Sob ri edades
Quando me lês
De relance
Quando passa inerte cada instante
Quando o tempo a nos entregar
Definha sem cessar
E ainda crendo
Que é suave e lento
Sereno fundamento
A se acrescentar
E dar sem esperar
Retorno
Apenas uma escada
Dessa tua lavra
Dessa tua atenção prendada
Desse dar algo
plantar no nada
Até ver germinar
flor silvestre no olhar
A espera e a esperança, amena…
Desse algo que se bem sabe e leva
Por ai aonde nos é dado a andar
E nessa sensibilidade cristalina
Que deixa passar a luz do dia
Nesse estar despido,
nesse algo frio
Encontrar calor
e amenidade…
Sem mais tempo
Sobriedade…
Desse algo aveludado
Que cresce em mim
em ti e em todo o lado
partilhar o dom que nos foi dado a cuidar
Se houvesse
Um tempo
no que se esquecesse
De se estar apressado
E assim lado alado
Ver horizontes
Voltar a brilhar
Frontes iluminadas
Por suaves e finas tiaras
Linhas desses sorrisos…
Que sempre aprendeste a doar
E nesse olhar atento
Nesse pungir de sentimento
Nessa amenidade suave
Nesse sentir em verdade
Acolher por bem querer
A prosa e poema
que faz cantar o ser
Qual corda de harpa consagrada
Que vibra e dança ao ser tocada
Por essa simples vida
em nós a renascer
Pelo canto mais alto
Sublime sem sobressalto
Que te foi dado a cuidar e querer
E nessa hora
sem tempo ou demora
Alimentar sonhos poisados
Quais andorinhas nos
beiras dos telhados
E ai aninhar
E ver surgir em ti
As poesias mais vivas
que nos foi dado a guardar
gotas vivas, oceanos de amar
Por entre as gotas deste viver
Encontrar pontes vivas para bem ser
E nessas novas sintonias
Ouvir antigas melodias
A fazer brilhar o crer
O se despojar para acreditar
E nesses arcos de luzes novas
Nestas estranhas novas trovas
Assim voltar a nos encontrar...
O olhar de confiança futura
Uma fruta em estio madura
Prenhe de vida para se partilhar
Ser a despertar
Sonhar, e voltar a acender essa luz devagar
Crer e perseverar
Nesse voltar a nascer em cada dia a passar
Dar passos,
novos em cada caminho a se andar
E nas veredas conhecidas
Olhar nascer alegrias
Onde se pensava conhecer o lugar
E nas esquinas plantadas
Surpresas amadas
Por se deixar levar
No estar atento…
No ser por dentro
Ser de novo a despertar;
Odisseias
Neste nosso fado
Dessa caminho passado
Dia a dia, noite sem findar
Sonho coerente,
entre calma brisa e gente
Que nos levou do campo ao mar
E nessa meta sorridente,
entre tanto e tanto ser crente
Voltamos a arribar…
À margem nesses encontros sonhados
Comunidades que idealizamos
Que nos contavam sem se deixar levar
Sobre essa palavra… saudade…
Sonhos para se voltar… a avançar
Nesse tempo sem ter conta ou maldade…
Entre os que lá se ficavam e viviam e estavam…
Nessas aldeias pequenas;
Nesses lugares lado a lado
Até que dispersos pelo destino incerto
Cantando um fado de peito aberto
Nos pusemos de novo a sonhar
Agora diáspora migrante
Sentimento errante
De ser sem ter lugar
Essa magia que nos unia
Essa simplicidade na noite e no dia
Esse celebrar cada efeméride, comezinha…
Esse algo que nos reunia na mesa da cozinha
E nos punha à roda dessa via de vida a falar;
Esses lugares sonhados
Agora idealizados
Onde era tudo bem familiar
Cantamos tantos poemas
Poetas e poetisas nos guiavam
Para fazer ressurgir Portugal
Agora as comunidades separadas
As outras bem sonhadas
Seguem além do mar
E em cada lágrima em silêncio
Exprimimos esse incendio
Que por dentro queima sem mais
Essa saudade de se estar à vontade
À beira de seres sem idade
Com tantas histórias para contar…
E no lusco-fusco desta vida
Quando tudo e todos nos convida
À volta do lume, porta a porta a entrar
Ainda se ouvia, quem tão bem dizia
Como se era feliz sem ter mais
Do que a vida do campo, desse mar
E esse feliz recanto onde cada noite
Deixar no colo amigo amado
Essa cabeça sem enfado a repousar
Vidas de outrora
Heranças de agora
Que vale sempre a pena
voltar a cantar…
Palavras e ameias
E estar sem se deixar levar
E embarcar em novas odisseias
Nestes lugares onde
as palavras e a verdade
nessa grande cidade
Parece que já não andam a meias
mar és interior es
espelhos
imagens subtis
desses tempos,
antigos agasalhos
conselhos que levais e assim assumis…
e nestes retalhos, entre ruas e atalhos
ainda são a vogar,
nesses detalhes…
entre as rosas e flores desse lugar
a se levarem antes nas avenidas,
prendidas por entre os beirais…
tantas quantas as mãos comezinhas…
essas serenas sereias que as regavam
mãos tão cheias de vida
que assim bem as plantavam;
sem mais e sem cessar;
nesses campos prenhes de vida
por entre as ameias amuradas,
dessas antigas estradas…
eram ainda mimadas,
por pés descalços traçadas
os trilhos mais inquietantes eram desbravados,
pelos seres mais pequenos que encontrávamos
a ser e brincar sem mais
serpenteavam
entre o tudo e o nada,
vogavam de lá para cá
sem medo, ser e não ser…
sem sentido desse tal selo
enviavam cartas silentes
aos corações das gentes
as que ainda se atreviam
entre ritmos de alegrias
assim a saber ser cuidar
nem se sabia
se era noite ou dia,
para estar assim
a ver passar…
horizontes
sem princípio
nem se deixar findar
e nesse instrumento que se leva por dentro
compor poemas e melodias de se encantar;
sonhar novas estradas,
veredas vazias marcadas
por pés descalços ao passar
estrofes dessa musicalidade
sem ter tempo nem saber a idade
essa que se levava,
onde a areia parava
assim ai começava
esse imenso mar…
sempre a navegar
de sol a Sol
Avenidas cheias coloridas
Bandeiras nas ruas despidas
Templos de pedra e betão
Portas de triunfos tão distantes
Ecos de mão em mão amantes
Gente em frenesim,
cidade em ebulição
E na cadencia destes dias
Entre máscaras e ruas vazias
Ainda se ouve esperança a vogar
Nessa voz de criança sempre a animar
Pinturas momentâneas
Telas efémeras, diárias
Imagens do ser real
Transformadas e levadas
Pelas ruas desta capital…
a volta da roda se juntavam e à roda assim dançavam
nesses lugares anteriores, entre festas e senhores
entre recantos de pequenas flores plantadas
cresciam flores silvestres onde a noite se deixava
assim iluminar - pelo cântico mais discreto, pelo ser subtil e secreto
que se encontrava aonde morava, ali entre o aroma do rio corrente
a margem sempre ardente, dessas pratas luzidias
decoros e coragens de todos os dias a se perfazer
entre crianças e seres de humanidade,
entre ser homem e mulher de verdade
qual criança que renascia entre a luz do ser e o prender do dia
qual criança
voltar a erguer o olhar
e nesse alento varado
assim ficar em plena rua...
parado, boca aberta, sem falar
e ver essas ruas iluminadas
cheias dessas gentes que vagam
a procura desse novo encontrar:
essa alegria imensa
que vai além
do que se detém
ou se pensa
e nos leva de novo ao ser singular
ess@ que tantas horas a fio passava
castelos efémeros de tudo e de nada
construídos a beira da estrada
desse caminho a se saltitar...
e nem assim se abria
essa cúpula de alva magia
quando o tempo assim em seu enfado
vinha e colocava a subtil noite a seu lado