Dennis de Oliveira Santos (Sinnedos)

Dennis de Oliveira Santos (Sinnedos)

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Perfil
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Tiradentes Arrependido no Sete de Setembro

Eu queria liberdade plena para o país,
Sacrifiquei minha própria vida nisso.
Eu libertei a pátria dos portugueses,
Mas hoje sinto uma nação enclausurada.

A cela é a miséria que aflige muitos brasileiros
E que alguns no cárcere dos privilégios evitam ajudar.
Do parlamento local emana um imenso asco, lá onde
A democracia é enjaulada por uma escória poderosa.

Vendo a vida dos negros, sem-terra e índios, às vezes
Pergunto: do que adiantou libertar a colônia da Coroa?
Se tudo que há é o drible da igualdade nesses dias?
A opinião pública aqui é hoje bovina massa acrítica?

O que se vê são astutos corruptores paladinos da ética,
Podres poderes, privatização de tudo que é público,
Uma mídia que é o duro capitão do mato em nome dos poderosos.
E o povo são neo-quilombolas com seus direitos dilacerados!
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Biografia

Meu nome é Dennis de Oliveira Santos. Nasci no ano de 1985, numa pacata cidade do interior goiano chamada Ceres. Sou oriundo de uma família humilde e um dos dois filhos que muito ama seus pais. De lá pra cá fiz muitas andanças pelo mundo através de viagens e mudanças de lares ao morar em várias localidades.

Na adolescência tive um intenso contato com obras clássicas da filosofia e literatura de forma autodidata. Escritores e pensadores foram importantes na formação de minha cosmovisão, além dos valiosos ensinamentos e valores cultivados pelos pais e avós. Desde essa época aos dias atuais o meu olhar sobre o mundo é moldado principalmente por perspectivas filosóficas, como o existencialismo e o materialismo. Já na fase adulta segui os estudos universitários me graduando nas áreas de Sociologia e Pedagogia. Hoje sou educador e pesquisador. Minha atuação abrange os campos de pesquisa, ensino e projetos sociais. Além de publicar artigos científicos na área da sociologia.

Do existencialismo ficou na mente a ideia da busca da liberdade, a responsabilidade pessoal e a busca incessante por significado na existência humana. E extraído do materialismo filosófico, a perspectiva de que a compreensão da realidade se dá na matéria e nas leis naturais, buscando explicar fenômenos e experiências humanas através de bases físicas e tangíveis. Politicamente, me situo à esquerda, com inclinações marxistas, buscando constantemente a justiça social e a crítica do sistema capitalista. Tento contribuir para a realização desses ideais através do ensino, pesquisa e engajamento em movimentos sociais.

Sou um sujeito de poucas amizades, com prazeres simples, que valoriza muito a companhia da família, um amador na arte da enologia, ávido por viagens, e, nos raros momentos de inspiração, arrisco a escrita literária. Sou, em prática, um realista com uma pitada de pessimismo, um materialista que vê o mundo através das lentes do concreto (sem misticismo). E por ser um amante da literatura, escrevo poesias e crônicas com foco nas questões sociais e filosóficas.

Na minha escrita, mergulho em temáticas para expor as injustiças geradas pela desigualdade social que permeia nosso mundo. Muitos dos meus textos são ressoantes manifestações de insatisfação, narrativas que se levantam contra os fundamentos do poder e desafiam os contornos cruéis do sistema capitalista. Além disso, busco constantemente refletir sobre a existência humana. Ao escrever, tento compreender e expressar o peculiar sentimento de "estar no mundo", abordando inquietações sobre o sentido da vida, dilemas éticos, o impacto da morte e o confronto do ser com sua realidade.

Poemas

5

O Sobrevivente do Holocausto

Eu vi o arame farpado cortar o céu em pedaços,
E as nuvens, impossíveis de serem alcançadas,
Miragens da liberdade distantes da minha prisão. 
Vi os corpos que eram números, 
Centenas deles se tornaram carne queimada,
Inúmeras cabeças que se tornaram cinzas,
Pós que não eram nada na câmara de gás.
Nada, senão o vento levando memórias
De pais e filhos, diversas famílias
Que ninguém irá lembrar.

Eu vi mães abraçando filhos pela última vez,
Enquanto as botas batiam no chão,
Os gritos entravam pelos ossos
E a fome era uma faca ferindo estômagos.
Vi homens que eram lobos sanguinários,
Sem humanidade, arrastando pés que já não sentiam,
Carregando corpos caquéticos que já não viviam.
Vi olhos que já não choravam,
Porque até as lágrimas secaram
Perante a banalização de tanta dor e violência,
Um diário dantesco do apocalipse terral. 

Eu vi a câmara fechar-se sobre eles,
E o gás subir como uma névoa venenosa.
Os gritos que não eram mais humanos,
Pareciam bichos, bois no matadouro.
E o silêncio reinava ao cheirar morte. 

Eu vi os cadáveres empilhados como lenha
E o céu indiferente diante da montanha de carne podre.
Vi bebês arrancados dos braços,
Velhos jogados como trapos e jovens que já não tinham futuro.
Vi a humanidade despedaçada e eu, por sorte, sobrevivi.

Tudo isso eu vi e não posso calar.
Não posso deixar que o mundo se esqueça,
Que o tempo apague, que se reconstrua a banalidade do mal,
Que a indiferença cubra como cegueira mais uma vez o mundo.
Não, nunca mais, não permitam a crueldade que destrói.

148

O Menino Rebelde e as Curvas da Vida

Ainda na infância, olhava o nada, parado, e ali se perdia. 

Pensava, num conflito interior, 

Desejos confrontados com a dura realidade.

O que fazia ali, nesse imenso palco?

 

Interrogações silenciadas dentro de si,

Caminhava em desertos, oásis inalcançável de bonanças.

Questionava dores, desigualdades, incessantemente,

A falta de respostas incendiava a mente.

 

O mundo sem sentido, ao seu redor,

Se via um ator sem direção na vastidão das cidades.

Chegando à adolescência, rompeu com tradições religiosas,

Rejeitou hipocrisias, trilhou caminhos diferentes da família.

Aceitava ser a ovelha negra, o herege, entre muitos.

 

Arquiteto de seu destino, seus próprios dias, traçou.

Recusou as ilusões coletivas, o senso comum ignorou,

Coragem em contínuo ato, seus valores construiu.

Sem dogmas, misticismos, cruel realidade,

Extraiu o melhor do presente, futuro assim alcançava.

Absorveu o absurdo da vida, o ato da rebeldia era diário.

Criticava comportamentos, tentava amar, criar

E alterar as coisas em um mudo universo.

 

O absurdo como fardo, sobre os ombros,

Preenchia com sentidos, com alternativos valores.

No palco da existência, revoltava-se e recriava,

Com paixão, abraçava as curvas da vida e assim aproveitava,

Enquanto a fatalidade certeira da morte não o alcançava.

A febril realidade pintava com cores de sentido,

Amor e atividades prazerosas, a vida assim gozava.

 

144

O Amor é a Raiz da Boa Vida

O amor é raiz da boa vida, ato essencial,

Resposta sã à existência incerta e tumultuada,

Batalha em busca de contentamento,

Na solidão da vida e na finitude do ser.

Ele constrói pontes, unindo corpos a florescer alegrias.

 

Humildade e verdade são suas pedras fundamentais,

Coragem e disciplina, suas vigas monumentais.

No incômodo da morte, na penumbra de problemas,

O amor é bálsamo, um colo frente às imperfeições.

 

Energia pulsante, força que nunca cessa,

Cultivado no coração, sentimento que não se dispersa.

Desafio constante, requer trabalho e zelo,

Compromisso diário, precisa sempre ser regado.

 

Mesmo ante a mortalidade, sua força irradia,

Dando sentido à vida, ante os vales sombrios.

Amar é atitude, prática contínua, necessária,

Aprendizado diário, uma viagem que deixou

De ser um viajante para ser dois, juntos.

 

Na sociedade moderna, nas relações líquidas,

Ele vira mercadoria, falso status social.

O amor verdadeiro é dar e receber,

Ser vulnerável, ser forte, na reciprocidade a crescer.

 

É cura em forma humana,

Tranquilidade, sólido alimento,

Reluzente cristal que ilumina as horas,

Ponte para um dia mais feliz.

Seja nas ardentes manhãs

Ou em acinzentados momentos,

Após uma semana separado de quem se ama

Ou uma chuvosa e caliente noite de prazer

Após um dia repleto de aflições.

 

É o estado de sensações que proporciona completude,

Um festivo sol que irradia felicidades.

É pungente o mundo que se abre ao teu lado.

Os dias são mais felizes na companhia do amor.

 

Conexão humana, superando a solidão,

Em meio às lutas, o amor é redenção.

Raro, exige esforço, dedicação constante,

É essencial à vida, à saúde, à realização.

É completa união de pessoas que antes eram

Totais desconhecidos, mas agora alteram

Suas rotinas, cidades, casas, compromissos,

Trabalhos, famílias e tudo mais porque

São conscientes que a vida é melhor juntos.

125

Respostas e Ações Para a Questão Primordial

Acorda, um homem comum,

Emaranhado nas teias de preocupações:

Conta bancária rasa, corpo esmorecido,

Saúde em urgentes aflições, cenário desolador.

Surge a pergunta existencial,

A verdadeira questão filosófica:

"Vale a pena viver?"

"Por que não tudo se esvair?"

"É hora de se libertar de toda agonia?" -

Sussurros no silêncio do desespero.

 

Busca organizar os pedregulhos,

Colocar os problemas de forma

Que caibam na prateleira da paciência,

Novamente insiste em desenvolver

Hábitos que sejam combustíveis

Que alimentem a persistência,

Não sucumbir à vida incerta.

Fraqueza, cansaço, desânimo,

Companheiros constantes no dia-a-dia,

Obstáculos do árduo caminhar.

 

Mais uma vez, a cruel indagação,

"Por que não?" a lhe recordar.

Mas ele persiste, em teimosia e vontade,

A abafar no peito a atormentadora pergunta.

 

Assim segue o homem comum,

Na batalha contra o mal-estar,

Tentando desvendar o sentido,

Na espiral de desilusão e cansaço.

Com ideias sombrias, a mente aflita,

Sentindo doenças e situações corriqueiras Roubar-lhe o bem-estar, as responsabilidades pesando.

 

Em alguns momentos de ânimo tenta

Encontrar significado na conexão com os outros,

Nos sentimentos, nos momentos prazerosos.

Cansado, dolorido, desanimado há dias,

Tenta, mesmo com o crânio desolado,

As vértebras de otimismo esfaceladas,

O corpo dando sinais de fraqueza,

Se renovar e abraçar mais uma vez a vida com fervor.

 

Tentando recordar que a vida, mesmo absurda,

Carrega em si a beleza do continuar,

Em gestos de amor e contentamento.

Memórias sussurram ao seu ouvido,

Que o absurdo não é o fim,

Mas o recomeço de um viver,

Onde o homem cria seu próprio caminho.

A vida, mesmo em meio ao caos,

Oferece momentos de prazer,

E que em instantes de significado,

Que se encontra a força para continuar.

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Sem Paraíso, Apenas Amor

Saber que posso a outra pessoa dar amor,

Sem promessa divina, sem fixação em paraíso,

Nem medo de punição em seu torpor,

Apenas o altruísmo, minha doação.

 

A vida, vazia, sem norte ou caminho,

Não traz da natureza ou cosmos voz de alento.

Mas se não há sentido algum sozinho,

Cabe a nós criarmos o que é valioso ao lado de alguém.

Forjamos o sentido em cada afeto,

Transformamos o vazio que incomoda.

 

Em pura ação, e própria criação,

O sentido da vida é nosso,

Feito pelas próprias mãos, árduo suor,

É a busca de algo que aqueça o coração.

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