Domingos Alicata

Domingos Alicata

n. 1940 BR BR

n. 1940-11-11, Rio de Janeiro

Perfil
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Guardião da Noite

Guardião da Noite.

Eu sou o guardião da noite...

Dos edifícios apagados,

dos sorrisos adormecidos,

das ilusões desfalecidas...

Restos de vida passam

levados pelos passos

cansados das prostitutas

que se vão...

Na gargalhada que escapa,

da boca amargurada.

Nos passos inseguros que

esquecem de recolher

o eco vazio que deixam

ao passar...

Solitários, abandonados...

Tristes percorrem as

pecaminosas esquinas

da vida...

... e na luz enfraquecida da

solidão, desaparecem.

Apago então as estrelas.

Recolho as últimas cores

da noite.

Adormeço minhas tristezas...

Deixo apenas a ilusão

das ondas que acreditam,

vaidosas, serem delas

o último olhar da Lua...

Lentamente me oculto

do novo dia que chega...

Com novas cores,

novos sonhos,

efêmeros amores...

Domingos Alicata.

Rio, 19.01.2006

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Biografia
Gaúcho de nascimento, carioca por adoção... Em Copacabana vivi a magia dos anos 60, quando a vida se revestia de glamour e
meus anos eram realmente dourados. Personagens maravilhosos cultivaram em mim o mais doce prazer vivido nas doces noites de emoções. A Madrugada e o Mar sempre dominaram, com intensidade, os meus mais significativos momentos de criação e enlevo. Agora, na prateada idade, ofereço aos que passarem por minhas páginas esta profunda experiência de vida convertidas em poemas e crônicas...

Poemas

2

Que Saudade

Que saudade do tempo em que

eu não sentia saudades nem tantas

ausências viviam no meu presente...

O passado era apenas uma simples folha,

quase toda em branco, e o futuro um

lindo livro azul a ser escrito sem pressa.

Que saudade do tempo em que podia corrigir

as tortuosas linhas da vida, contornar o improvável,

redefinir sentimentos...

As noites não eram tão solitárias e

os meus sonhos se refugiavam nos

olhos da menina amada.

Que saudade...

Fantasias sucumbem aos meus desiludidos

encantamentos. Perdas se acumulam no

simples passar do tempo. O corpo definha

e a alma, sorrateiramente, me abandona.

Ah, que saudade da época em que virava as

páginas do tempo sem me preocupar com o

nefasto peso dos anos...

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Na Madrugada


Recolho-me aos indiferentes braços da

madrugada como nos teus braços morto estivesse...

Na triste e escura solidão acaricio teus

lábios, agora já tristemente perdidos no

remoto tempo...

A lágrima que me deixa já não leva apenas

a tristeza, junto sepulta o que restou da

minha sofrida alma...


Domingos Alicata

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Cauana Araujo
Cauana Araujo

Cruzeiro do sul terra dos cruzeirenses