva,
nesse ser a chegar;
vais estando cada vez mais perto
do teu verdadeiro lugar;
... abraços
e neste cansaço...
desabar nesse abraço...
e voltar a sonhar...
nessa terra prometida,
nessa tela ainda vazia:
despertar em ti um dia
aves sobre nós a voar,
asas dessa fantasia
...do querer...
se...
r...
e... encontrar...
Sonhos – bem (s) reais
pairar... mais um sonho, mais uma vontade, mais humanidade para se poder voltar;
a casa, quem diria? que o renascer fosse esperado, encortinado no fim de um dia...
o abeirar, desse saber fazer, entre tantos que se desfazem e outros tantos a se erguer
devagar... no fim da azáfama... voltar por entre ruas, avenidas e praças... e chegar...
ali aonde nada mais espera... o sentir sentido de quem encontrou e já não desespera;